No meio do ano, fizemos um balanço do que 2019 havia sido até ali em termos de bilheteria. Discutimos os fracassos e sucessos óbvios, bem como as surpresas e lançamos nossas expectativas para o que o resto do ano seria. Agora é a hora de fazer um balanço geral do Big Six de Hollywood – os seis maiores estúdios – deste ano que está prestes a encerrar e, para a surpresa de ninguém, a Disney mais uma vez dominou tudo.

*Antes de iniciarmos, um lembrete: Nas imagens abaixo há filmes de 2018 que só aparecem nas listas porque estiveram em cartaz também no ano de 2019. Por terem estreado em 2018, vão ficar de fora do nosso balanço. Outro lembrete é que apenas a bilheteria americana aparece nas imagens, pois o BoxOffice Mojo não publica mais listas completas para cada estúdio. Os custos de produção que listamos aqui não incluem o marketing investido. Dito isto, vamos lá:

 

1 – Walt Disney/Fox

De todos os lançamentos da Disney deste ano, apenas Dumbo e Malévola 2 não chegaram ao bilhão, de 9 lançamentos ao todo. É uma marca impressionante, eu diria que é a melhor que o estúdio já alcançou. A Casa do Rato começou chutando a porta com Capitã Marvel, no começo de março, arrecadando US$ 1.128 bi. É verdade que boa parte do sucesso é atribuído a antecipação por Vingadores: Ultimato, mas também não diminui os méritos do próprio filme, que é divertido, apesar de não ter a mesma alma que Mulher-Maravilha possui.

Ultimato é incontestavelmente o maior sucesso do ano, porque eu duvido muito (e provavelmente todos vocês também) que esse Star Wars novo, que teve a menor estreia dos seus antecessores (US$ 177 mi) vá conseguir superar os dois bilhões em bilheteria, porque bilhão com certeza este filme fará. No entanto, ao contrário do nono Guerra nas Estrelas, Ultimato deu uma conclusão digna à história que iniciou em 2008. Não é perfeita, é verdade, mas foi um encerramento satisfatório e coeso com a história mostrada ao longo dos anos (na maior parte, né). Enfim, Kevin Feige soube compensar o fã ansioso pela espera, ao contrário da LucasFilm.

A Disney também usou a nostalgia por suas animações clássicas dos anos 90 para fazer com que Rei Leão e Aladdin arrecadassem bilhões (US$ 1.6 bi e US$ 1.05, respectivamente), algo que, no entanto, não beneficiou Dumbo, cuja animação clássica foi lançada em 1941, distante demais do público atual para gerar nostalgia, daí a fraca arrecadação do longa, que só faturou US$ 353 mi mundialmente. Até os fracassos da Disney doem menos.

Falando em fracassos que não doem muito, o segundo Malévola arrecadou “apenas” 489 mi, o que é um tanto decepcionante, se consideramos que o primeiro filme arrecadou US$ 758 mi em 2010. É verdade que este é um valor digno, mas ‘tá bem distante do primeiro, o que diz muito. Dificilmente haverá um terceiro filme. Porém, não podemos dizer o mesmo de Frozen II, que arrecadou US$ 1.107 bi, abaixo do que o primeiro filme fez em 2013 (US$ 1.276 bi), mas um valor excelente, apesar de ser um consenso geral de que este é bom, porém inferior ao antecessor. Eu não duvido nada que Frozen siga o mesmo destino de Toy Story 4, cujo quarto longa manteve a qualidade dos antecessores e faturou ótimos US$ 1.073 bi. Aposto dinheiro que essas duas franquias não param por aqui.

Aposta no Oscar: É praticamente certo que a Disney vai levar o Oscar de melhor animação ano que vem. A questão é se vai ser Frozen II ou Toy Story 4. Aposto no último. No mais, Star Wars deve concorrer como melhor trilha sonora (a Academia ama o John Williams. E nós também, é claro), melhor design de produção e melhores efeitos visuais, ao lado de algum filme da Marvel (que provavelmente será Ultimato).

 

1.1 – 20th Century Fox

O lendário estúdio que agora é a prima pobre e metida a cult da Disney, não teve lá um 2019 muito bom. Depois do sucesso estrondoso de Bohemian Rhapsody no ano passado, nenhum longa chegou no mesmo patamar de aceitação. A maior bilheteria do ano foi com Alita: Anjo de Batalha, que fracassou nos EUA, mas foi salvo pelo mercado internacional e faturou ao todo US$ 404 mi. No entanto esse sucesso não serviu para cobrir o prejuízo causado por Fênix Negra, ultimo filme da franquia dos mutantes antes do reboot da Marvel. O filme teve um orçamento superior a 200 milhões de dólares e faturou só US$ 252 mi. Sinceramente, era uma fracasso que todo mundo esperava e quando o filme foi detonado tanto pela crítica, quanto pelo público, só os fãs cegos mostraram alguma surpresa.

A Fox também lançou o religioso Superação – O Milagre da Fé, que se saiu bem e arrecadou US$ 50 mi. Por ser um filme barato de nicho, 50 milhões está de muito bom tamanho e está na faixa de valores que filmes gospel costumam arrecadar.

Houveram também os fracassos Meu Amigo Enzo, Stuber e O Menino que Queria Ser Rei. Os dois primeiros receberam uma recepção entre mista e negativa da crítica e arrecadaram pouco mais de 30 milhões de dólares (US$ 33.8 mi e 32 mi, respectivamente). Stuber pelo menos custou US$ 16 mi, mas Meu Amigo Enzo custou mais de 40 mi para ser feito, sem os custos de marketing. Já O Menino que Queria Ser Rei também deu prejuízo, custando 50 mi e arrecadando apenas US$ 32 mi, apesar da boa recepção da crítica.

Por fim, teve Ad Astra e Ford v. Ferrari. O primeiro teve uma boa recepção da crítica, mas foi um fracasso comercial (custou entre 80 e 100 mi, faturou US$ 127 mi). O ritmo lento do longa, algo comum nos filmes de James Gray, mais uma vez se mostra incômodo para o espectador comum. Ainda não vi Ad Astra, mas gostei de Z – A Cidade Perdida, que é do mesmo diretor. O elogiado Ford v. Ferrari teve um desempenho melhor nos EUA, onde arrecadou US$ 102 mi até agora e US$ 193 mi no total. O filme supostamente custou US$ 45 mi, o que faz da arrecadação um bom valor, está na faixa do que filmes do Oscar costumam faturar. A época das premiações deve dar um impulso ainda maior no faturamento de Ford v. Ferrari.

Aposta para o Oscar. Ad Astra deve concorrer em uma ou outra categoria técnica (e olhe lá), mas Ford v. Ferrari é um nome pesado para as premiações do ano que vem. Eu ficaria bastante surpresa se não fosse indicado a melhor filme e certamente vai receber várias indicações.

 

2 – Warner Bros/New Line

O ano não começou muito bem para a Warner Bros. Uma Aventura Lego 2 fracassou e faturou apenas US$ 191 mi. Muito diferente da recepção do longa original, em 2014, quando faturou US$ 468 mi (fiz até uma análise do porquê desse fracasso, que você pode conferir aqui). Logo em seguida Shazam! decepcionou com os seus US$ 364 mi arrecadados;  tudo bem que não é filme da Marvel e tudo bem que o grande público não liga muito para o Shazam, mas 364 milhões é sacanagem (ainda acho que o filme teria se saído melhor perto do natal). A Warner anunciou uma continuação, mas será que vai sair? Veremos. Depois veio A Maldição da Chorona, mais um longa do universo de Invocação do Mal. O filme esteve longe do desempenho dos outros da série quando faturou US$ 122 mi no mundo todo. Porém, foi tão barato que deve ter rendido algo para a Warner, qualquer coisa que viesse seria lucro, mesmo com uma bilheteria bem abaixo da média da franquia.

Para coroar o primeiro “bom” semestre de 2019, os blockbusters Detetive Pikachu e Godzilla – Rei dos Monstros tiveram um desempenho morno, no máximo. O filme do Pokemon arrecadou US$ 431 mi, um valor que não empolgou a Warner o suficiente para anunciar uma continuação, mesmo sendo considerado pela crítica o melhor filme já feito baseado em um videogame. Já Godzilla 2 fracassou e arrecadou US$ 385 mi. O filme de 2014 nem foi lá essas coisas e ainda levaram uns 5 anos para lançar uma continuação, fora que vi muita gente dizendo que o filme gastava boa parte do seu tempo nos humanos chatos, ao invés de focar nos monstros.

Annabelle 3 se saiu bem com seus US$ 228 mi, mas a surra continuou com os fracassos de Rainhas do Crime (US$ 15.9 mi), O Pintassilgo (US$ 9.9 mi), A Música da Minha Vida (US$ 17.6 mi), The Good Liar (US$ 28 mi), O Sol Também é uma Estrela (US$ 6.6 mi), Richard Jewell (US$ 9.5 mi até agora) e o excelente Doutor Sono (US$ 71 mi). Até mesmo It: Capítulo 2 não conseguiu repetir o sucesso do primeiro filme e arrecadou US$ 472 mi, longe do US$ 700 milhões que o primeiro capítulo conseguiu. Não é ruim, mas poderia ter sido melhor. Só restou a WB enxugar as lágrimas com o bilhão arrecadado por Coringa (US$ 1.062 bi).

Aposta para o Oscar: Desde o sucesso de Sniper Americano (2014), que Clint Eastwood vem tentando chamar a atenção da Academia. Depois de Sully (de 2016, que recebeu algumas indicações), Eastwood tenta ganhar estatuetas mais uma vez com Richard Jewell. O filme tem boas críticas, mas a recepção do público não ajuda. No entanto os filmes de Eastwood são focados em um público mais velho, que não faz questão de ver o longa nas primeiras semanas, então a arrecadação ainda pode crescer, mas o cenário não parece animador. Já Coringa vai ser um peso-pesado esse ano. Além de ter sido muito elogiado pela crítica, a Academia não ignora o sucesso financeiro. Foi isso, aliás, que beneficiou Bohemian Rhapsody no ano passado, porque se dependesse da crítica especializada ele não estaria naquela cerimônia.

 

3 – Universal/Blumhouse

A Universal se deu melhor entre os estúdios que não são a Disney, apesar de algumas bilheterias fracas e outras decepções. A Morte Te Dá Parabéns 2, por exemplo, custou apenas US$ 9 mi para ser feito e arrecadou US$ 64 mi, um valor OK; a Universal até chegou a falar em um terceiro filme, mas ainda não é certo. Já Natal Sangrento não deve ter a mesma repercussão, mas pelo menos custou apenas US$ 5 mi. Não vai arrecadar muito (só faturou US$ 13 mi até agora), porém, não vai ter prejuízo, né. Ma, terror/suspense com a Octavia Spencer, seguiu um caminho parecido com o de A Morte Te Dá Parabéns 2 e faturou dignos US$ 60 mi, custando apenas US$ 5 mi. Mas a joia da Blumhouse, também conhecido como Jordan Peele, entregou o sucesso Nós, que arrecadou US$ 225 mi, com um orçamento de US$ 20 mi.

Teve a surpresa Uma Segunda Chance para Amar, que com um custo mediano de US$ 30 mi, arrecadou US$ 111 mi até agora, numa época em que comédias românticas fracassam com força nas bilheterias. O longa continua em cartaz, aliás.

O estúdio também contou com vários sucessos moderados como foram os casos de Yesterday (US$ 151 mi, custou US$ 26) e Bons Meninos (US$ 110 mi, custou US$ 20); e decepções moderadas como aconteceu com Juntos Para Sempre (US$ 71 mi, custou US$ 22 mi) e Abominável (US$ 177 mi, custou US$ 75 mi).

Além de se dar bem no terror/suspense com os filmes da Blumhouse, a Universal se deu bem também com o terceiro longa da franquia Como Treinar o Seu Dragão, que arrecadou US$ 520 mi (disseram que seria o último, mas não acredito); Vidro, do diretor Shyamalan (sei lá como escreve), faturou US$ 246 mi e teria ganhado ainda mais se a recepção do público não tivesse sido tão divisiva. Outro sucesso foi o spin-off de Velozes e Furiosos protagonizado pelo The Rock e pelo Jason Statham – Hobbs & Shaw, que foi a maior bilheteria da Universal esse ano, com US$ 758 mi arrecadados, sendo que quase 80% desse valor veio do mercado internacional, como sempre acontece com qualquer longa dessa franquia.

Mas houveram decepções, como aconteceu com Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2, que faturou apenas US$ 429 mi (o primeiro arrecadou US$ 875 mi em 2016) e o elogiado Queen & Slim, que custou US$ 20 mi e só arrecadou US$ 36 mi. Bom, não teve bilhão, mas pelo menos não houveram tantos fracassos como em outros estúdios.

Eu já ia me esquecendo do desastre chamado Cats. O projeto é baseado numa peça de sucesso da Broadway, que é mais um espetáculo de dança do que uma peça de fato (talvez esse seja o principal motivo por trás da alegada falta de roteiro do filme). Com efeitos especiais bizarros, a equipe ainda conseguiu a proeza de parar na lista de pré-indicados ao Oscar nessa categoria. Sinceramente, vendo as imagens do filme, fiquei chocada que alguém viu imagens como essa e achou que seria OK mandar isso para o cinema. O diretor da bomba foi o mesmo responsável por Os Miseráveis, uma adaptação de outra peça da Broadway que ao contrário de Cats, fez muito sucesso financeiro e ainda coletou alguns Oscars. Custou US$ 100 mi, até agora só lucrou US$ 12 mi. Risos.

Aposta para o Oscar: Queen & Slim teria maiores chances se a bilheteria fosse maior, está na mesma situação do longa Richard Jewell, mas como se trata de um filme com um elenco negro dirigido por mulher, talvez compense a bilheteria e a Academia vote no filme (visto que a nova moda é a representatividade e tal).

Cats também foi feito com o mesmo propósito de repetir o sucessos de Os Miseráveis, até o diretor é o mesmo. Depois que a bomba foi lançada, até a Taylor Swift tá fingindo que não existe rsrsrs

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4 – Sony

Para a surpresa de ninguém, Homem-Aranha: Longe de Casa foi a maior bilheteria do estúdio em 2019, com US$ 1.131 bi arrecadados, um ano no qual os fãs quase viram o herói dar adeus ao MCU se não fosse por intervenção do próprio Tom Holland, que conseguiu fazer com que Bob Iger e a Sony repensassem melhor a situação.

Dentro do cinema voltado para o público adulto, Sony se saiu bem com Era Uma Vez em Hollywood, de Quentin Tarantino, que arrecadou US$ 372 mi. A segunda maior bilheteria do diretor, atrás apenas de Django Livre, que faturou US$ 425 mi em 2012. Jumanji – Próxima Fase vem tendo um bom desempenho, assim como seu antecessor, que estreou com discretos US$ 20 mi nos EUA em 2017 e quase arrecada 1 bi de dólares no mundo durante toda a temporada em cartaz (US$ 962 mi). Atualmente, Jumanji 3 está com US$ 321 mi de dólares arrecadados, o que não é ruim, visto que o filme de 2017 teve um desempenho parecido nessa época.

Houveram outros sucessos inesperados como Escape Room, que custou US$ 9 mi e faturou US$ 155 mi (o estúdio já garantiu uma continuação); teve também o filme gospel Mais que Vencedores, com orçamento de US$ 5 mi e US$ 37 mi faturados até agora. O filme ainda está em cartaz.

Na sessão “desempenhos no máximo OK”, a Sony teve Zumbilândia: Atire Duas Vezes, continuação do filme de mesmo nome que estreou há dez anos. Zumbilândia custou US$ 20 mi e faturou US$ 102 mi. Não foi um megassucesso, mas ganhou popularidade ao longo dos anos, o que resultou numa continuação tardia. Zumbilândia 2 custou US$ 40 mi e faturou US$ 120 mi. Nada mal para uma continuação que só veio uma década depois e estreou quase tão discretamente quanto Zumbilândia. Resta saber se vai adquirir popularidade ao longo dos próximo anos também.

Na lista de “desempenhos no máximo OK” ainda temos À Caminho de Casa (custou US$ 18 mi e faturou US$ 74 mi), Angry Birds 2 (custou US$ 65 mi, faturou US$ 149 mi), The Intruder (custou US$ 8 mi, faturou US$ 36 mi), Brightburn – Filho das Trevas (custou US$ 12 mi, faturou US$ 32 mi), Black and Blue (custou US$ 12 mi, faturou US$ 22 mi) e o oscarbait Um Lindo Dia na Vizinhança (que custou US$ 25 e faturou US$ 52 mi até agora), protagonizado por Tom Hanks, o filme ainda pode receber um impulso por causa da temporada de premiações.

Mas também houveram fracassos, como Miss Bala (custou US$ 15 mi e só arrecadou US$ 15 mi), MIB: Homens de Preto Internacional, que custou US$ 110 mi e faturou apenas US$ 253 mi, um valor muito ruim se você quiser dar início a uma franquia de sucesso. A mesma tropeçada se repetiu em novembro com As Panteras. O reboot da franquia de filmes iniciada em 2001, e baseada num hit da TV dos anos 70, custou US$ 55 mi e só conseguiu faturar US$ 57 mi. Uma chute no estômago.

Aposta para o Oscar: Das produções da Sony, Um Lindo Dia na Vizinhança tem tudo para capturar a atenção da Academia: elogio da crítica, bilheteria até ok, protagonista amado pelos americanos (tanto o ator quanto o personagem), já que Tom Hanks interpreta Fred Rogers, um apresentador infantil que ficou célebre por sua generosidade. Todos os ingredientes do oscarbait de sucesso estão aí. Tem também Tarantino com o seu Era Uma Vez em Hollywood, que deve ganhar algumas indicações também.

 

5 – Lionsgate

Vimos acima que o 2019 da WB foi complicado, mas não foi tão ruim quanto o da Lionsgate (e o da Paramount, que conseguiu ser pior ainda). A maioria dos filmes fracassou: Anna – O Perigo Tem Nome custou US$ 30 mi e só arrecadou os mesmos US$ 30 mi; a comédia romântica Casal Improvável, com Seth Rogen e Charlize Theron, custou US$ 40 mi e arrecadou US$ 53 mi; a comédia de Adam Devine – Jexi – só faturou US$ 7.5 mi (esse sujeito só faz filme ruim); e Rambo parece ter chegado ao fim da linha, já que o quinto longa – Rambo: Até o Fim – faturou US$ 87 mi, com um orçamento de US$ 50 mi.

A lista de prejuízos continua com faroeste de Chris Pratt – The Kid, que  custou US$  7 mi e ganhou apenas US$ 1.6 mi; lembremos também da bomba Hellboy, com orçamento de US$ 50 mi e bilheteria de US$ 44.6 mi; Já Midway – Batalha em Alto Mar, do mesmo diretor de Independence Day e com US$ 100 mi de orçamento, deveria ser o maior hit do ano para o estúdio, porém só arrecadou US$ 114 mi até agora. O oscarizável do estúdio – O Escândalo – é baseado em fatos reais e conta com Margot Robbie, Charlize Theron e Nicole Kidman nos papeis principais. Mesmo com um elenco estelar, que certamente foi a maior parte do orçamento de US$ 32 mi, o filme só faturou US$ 6.6 mi até agora.

A Lionsgate também lançou o longa de super-heróis Poderes Extraordinários, com Gugu Mbatha-Raw no papel principal. O filme estreou em poucas salas mas ainda conseguiu faturar US$ 76 mi, o que foi OK para o estúdio.

Mas nem tudo foi prejuízo, houveram alguns filmes com bom desempenho como foi o caso do romance adolescente À Cinco Passos de Você (custou US$ 7 mi e arrecadou US$ 91 mi); Histórias Assustadoras para Contar no Escuro, produzido por Guillermo Del Toro, custou US$ 28 mi e faturou US$ 102 mi; O 11ª longa da franquia de comédia da Família Madea – Um Funeral em Família, custou US$ 20 mi e arrecadou US$ 74 mi. Esse supostamente é o último longa da franquia, mas como a Lionsgate sabe que é dinheiro certo, talvez ofereçam mais alguns milhões para o Tyler Perry continuar com o trabalho.

Gerard Butler mostrou mais uma vez que está consolidado como ator de filmes B de ação com Invasão ao Serviço Secreto. Outra franquia que a Lionsgate sabe que é dinheiro certo. O terceiro filme custou US$ 40 e faturou US$ 141 mi. Sucesso maior ainda foi John Wick 3: Parabellum, que custou US$ 75 mi e ganhou US$ 326 mi enquanto esteve em cartaz. Maior sucesso do estúdio deste ano e já tem até planos de uma franquia derivada, intitulada “Bailarina“.

Rian Johnson foi chutado sem dó nem piedade pelos fãs de Star Wars, mas a repercussão supostamente negativa de O Último Jedi não o afetou em nada e ele trouxe mais um sucesso para seu currículo, já que Entre Facas e Segredos arrecadou US$ 187 mi até agora, a partir de um orçamento de US$ 40 mi.

Aposta para o Oscar: O Escândalo teve uma recepção semelhante a de Bohemian Rhapsody entre os críticos. Para sobreviver a isso, o filme precisaria de uma boa bilheteria, mas como vimos ali acima, aconteceu o contrário e é bem provável que o filme vá parar na nossa lista de oscarbaits fracassados do próximo ano por causa disso. Cá entre nós, o filme nem deve ser grande coisa mesmo (embora eu queira assisti-lo).

 

6 – Paramount

Sem a franquia Missão: Impossível para salvar o dia, 2019 foi um ano terrível para a Paramount. A maior bilheteria do ano – O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio – também foi um fracasso, custou US$ 200 mi para produzir e arrecadou US$ 261. Segundo o consenso geral, o filme é melhor que o  anterior (aquele com a Emilia Clarkson), mas o ‘flop’ mostra que a franquia sem dúvida está desgastada. É melhor esquecer. Outro ‘flop’ foi Projeto Gemini, do diretor Ang Lee e protagonizado por Will Smith. O filme custou cerca de US$ 140 mi e rendeu só US$ 173 mi. Smith foi a maior estrela de Aladdin, sua presença certamente serviu para atrair público e conferir algum prestígio à adaptação, mas assim como a maioria dos astros de Hollywood, sua presença sozinha não é mais o suficiente para atrair o público e este era o único atrativo que o longa tinha, além do CGI usado para rejuvenescer o astro.

A animação O Parque dos Sonhos foi engolida por Como Treinar o Seu Dragão 3 no começo do ano, e a produção de US$ 100 mi, rendeu apenas US$ 119 mi. Ainda houveram os de arrecadação “mais ou menos”, como foi o caso da comédia romântica Do que os Homens Gostam, protagonizada por Taraji P. Henson. O longa é uma versão feminina do filme de 2000 Do que as Mulheres Gostam, com Mel Gibson. A produção custou US$ 20 milhões e arrecadou US$ 72 mi. A comédia de John Cena – Brincando com Fogo – deve ter um destino parecido, com custo de US$ 30 mi e lucro de US$ 53 mi até o presente momento, pois ainda segue em cartaz.

O estúdio não teve nenhum sucesso de fato, com ‘S’ maiúsculo; no máximo filmes com um bom desempenho, que devem dar algum retorno aos envolvidos. Nessa lista se incluem: Rocketman, biografia aclamada de Elton John, que custou US$ 40 mi para ser feito e arrecadou US$ 195,2 milhões; Dora e a Cidade Perdida, com passagem discreta nos cinemas, custou 49 milhões e fez US$ 119 mi (não passou vexame, pelo menos); Cemitério Maldito, filme apedrejado pelos críticos, que custou US$ 21 milhões e fez US$ 112 mi. O longa é uma nova adaptação do livro homônimo de Stephen King (a primeira foi em 1989) e também teve Predadores Assassinos, com Kaya Scodelario no papel principal. O projeto custou apenas US$ 13.5 mi e lucrou US$ 91 mi. Tarantino colocou o filme no seu top 5 de 2019, juntamente com Doutor Sono, da WB.

Aposta para o Oscar: Rocketman é o único filme que tem chances de obter alguma indicação. O filme foi elogiadíssimo pela crítica e teve uma bilheteria razoável. O único problema é que Rocketman estreou em maio, então todo o entusiasmo em volta dele já evaporou. O marketing da Paramount vai ter que trabalhar extremamente duro para conseguir indicações e aposto que deve conseguir, mas só em categorias técnicas como melhor figurino e melhor maquiagem e cabelo.