Crítica: O Cavaleiro Verde | Uma jornada através dos questionamentos da honra e lenda do arquétipo heróico

O Cavaleiro Verde foi um filme que teve sua estreia no meio de 2021, mas acabou sendo esquecido pela maioria. Sendo um dos projetos mais diferentes do estúdio A24, aqui exploramos as lendas arturianas e um período medieval fantástico.

Aqui acompanhamos Gauvain, o sobrinho do Rei Arthur que após ser desafiado pelo Cavaleiro Verde, precisa embarcar em uma longa jornada. Nessa jornada iremos descobrir quais as reais motivações do personagem, e também conhecer mais desse universo.

Por mais que aparente, O Cavaleiro Verde não é um blockbuster medieval gigantesco, sendo singelo até mesmo em sua produção. Acompanhamos na maior parte do filme Gauvain e sempre explorando cenários específicos sem nada de fato grandioso ou que se remeta a outros filmes do gênero. Contudo a proposta do filme se encaixa com esse conceito, não sendo necessário momentos extravagantemente gigantescos.

Uma produção recheada de acertos

Andrew Droz Palermo que é responsável pela fotografia do filme, e também trabalhou em A Ghost Storys (2017) traz vida até mesmo aos simples detalhes do filme. Sem medo de explorar diversos aspectos desse mundo fantástico, temos desde as cores mais vibrantes até as mais mortais. Ao lado disso fica é claro o design de produção que traz uma estética próxima a realidade medieval, mas com detalhes que o mantém no fantástico.

Por mais que Dav Patel seja o grande protagonista do filme, cada personagem ali está colocado de forma importante e significativa para a história. Sean Harris que encarna o Rei Arthur também rouba a cena em seus pequenos momentos, onde ele incorpora a figura messiânica do Rei de Camelot. Todos os personagens propositalmente orbitam em volta de Gauvain, e como ferramenta narrativa funciona para contrapor e questionar as ações do personagem.

A direção de  David Lowery possui os mesmos elementos de seus filmes anteriores, mas aqui ele coloca muito mais vida, trazendo movimentos de câmera diferentes do seu habitual, assim como sua condução pelas cenas. Ao chegarmos no final do filme já estamos imersos naquela história e com uma simples e singela condução, ele consegue nos surpreender. A escolha de dividir o filme em capítulos, como de fato estivéssemos acompanhando um livro funciona para a jornada, e também facilita o modo como cada ato se destaca do outro.

Uma Jornada de Ilusões e Perguntas

Sendo um dos filmes mais subestimados da A24, O Cavaleiro Verde utiliza da sua narrativa e do universo conhecido de Arthur para abordar diversos dilemas morais. Como um todo a jornada de Gauvain se remete claramente ao que nos é apresentado pelo Joseph Campbell e seus arquétipos, mas aqui temos a reviravolta de ver essa aventura com um outro olhar.

Os questionamentos do que seria a honra real, e se de fato isso vale a pena faz com que o filme ganhe mais níveis de profundidade. Com uma reviravolta que nos deixa mais uma pergunta do que uma resposta, somos levados a questionar qual seria o mérito ganho ao vencer essa jornada impossível pela qual passamos.

Os detalhes mais ilusórios do filme e que remetem a uma fábula, compõe a narrativa para criar uma base que flui com o filme e não é de fato sólida. Tendo momentos que destoam do realismo para o fantástico, somos induzidos a questionar de fato o que seria a jornada que estamos acompanhando.

 

Trazendo diversos elementos das Crônicas do Rei Arthur, desde Morgana até outras referências, O Cavaleiro Verde nos leva para uma jornada da qual o seu fim nos fará uma pergunta: Você está pronto?

Cheudo Augusto

Cheudo Augusto

Nerd, Otaku, Gamer, Zueiro e tudo que há de bom! O criador do projeto Nerd Zoom, tentando levar os Nerds aonde nenhum fã jamais foi...

Continue conosco!