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The Last of Us | Série começa com fidelidade e entrega a agonia presente nos jogos

The Last of Us é provavelmente o lançamento mais aguardado de 2023. A série que traz a adaptação do jogo exclusivo da PlayStation, prometia algo grandioso. E indo além disso, ela tinha a proposta de entregar algo fiel e tão impactante quanto os jogos. E de fato, é isso o que vemos no primeiro episódio.

Inicialmente somos conduzidos por uma palestra nos anos 60 onde temos os primeiros indícios de uma crise. O ator John Hannah (A Múmia) interpreta um pesquisador que fala sobre as ameaças dos fungos. Inicialmente ninguém leva a sério, até perceber que com as mudanças climáticas, isso pode ser iminente. Mas a cena termina de forma seca, e somos cortados para 2003 onde acompanhamos Joel, Sarah e Tommy.

Contudo a fidelidade do jogo já se torna visível. Temos um Joel que se preocupa com a sua filha, um Tommy fanfarrão e Sarah que é uma pequena garota sendo adulta. O destaque aqui está para a direção de Craig Mazin, que brilha na narrativa. A construção da virada entre a sociedade e seu fim é muito bem feita. Os detalhes para a contaminação, a forma como a informação é passada. Tudo isso é construído de uma forma dinâmica que foge do padrão de séries apocalípticas. Após isso vemos a agonia de um mundo chegando ao fim, o desespero das pessoas e sua ruína. É impressionante como você consegue sentir a mesma agonia que havia nos jogos nessas cenas. 

O futuro apocalíptico

Somos então catapultados para 20 anos no futuro. Assim conhecemos a nova sociedade, que se encontra perante uma ditadura militar. Não existe mais uma moeda, e sim tickets que podem ser trocados por objetos. O trabalho passou de obras para queima de corpos e limpa de esgotos. Com um Joel mais ríspido e velho, agora acompanhamos o presente da nossa história.

Tess surge com a mesma “marra” dos jogos, sendo uma personagem com presença e força. Já Ellie com o pouco que temos, podemos perceber que Bella Ramsey foi a escolha ideal para o papel. Uma garota que cresceu no fim do mundo, não teria uma personalidade padrão, e sim fugiria disso e não teria medo de quem a ameaçasse. 

Todo o universo está bem construído, e os detalhes são minuciosamente planejados. A qualidade de produção da HBO é o ponto alto em seus cenários e detalhes. Por mais que a gente imagine um mundo apocalíptico, poucos são palpáveis, e a HBO faz questão de nos apresentar algo diferente. Os vaga-lumes que são importantes para essa trama, já são apresentados como contrapontos e de uma forma que nos faz questionar seus valores. Inclusive, Marlene é interpretada pela mesma atriz dos jogos, está tão fenomenal quanto sua outra parcela.

Então o início da série já coloca as adaptações de games em outro patamar. Anteriormente já tivemos a “maldição de adaptações dos jogos” sendo quebrada por produções como Sonic, Arcane e Castlevania. Afinal agora chegamos em um novo nível com The Last of Us, e que possui um grande potencial para já ser uma das melhores séries do ano.

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