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Crítica: A Maldição de Sharon Tate | Primeiro Terror de Hilary Duff explora o caso real de Sharon Tate

A Maldição de Sharon Tate é o novo filme do diretor Daniel Farrands. que já dirigiu alguns documentários sobre grandes franquias de terror como Pânico e A Hora do Pesadelo, além de já ter produzido populares filmes de terror como Evocando Espíritos (2009) e Amityville: O Despertar (2017). O longa não só é um de seus primeiros trabalhos como diretor de longa metragem, como também marca a estreia de Hilary Duff em um trabalho do gênero terror.

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Na história real, a promissora atriz Sharon Tate esposa do cineasta Roman Polanski, grávida (quase no fim da gestação, faltando apenas 2 semanas para ganhar seu bebê) foi assassinada junto de 4 pessoas (Jay Sebring, Wojciech Frykowski, Abigail Folger e Steven Parent) que a acompanhavam em sua casa, na noite de 9 de Agosto de 1969, quando foram brutalmente mortos por Charles Manson e seus seguidores. O filme de Daniel Farrands foca exatamente nesta história, mas tenta ao mesmo tempo inovar e mostrar uma nova visão sobre o ocorrido naquela fatídica noite noite do fim dos anos 60. Não se trata apenas de reviver o chocante crime daquela noite, como ocorre com o filme “O Perigo Bate á Porta” (2016), estrelado por Katie Cassidy no papel de Sharon Tate, mas trata-se de uma reimaginação daquela noite, que possui até bons momentos mas que acaba por ser pouco inspirado na maior parte do tempo.

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Hilary Duff dessa vez interpreta a própria Sharon Tate, e se sai bem no papel. A atriz, antes acostumada apenas com doces comédias românticas como “A Nova Cinderela” (2004) e Material Girls (2006), agora finalmente se encontra em um cenário de terror, e não um cenário qualquer, mas a reconstrução da brutal noite em que o psicopata fanático Charles Manson e seus seguidores invadem a casa da esposa de Roman Polanski, e assassinam brutalmente ela grávida, e seus amigos ali mesmo. E as cenas de terror são chocantemente bem feitas para um filme de baixo orçamento, a produção do filme se empenha em mostrar um gore razoável e produzir boas cenas de terror com o pouco que tem em mãos. Outro destaque do elenco é Jonathan Bennett, outro queridinho da década passada por atuar em filmes teen como “Meninas Malvadas” (2004) e “S.O.S do Amor” (2005), e aqui mesmo que em um papel menor ele tem uma boa atuação. O restante do elenco nem se destaca e nem compromete, deixando o destaque total para Duff e Bennett. Voltando á produção do filme, temos alguns momentos bem interessantes de suspense, que mesmo sabendo o que vai acontecer na história (por se tratar de algo que realmente aconteceu), consegue nos deixar aflitos e até curiosos com o próximo passo que o roteiro vai seguir.

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Mas é ao falar de roteiro onde as coisas se complicam aqui. Ao passo em que o roteiro do filme é até interessante por mostrar uma outra visão do caso, os sonhos macabros de Sharon Tate e uma certa mediunidade da atriz não explorada antes. Porém acaba também por parecer desrespeitoso aos envolvidos e familiares das vítimas do caso por “brincar” demais com a história, e ir por caminhos duvidosos. Quando se trata de um caso real é perigoso tomar certos rumos, e Farrands acaba por tomar estes rumos perigosos e quase estragar seu projeto, eu digo quase porque o filme não é de todo ruim, mas fica bem abaixo da média. Quando se aumenta demais, ou inventa demais como ele faz aqui, acaba deixando sua história real mais fictícia do que verdadeira, e isso é desrespeitoso ás vítimas envolvidas na história real, e causa frustração ao telespectador por ver que muita coisa ali não aconteceu de verdade. Principalmente neste caso onde Charles Manson, seus assassinatos, e Sharon Tate já são tão conhecidos pelo grande público. Como eu já citei algumas vezes nem tudo é ruim, é interessante imaginarmos aquele final como algo que realmente podia ter acontecido na tragédia real, e também bacana acompanhar algumas releituras feitas aqui, fora que os arquivos de entrevistas reais de Tate dão um grande charme ao que estamos assistindo. Uma pena que na maior parte do tempo, “A Maldição de Sharon Tate” opte por ser apenas mais um filme de terror com psicopatas, ao invés de focar e ser uma releitura interessante de um crime que chocou o mundo todo. Assista e tire suas próprias conclusões sobre o caso, e também sobre o filme, é claro.

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