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Contos de Hollywood #01 | Quem foi o produtor que atirou em um agente por causa de uma atriz?

Inspirados pelo interesse gerado pelo nosso artigo sobre o primeiro escândalo sexual de Hollywood, no Nerdzoom teremos agora uma coluna quinzenal intitulada “Contos de Hollywood” sobre histórias curiosas envolvendo os bastidores da indústria do cinema americano. Caos por trás das câmeras, intrigas, escândalos, rivalidades, crimes, trajetórias de grandes estrelas e outras curiosidades serão nosso principal enfoque.

A história da nossa primeira coluna é cortesia do site americano The Hollywood Reporter e é sobre um caso ocorrido na véspera de ano novo, em 1951, envolvendo a atriz Joan Bennet e seu marido, o produtor de cinema Walter Wanger (Cleopatra, Joana D’Arc). Ambos foram casados por 20 anos, apesar dos pesares.

 

No início dos anos 50, depois que Walter Wanger começou a suspeitar que sua esposa, a atriz Joan Bennett, teria um caso com seu agente, Jennings Lang, Wanger contratou um detetive particular e descobriu que eles haviam passado um tempo em Nova Orleans, no Caribe e num apartamento em Beverly Hills.

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Joan Bennett nos anos 1940, durante seu auge.

Ele era uma das figuras mais extravagantes de Hollywood, um playboy, mulherengo e produtor famoso, cujo currículo inclui o clássico do faroeste “No Tempo das Diligências” de 1939 e “Correspondente Estrangeiro“, filme de Alfred Hitchcock lançado em 1940. Mas, no início dos anos 1950, a carreira de Walter Wanger estava em declínio. Ele, que gostava de viver de forma tão nababesca, havia declarado falência e agora tentava entrar na televisão, enquanto era perseguido por credores que não acreditavam que a falência fosse real. “Walter estava na pior posição de todos os tempos“, diz a neta e cineasta Vanessa Hope.

Por dois anos, as coisas ficaram cada vez piores“, disse Wanger, que morreu em 1968, sobre a época. “Eu me sentia muito bem fisicamente, mas houveram tantas decepções e provações“. O Bank of America estava atrás dele; o escândalo entre Ingrid Bergman e o diretor Roberto Rossellini (ambos casados com outras pessoas na época) arruinou as esperanças de que seu filme mais recente, Joana d’Arc, fosse um sucesso de bilheteria em 1948; seu rosto estava começando a tremer e seu discurso estava ficando tenso. “Se eu pudesse descansar!” ele lamentou. “Mas onde? Quando? Como?

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Walter Wanger

Então as coisas pioraram mais ainda. Durante muito tempo, Wanger foi financeiramente dependente de sua esposa, a estrela de cinema Joan Bennett (As Quatro Irmãs, Almas Perversas), que arcava com as despesas do casal. Agora, porém, ele começou a suspeitar que ela estava tendo um caso com o agente dela, Jennings Lang. Ele contratou um detetive particular para vigiar os dois e, como esperado, descobriu que eles passaram um tempo juntos em Nova Orleans, no Caribe e em um apartamento em Beverly Hills, de propriedade de um dos amigos de Wanger, o agente Jay Kanter.

Furioso, o produtor pegou uma arma e saiu no encalço dos amantes. Assim que visualizou o Cadillac verde de sua esposa no estacionamento da agência de Lang, a MCA, ele decidiu que ia circular pelo quarteirão. Uma hora depois, o carro ainda estava lá – e Wanger também – quando a atriz e o agente surgiram pela porta da agência.

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O agente Jenning Langs, destruidor de lares.

Houve uma discussão violenta entre os dois homens, com Bennett gritando: ‘Afaste-se daqui e nos deixe em paz‘”, observa Matthew Bernstein, autor do livro “Walter Wanger: Hollywood Independent”. “Wanger, segundo Bennett, ficouparado ali, como um homem hipnotizado’“. Embora Lang tenha levantado as mãos, Wanger foi implacável; ele deu dois tiros na direção do agente. Um acertou o carro; o outro atingiu Lang na virilha e ele caiu em agonia no chão.

Felizmente para todos, Lang sobreviveu. O mesmo aconteceu com Wanger (ele e Bennett foram casados até 1965), embora tenha sido imediatamente levado pela polícia. Amigos que ligaram para ele naquela noite, desesperadamente preocupados, foram informados pelo mordomo: “Sim, o mestre está na prisão de Lincoln Heights“.

O tiroteio ocorrido em dezembro de 1951 não causou danos a longo prazo – pelo menos não a Lang, Wanger ou até mesmo a Hollywood (tornou-se inspiração para a comédia clássica de 1960 de Billy Wilder, O Apartamento), mas a carreira de Bennett nunca mais foi a mesma. Este fato escancara o machismo da Hollywood dos anos 1950, visto que as carreiras dos homens envolvidos escaparam de forma intacta, mas a fama de “esposa infiel” que recaiu sobre a atriz foi uma mancha grande demais para a carreira de Joan suportar, mesmo com ela e Wanger permanecendo casados.

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Joan Bennet saindo do hospital depois de visitar Lang, em 1952.

Jennings se tornou um grande produtor, com créditos como Perversa Paixão, de 1971 e O Estranho sem Nome, de 1973. Apesar do conhecimento da indústria de que Lang fora baleado na virilha, a bala errou os seus pontos vitais e ele continuou sendo um homem em pleno funcionamento, diz seu filho, o cineasta e historiador Rocky Lang. “Eu sou a prova viva“, brinca ele.

Wanger foi julgado por agressão com arma letal, mas, depois de alegar insanidade temporária e se atirar à mercê da corte, auxiliado pelo super-advogado Jerry Giesler e por um círculo de figurões de Hollywood (Samuel Goldwyn observou, sem evidente senso de ironia, de que Wanger “nunca escolheu o caminho mais fácil”), recebeu uma sentença de quatro meses, que serviu na Castaic Honor Farm.

Depois que foi libertado, Wanger usou a experiência em seu benefício, fazendo dois dramas policiais que ficaram entre os seus melhores filmes: Rebelião no Presídio e Eu Quero Viver. Seu último filme foi o maior de todos os tempos: Cleópatra, a produção de 1963 que quase afundou a Fox e se tornou uma nota de rodapé maior na história de Hollywood do que o tiro dado por ele em Lang.

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Wanger e Bennett, quando ainda eram casados.

A essa altura, Wanger já havia se recuperado do período difícil e conseguia ver com humor o que havia acontecido. “Vocês só sabem reclamar dos agentes“, ele brincou uma vez com um grupo de executivos de estúdio. “Eu sou o único que já fez algo a respeito“.

 

 

Assistam Almas Perversas. Fica a dica.

 

 

 

 

Créditos: The Hollywood Reporter

 

Esse texto foi editado em 22/02/2020, às 12:50.

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