Fallout chegou na Prime Video trazendo a adaptação da famosa franquia de jogos elaborada por Todd Howard e o estúdio Bethesda. A série é uma produção do criador de Westworld, Jonathan Nolan e consegue surpreender ao ser uma das melhores adaptações do gênero.

Com essa afirmação você deve estar pensando: Então ela é fiel ao material original? Sim e não.

A série se passa no mesmo universo dos jogos, mas alguns anos após os acontecimentos de toda a franquia. Logo, é como se a série fosse uma continuação desse universo e pudéssemos ver o que virá a seguir nesse mundo.

E nessa história de Fallout, seguimos o padrão dos jogos. Acompanhamos a personagem Lucy (Ella Purnel) que é residente de um dos Vaults, que é um dos bunkers criados pela Vault-Tech para salvar um seleto grupo de pessoas da ameaça nuclear.

Quando seu pai Hank MacLean (Kyle MacLachlan) é sequestrado, ela decide sair do Vault e partir para as Terras Desoladas do Estados Unidos pós-apocalíptico para encontrar ele e descobrir a verdade sobre o que aconteceu com sua falecida mãe.

E isso segue a narrativa padrão dos jogos, onde o protagonista sempre tem que encontrar algo ou alguém, mas será que isso funciona na série?

O mundo onde nós não sabemos quem somos

Um dos muitos mutantes que você verá na série Fallout.

Uma das temáticas existentes dentro do mundo de Fallout é a idealização americana no período da “ameaça nuclear”. Toda aquela construção da família americana perfeita, das propagandas esboçando pessoas sempre felizes cuidando das suas casas e vivendo o “sonho americano”.

E na série não é diferente. Mostrando a vivência dentro do Vault onde todos são ensinados sobre as Regras de Ouro e em como eles serão responsáveis por recolonizar o mundo, vemos a desconstrução dessa ideia pela personagem Lucy.

Quando ela descobre as Terras Desoladas e encara a realidade cruel desse mundo, descobrimos através dos olhos dela como o sonho americano nunca existiu e foi um dos responsáveis pelo resultado desse mundo.

Sua relação com o Necrótico (Walton Goggins) é um dos pontos altos da série ao mostrar o contraste entre alguém que foi modificado por esse mundo, e alguém que nunca pensou que algo assim poderia existir.

Isso também existe no personagem Maximus (Aaron Moten) que faz parte da Irmandade de Ferro. Nesse grupo militar/religioso, você se torna o ajudante dos cavaleiros que vestem as armaduras mais potentes desse universo. O sonho de Maximus sempre foi ser um cavalheiro, contudo no decorrer da série vemos esse sonho sendo diluído pela realidade cruel das terras desoladas.

Todos enfrentam ali uma crise de identidade ao enfrentarem esse mundo. Em um mundo onde a sobrevivência é prioridade e não existe mais nenhum conceito de moral, que tipo de ideal você vai seguir?

Contudo, de onde veio essas bombas?

O necrótico, um dos personagens principais da série interpretado por Walton Goggins

Durante toda a primeira temporada, exploramos qual o real intuito da criação dos Vaults e o que está por trás deles. Esses pontos levantam questionamentos interessantes sobre o capitalismo e as questões da propaganda como arma.

Só que nos jogos temos um elemento interessante que é a Vault-Tech, em como essa empresa teve um papel ao moldar o fim que vemos na série. E a série não se aprofunda nessa nuance que é tão essencial para os jogos.

Somos apresentados à alguns detalhes e ganchos para o futuro, mas não há um aprofundamento nos resquícios que existem dessa empresa no mundo de Fallout.

Talvez nos seja oferecido uma crítica ao corporativismo em uma possível nova temporada, mas seria interessante termos mais vislumbres disso na primeira temporada.

A série consegue entregar uma adaptação eficiente e que é fiel não ao material original, mas ao mundo que ele construiu, sendo uma extensão daquilo que conhecemos. O futuro apesar de destruído em Fallout, parece promissor para a série.

 

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