Se você assistiu à primeira parte de “It”, “It, A Coisa”, você assistiu a um excelente filme com terror, subtextos e, provavelmente percebeu que esta dualogia tinha muito a mostrar. “It, A Coisa” foi um filme de terror já muito acima da média e deixou muita gente com grandes expectativas para “It, Capítulo 2”. Muitos dizem, por aí, que a expectativa é a mãe da decepção, mas… pode ir tranquilo ao cinema, pois é um filmaço.

Vinte e sete anos depois do encontro com o (horripilante) palhaço Pennywise, o Clube dos Perdedores sequer lembrava do episódio, numa amnésia pós-traumática coletiva, e quase todos já haviam se mudado para longe, menos Mike, que se encarregou de ligar para todos, para que cumprissem seu juramento de acabar com “A Coisa” de uma vez por todas.

O filme é um excelente conto sobre traumas e como devemos enfrentá-los e de como temos o costume de jogá-los para debaixo do tapete. Pennywise é uma metáfora para os bullyings que sofremos na infância e tudo aquilo que influencia negativamente na nossa formação de caráter, nos tornando pessoas submissas aos nossos medos. A forma que o filme mostra isso é muito interessante: apesar de os cinéfilos mais fervorosos terem calafrios, quando falamos de flashbacks, o conta-gotas do filme constrói as personagens com riqueza de detalhes, indo e voltando no tempo e nos mostrando exatamente o que precisamos saber nos momentos corretos. Sem deixar nenhuma ponta solta, todos os foreshadowings são utilizados para dar conclusão a todas as subtramas e a grande piada do filme (sim, temos piadas – ótimas piadas), que deixa o expectador tenso até o desfecho, serve para justificar um final que, não muito feliz, serve, ao menos, para descarregar o peso dos ombros e deixar a tensão escorrer pra fora da pele.

De fotografia linda (LINDA!), uma montagem com ritmo perfeito, que nos deixa tensos e boquiabertos em praticamente todas as quase três horas de filme e o diretor Andy Muschietti mostrando que entende muito de clichês do gênero, além de dirigir lindamente os atores, especialmente o trio Jessica Chastain, o sempre fantástico James McAvoy e Bill Hader, além das crianças maravilhosas, “It, Capítulo 2” arrasa no terror, com boas doses de “gore”, boas pitadas de humor nas horas certas e uma coleção de efeitos visuais que, em nenhum momento, removem a sua suspensão da descrença, fazendo-lhe acreditar em todo momento que aquilo tudo é possível.

Se eu fosse você, não perderia tempo e iria ver o grande filme de terror da última década! Lindamente e terrivelmente amedrontador!