É comum que ao encontrar uma fórmula que funcione, os escritores permaneçam seguindo o caminho daquilo que está dando certo, e isso por si só não é nenhum demérito. Grandes nomes como Agatha Christie e Dan Brown, atingiram sucesso e fama usando esse recurso. Mas esse, definitivamente, não é o caso de Spohr.

Criador de um universo bem sucedido e consolidado, o carioca decidiu aventurar-se numa trilogia de romances históricos sobre a vida de São Jorge, uma das figuras mais conhecidas da cultura popular e religiosa no Brasil. A própria imagem do santo é algo que todos nós já vimos algum dia.

A escolha justamente dessa figura deu ao autor não só a possibilidade de construir um personagem cheio de nuances e complexidades, como também de retratar o universo romano e o império numa fase muito pouco abordada pela ficção – seja escrita ou audiovisual –, sua decadência.

Justamente por ser um momento de transição e de instabilidade no império, Spohr pôde retratar conflitos, intrigas palacianas e a ascensão e queda de governantes, além da expansão do cristianismo, tudo isso tendo como pano de fundo a busca de Georgios por se tornar um militar a serviço da Púrpura e se vingar de antigos inimigos.

As duas obras têm como grande mérito, narrar uma história coesa, envolvente e rica em detalhes sobre vocabulário, crenças, hábitos e regras daquela sociedade, sem deixar de lado as diferenças entre as regiões dentro de um império multiétnico e culturalmente plural.

Diferentemente da Tetralogia Angélica (que inclui A Batalha do Apocalipse e os três volumes de Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida, Anjos da Morte e Paraíso Perdido), Santo Guerreiro não oferece o recurso da magia, da fantasia, e isso exige do autor a habilidade de trabalhar em zonas cinzentas.

O Box com todos os livros da Tetralogia de Eduardo Spohr.

Muito dessa capacidade de fabulação e de criação de cenários, impasses e conflitos dos mais diversos, se deve certamente às inúmeras sessões de RPG – prática que o escritor mantém até hoje -, além dos hábitos metódicos.

Com um quê de Bernard Cornwell, Spohr cria uma série de situações que podem ou não, ser interpretadas como magia, dependendo da visão e da inclinação de cada leitor.

Enquanto o primeiro volume retrata a infância do santo, o segundo trata da juventude de Georgios, sua ascensão como tribuno militar e comandante das forças romanas. 

Com capítulos curtos e dinâmicos, ambas as obras seguem um ritmo agradável e sem “barrigas”, numa viagem crível e surpreendente pela Roma do terceiro século. 

Santo Guerreiro: Roma Invicta e Santo Guerreiro: Ventos do Norte estão disponíveis nas livrarias de todo o Brasil. Eduardo Spohr, segue em eventos de divulgação das obras pelas livrarias do país.

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