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Crítica: Aves de Rapina e sua Estreia Fantabulosa

Nesta quinta (06) estreou nos cinemas “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa”. Um filme que conta com muita ação, comédia e, principalmente, nenhum pudor.

Para quem ainda não foi contemplar este filme, vamos começar relembrando o significado do termo “Mulher Forte”, que descreve personagens femininos que desafiam os padrões do tal “lugar da mulher” na sociedade. Ironicamente, as “mulheres fortes” nos filmes, por causa disso, costumam ser representadas como visões idealizadas ou mesmo masculinizadas, como se essa força estivesse concentrada em uma índole pura, bíceps definidos ou num decote profundo combinado com uma super arma.

Margot Robbie, estrela principal e produtora do longa, propositalmente elabora uma versão fetichista e glamourizada que foi apresentado em Esquadrão Suicida.

 

Foto Divulgação

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O filme traz como contexto toda a problemática de um relacionamento abusivo, que embora lhe traga segurança, proteção e poder, gera como consequência uma submissão excessiva de Harley Quinn. Ver a personagem sendo maltratada enquanto jura amor eterno ao seu agressor logo se torna insustentável.

Estando nesta situação, Arlequina busca incansavelmente sua “emancipação”, essa tal liberdade de que necessita para sentir o amor que ela precisa ter por si mesma. Um amor que ela não sente desde pequena. A relação com as Aves de Rapina é portanto uma consequência dessa busca, embora não sua verdadeira salvação, o que é uma das questões mais interessantes do longa.

Nessa dinâmica, quem perde de fato é a Cassandra Cain, personagem interpretada por Ella Jay Basco, que acaba usada como um conveniente gatilho para a movimentação igualmente conveniente de toda a trama.

A leveza na interpretação da atriz são um ótimo e estratégico equilíbrio com as relações e interações com Arlequina. A violência e a dureza de assuntos pesados como abuso e sadismo se tornam mais “agradáveis”, vistas quase com toques de animação.

 

Foto Divulgação

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Outro ponto que gostaria de trazer a tona é como o filme se faz de âncora de sua trilha sonora tão bem produzida e encaixada no contexto e narrativa do filme. Afinal, a questão que fica é, se esta estrutura livre e baseada em caráter, consegue carregar uma história tão bem consolidada e coerente?

Concluindo, se por um lado o filme não deixa de ser de certa forma atrapalhado no quesito enredo, por outro trata de questões muito relevantes como a emancipação e o poder feminino bem retratado, o que o coloca fora de alcance de todas as críticas ruins que recaíram sobre “Esquadrão Suicida”.

*Texto revisado/corrigido por Larissa R. Diniz (@Laridiniz0)

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