Após um primeiro episódio bem focado em seu protagonista e na trama que o envolve, Krypton fragmenta em dois núcleos sua narrativa no segundo episódio. Um que foca nas desventuras de Seg-El após os acontecimentos do primeiro episódio e outro que narra a jornada de Lyta Zod na tentativa de não fazer com que plebeus sejam mortos em vão em uma operação. Claro que daí há a inclusão de outros arcos, mas esses outros são ramificações destes primários. Diferente do primeiro episódio que tem uma dificuldade em trazer uma relação entre personagens que envolva o espectador de forma cômica a séria traz nessa segunda semana uma interação divertida entre Adam Strange (Shaun Sipos) e Kem (Rasmus Hardiker), sendo que o primeiro mostra este tom apenas neste episódio e se sai até bem. Infelizmente, Cameron Cuffe ainda mostra ter dificuldade em desempenhar seu papel como o avô do Superman, ainda mais levando em conta que o roteiro continua o tratando como um jovem imaturo e impulsivo.

Já no núcleo de Lyta o tom sério faz com que o episódio se equilibre entre a aventura mais descompromissada de Seg e a força de vontade da personagem em defender a plebe do planeta Krypton. Esse tom se mostra inclusive muito bem executado, dando destaque aqui para as atuações de Georgina Campbell e Ann Ogbomo que mesmo com o desconforto quase sólido entre a mãe e a filha, mostram ter uma boa dinâmica mesmo com toda a desfuncionalidade da relação. As cenas de lutas dessa trama também são muito bem executadas, e ajudam esse núcleo a mostrar seu potencial que merece ser mais explorado no futuro da série.

Sim, pode ser que Krypton ainda não esteja tendo todo o brilhantismo que merece, as vielas onde mora a plebe ainda são extremamente simplistas e a tentativa de dar um teor noir com luzes que descem o céu como se vigiassem o povo entrando pelas brechas de locais escuros não são tão bem sucedidas, mesmo assim este episódio apresenta até uma direção de arte e fotografia que parece estar em sintonia. A divisão de cores é bem inteligente, o azul, amarelo e vermelho aparecem sempre em núcleos específicos e são bem ressaltados pela fotografia. Assim, este episódio se mostra mais competente artisticamente do que o primeiro. O que não quer dizer que o visual em si tenha melhorado, mas dessa vez as limitações do orçamento parecem ter limitado menos a direção da série.

[rwp_box id=”0″]