Tenet, o mais novo projeto do cineasta Christopher Nolan, traz como elemento de sua trama a inversão temporal.

John David Washington, intérprete do personagem conhecido apenas como o Protagonista, diz que, embora “no seu cerne, Tenet conte a história de um homem tentando salvar o mundo, o filme desafia nossas formas tradicionais de interpretar o tempo, o que percebemos como sendo real, os comportamentos que aprendemos. Há muito mais acontecendo. Eu nunca tinha lido um roteiro ou visto algo assim antes. Ninguém viu. Chris encara de frente a maneira como entendemos a física do tempo, através das lentes deste personagem. Não sei qual é o fascínio dele pelo tempo, mas adoro como ele lida com isso em seus filmes”.

A produtora Emma Thomas lembra ainda que, de alguma forma, todos compartilham o fascínio de Nolan pelo tempo. “Estamos todos um pouco obcecados com o tempo, não estamos? É algo que, seja quem for, de onde quer que seja, qualquer que seja sua experiência de vida, sabe que não pode mudar. Isso te governa. Não posso falar pelo Chris, mas essa é a minha perspectiva. É interessante porque, dado o fato de que o tempo é universal, também é algo que você sente muito subjetivamente: você sabe, as crianças sentem o tempo muito diferente dos adultos. Sinto que está acelerando além da medida. E então, durante esta pandemia, nossa percepção do tempo tem sido completamente distinta… dias parecem semanas, e meses passam como minutos. Tem sido muito estranho”, revela.

“Curiosamente, verificou-se que a ideia de inverter o tempo não está fora do reino das possibilidades para os físicos modernos, considerando a lei da entropia que, nos termos mais básicos, estabelece que todas as coisas e situações tendem para a desordem. Todas as leis da física são simétricas – elas podem ir para frente ou para trás no tempo e serem as mesmas, exceto para a entropia”, explica Nolan. “A teoria é que se você pudesse inverter o fluxo de entropia para um objeto, você poderia reverter o fluxo de tempo para esse objeto, de modo que a história do filme é fundamentada nos conceitos da física. Eu pedi ao físico Kip Thorne para ler o roteiro, e ele me ajudou com alguns dos conceitos, embora nós não tenhamos intenção de ser cientificamente precisos. Mas nos baseamos na ciência”, afirma o cineasta.

Quando leu o roteiro pela primeira vez, Emma Thomas admite que ficou “um pouco assustada com a sua grandeza, mas a premissa era tão original e intrigante. Alguns dos filmes de Chris têm sido bastante complicados de analisar apenas pelo roteiro, mas então você sabe que tudo vai fazer sentido quando assisti-los na telona”.

Para as filmagens, o diretor sabia que concretizar sua visão exigiria “um conjunto de regras que não era tão simples quanto reverter a câmera ou filmar de trás para frente. Há uma interação entre a direção do tempo e o ambiente em que estamos, como as coisas se movem ao nosso redor e até no ar que respiramos”, esclarece. “A noção de inversão é assimétrica, então reproduzir isso era complicado e tinha que ser abordado de forma ainda mais complicada. Isso significava uma variedade de técnicas, desde os atores e dublês serem capazes de realizar cenas de luta e correr e caminhar em direções diferentes, até veículos conduzidos para frente ou para trás em várias configurações para que pudéssemos, cena a cena, mudar completamente a técnica que estávamos usando para criar um visual específico”, explica Nolan.

Ainda segundo Nolan, o meio visual do filme é realmente a única maneira pela qual facetas específicas da história poderiam ser realizadas: “A grande beleza da câmera é que ela realmente vê o tempo. Antes de a câmera de cinema existir, não havia como as pessoas conceberem coisas como câmera lenta ou câmera reversa. Então, o cinema em si é a janela para o tempo que permitiu que este projeto se concretizasse. É literalmente um projeto que só existe porque a câmera de cinema existe”, reforça.

Compartilhar
Mais um nerd afim de revolucionar o mundo geek.