A Casa do Medo: Incidente em Ghostland – Um Terror Violento e Psicológico | Crítica

Novo terror de diretor polêmico usa muito bem os clichês para surpreender.

Dirigido por Pascal Laugier, diretor francês famoso pelo polêmico filme Martyrs (2008), que chocou o público pela violência extrema exibida. “A Casa do Medo: Incidente em Ghostland” tem os mesmos elementos que Pascal costuma usar em seus trabalhos, a violência gráfica que choca o público, atuações bem reais onde as atrizes são expostas ao seu limite, e uma história aparentemente comum sobre invasão domiciliar, mas que surpreende por abordar o lado psicológico das personagens.

Na trama, uma mãe se muda com suas duas filhas adolescentes para a casa que herdou de uma tia que faleceu recentemente. No caminho elas acabam parando e uma das garotas lê uma notícia local, sobre um assassino que está aterrorizando a região, invadindo casas e matando os pais, enquanto deixa os filhos vivos para tortura. Ao chegarem no local as três se deparam como uma casa bizarra repleta de bonecas estranhas, e com um aspecto desleixado. Interpretada muito bem por Taylor Hickson (Deadpool) Vera, a garota mais velha está revoltada com a mudança, não se dá bem com a irmã mais nova e discute constantemente com a mãe. Emilia Jones (Amaldiçoada) dá vida a Beth, a mais jovem, que é introspectiva e cheia de medos, e que escreve contos de terror como uma espécie de fuga de seus medos profundos. Logo na primeira noite, quando estão arrumando suas coisas na casa nova, elas são surpreendidas por dois invasores violentos, que chegam agredindo brutalmente Pauline, a mãe das garotas, que é interpretada pela famosa cantora Mylène Farmer. Em uma luta brutal e repleta de violência, Pauline, Vera e Beth são agredidas com socos, facadas e lutam em meio a muito sangue por suas vidas. Logo, somos apresentados aos clichês de sempre. Mãe e adolescentes, uma rebelde e a outra correta, casa estranha e uma invasão domiciliar. O uso da violência brutal, muito sangue e rostos inchados por socos, típico do diretor. Mas o clichê e a previsibilidade ficam apenas no primeiro ato mesmo.

Após o primeiro ato violento, 16 anos se passam e vemos Beth agora adulta superando o trauma que passou em Ghostland. Beth agora é vivida por Crystal Reed (Jewtopia), que surpreende com uma atuação forte e dramática, em momentos que exigem muito da atriz. Tanto Emilia Jones quanto Crystal Reed conseguem criar uma Beth traumática, com medos e que tenta a todo custo viver uma nova vida, em diferentes fases da mesma personagem. Agora realizando seu sonho de ser escritora, Beth lança o famoso livro “Incidente em Ghostland” que revela o horror que ela, sua irmã e sua mãe passaram naquela casa 16 anos antes. O livro rapidamente se torna um sucesso, e a vida dela parece ir bem. Agora casada e com um filho adorável, Beth sente que está quase completa. Até que um dia ela recebe uma ligação perturbadora de Vera, agora vivida pela atriz Anastasia Phillips (Vingança Obsessiva), que também cumpre muito bem seu papel entregando momentos tensos e extremos. Na ligação Vera pede que Beth volte a Ghostland para a casa em que sofreram tal trauma, como se os assassinos ainda estivesse lá a machucando. Intrigada com o que ouve de Vera, Beth decide voltar a casa. Lá ela encontra Beth traumatizada, machucada e completamente perturbada.

É na volta ao cenário de horror que o longa de Laugier surpreende, com momentos extremamente tensos e perturbadores, e reviravoltas que dão um novo fôlego ao gênero de horror. Mesmo sendo basicamente um filme sobre invasão domiciliar, o modo como o diretor lida com os traumas das personagens, e com o psicológico delas diante do que passam naquela noite perturbadora é realmente notável. Até mesmo o uso dos jumpscares são bem colocados, e acabam não incomodando, rendendo alguns bons sustos nos momentos certos. Somente a casa já seria o suficiente para causar terror a trama, já que ela é repleta de bonecas estranhas e uma decoração macabra, bonecas essas que acabam significando muito mais ás personagens do que imaginamos. A primeira grande reviravolta do longa, talvez a melhor, é o que define “A Casa do Medo: Incidente em Ghostland” como um terror notável, com um ar moderno e com aquele clima cru e frio que somente o cinema independente (principalmente o francês) é capaz de proporcionar. O uso das cores frias, a fotografia melancólica com uma casa “feia”, as bonecas bizarras, enfim, o cenário como um todo dão um charme ainda maior a obra, mostrando assim, que o filme é muito mais psicológico do que gráfico. O elenco dá conta do recado, consegue dar vida ao psicológico das personagens de forma incrível, como aquele desejo de fuga do trauma que está passando, o desejo de viver outra vida, outra situação. Uma fuga física que é impossível, mas que para a mente não. Afinal apenas a mente é capaz de criar coisas que ninguém é capaz de apagar.

CURIOSIDADE INSANA: Infelizmente a atriz Taylor Hickson sofreu um grave acidente durante as filmagens do longa, em Dezembro de 2016. O filme foi lançado agora em 2018, e logo os produtores sofreram um processo da atriz que teve o rosto desfigurado. O diretor e produtores obrigaram Taylor a executar uma cena em que ela precisava socar uma porta de vidro, quando questionados pela atriz se era seguro todos afirmaram que sim, e pediram que ela socasse ainda mais forte, o que ocasionou na queda da porta. Com o vidro quebrado, Taylor caiu por cima dos cacos que cortaram profundamente o rosto dela, resultando em 70 pontos e uma cicatriz permanente no rosto da atriz. Pelo terrível incidente, Taylor desenvolveu depressão e desde então tem dificuldades em encontrar outros papéis no cinema.

Apesar do terrível acidente, que poderia sim ser evitado, o filme é realmente muito bom e vale a pena ser conferido.

7.7
  • Roteiro
    7
  • Direção
    8
  • Fotografia
    9
  • Trilha Sonora
    5
  • Enredo
    7
  • Atuações
    10
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Nascido no Rio Grande do Sul, com 24 anos, empresário e estudante de letras, Giovani tem paixão por cinema e TV e planeja escrever no futuro. Apesar de já ter escrito um livro, ainda não lançado, ele planeja ingressar nessa carreira de escritor, além de crítico de cinema, e dar aulas de português para crianças.

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