Uma lenda. Um mito. Um símbolo. Um salvador.
Um semideus.
Mas, além disso, um humano.
Mais humano do que se pensa.
Superman: As Quatro Estações, lançamento recentíssimo da editora Panini, publicado, originalmente, em 1998, é mais uma publicação em singela homenagem aos 80 anos do Superman. O primeiro e maior super-herói (já contei essa história aqui, hein?), que às vezes, parece ser tão superior a humanidade, que não é um de nós.
Muito pelo contrário. Por baixo do uniforme, há um homem. Um homem criado por um casal bondoso do Kansas. Há um garotinho aprendendo a lidar com seus poderes. Há um alienígena que está constantemente aprendendo a ser humano. E, cá entre nós, ele é mais humano do que kryptoniano
Você já parou para pensar como o Superman é visto por outras pessoas? Não por pessoas comuns, mas seus pais, seus amigos de Smallville, todos que o viram crescer? Essa é a proposta de Quatro Estações. Com o tempo passando através das estações do ano (avá, é mesmo?), vemos o ponto de vista das pessoas que moldam toda a mitologia do personagem. Não deve ter sido fácil criar um menino de aço, não é mesmo? Como Lois Lane e Lana Lang o veem? Por que Lex Luthor odeia-o tanto? Questões tão simples, mas que passam despercebidas facilmente.

Com uma abordagem muito mais humana e sentimental do que o normal, Quatro Estações se configura como uma das maiores histórias do último filho de Krypton, e uma leitura essencial para compreender a sua formação, seus valores, e como ele se tornou o ser mais poderoso do planeta. Além de um panorama de sua vida simples em Smallville, a obra aborda a maquiavélica genialidade de Lex Luthor, seu relacionamento com Lois Lane, e como o semideus acabou com os sonhos de infância de Lana Lang. Elementos tão presentes na mitologia do personagem, trabalhados de forma magistral pela dupla que dispensa comentários, Jeph Loeb, no roteiro, e Tim Sale, nos desenhos. Se você despreza o Superman por ser muito “apelão”, ou por estar muito além dos heróis mais urbanos, essa história é justamente para você.
Não podemos esquecer que, mesmo com toda aquela pose mitológica, com todos aqueles poderes, Superman ainda é Clark Kent. Ele já viu e ouviu de tudo nessa vida. Sentiu as piores dores. Sofreu sozinho. Fingiu ser o que não era. Um dia, ele percebeu que não poderia salvar todo mundo. Que a vida não era justa. Que existem homens que farão de tudo para impedi-lo, apenas por inveja. Não é porque ele é um Homem de Aço que ele não tem sentimentos. Sim, ele é como nós. E pode ter certeza que ele é o Atlas contemporâneo; um titã que tem a missão de carregar o mundo nas costas. Um alienígena, muito mais humano do que se pensa.

Jeph Loeb, autor de Batman: O Longo dia das bruxas e diversas outras histórias do Morcegão, entrega mais uma obra espetacular, mostrando as dores de um ser aparentemente imbatível. Por fora, não por dentro. É cativante ver Superman descobrindo as maldades do mundo, enfrentando inimigos que não pode vencer, e além de tudo, se tornando o super-herói que é. Os desenhos fenomenais de Tim Sale completam o roteiro como arroz com feijão. E deixo um elogio à edição da Panini; além de histórias extras que complementam a principal, a HQ vem com três artes lindíssimas, prontas para serem emolduradas. O quadrinho, em todos os aspectos, é impecável.
Com os 80 anos do azulão, Quatro Estações é uma obra perfeita para dissecar tudo que envolve o Superman. Para compreendê-lo melhor. Não é todo dia que vemos além do uniforme e dos feitos extraordinários. Além de tudo, é interessante perceber, que Kal-El é tão normal quanto eu ou você. Só que nós não temos que carregar o mundo nas nossas costas.