Robert Pattinson merece o benefício da dúvida

Por que você ainda tá pensando em Crepúsculo?

Todo mundo já viu essa novela mais de 100 vezes. O chororô dos fãs quando um ator é escalado para um personagem conhecido já virou algo de praxe. Estranho mesmo é quando ninguém liga, o que só acontece em duas hipóteses: 1) Quando o personagem é pouco conhecido, 2) Quando o intérprete é idêntico ao personagem e ninguém sabe muito sobre a carreira dele, então não tem como dizer que o sujeito é ruim.

Obviamente o Batman não se encaixa em nenhum dos casos acima. O personagem completa 80 anos de existência em 2019 como o super-herói que mais vende HQs no mercado americano, além disso, sua popularidade evitou que fosse mandado para a geladeira cinematográfica junto com o Superman depois dos fracassos colecionados pela DC Comics no cinema nos últimos anos. Com tanta popularidade era impossível que a notícia de um novo ator para carregar o manto fosse recebida sem o típico debate acalorado de sempre. Quando se trata do Batman, seja lá qual for o ator, sempre haverá um grupo insatisfeito para contestar, ainda mais em tempos de internet. Faz parte.

Como todo mundo já sabe, Robert Pattinson, amplamente conhecido como o mocinho reluzente da franquia adolescente Crepúsculo, é o favorito da Warner Bros para assumir o papel, o que, naturalmente, despertou a ira habitual de membros da comunidade nerd.

Pattinson já era bem conhecido pelos “pottermaníacos” quando ficou famoso de vez ao viver o vampiro Edward Cullen em Crepúsculo (2008). Além desse, a franquia teve mais 4 continuações, todas odiadas pela crítica especializada mas de imenso sucesso comercial, o que bastou para consolidar a imagem de Pattinson como ídolo teen. Com o término da saga, tanto ele quanto sua colega Kristen Stewart foram atrás de novos ares, longe do cinema mainstream e, hoje, quase sete anos depois do encerramento da franquia Crepúsculo, podemos concluir que ambos se saíram bem. Pelo menos entre a crítica especializada, nem Pattinson, nem Stewart são mais vistos com desdém. Ela ganhou o prêmio César, o Oscar do cinema francês, por sua contribuição com o diretor Oliver Assayas e Juliete Binoche em Acima das Nuvens, arrancou elogios em Personal Shopper, trabalhou com Walter Salles em Na Estrada, foi dirigida por Woody Allen em Café Society e foi a filha de Julianne Moore em Para Sempre Alice, longa que rendeu o Oscar para Moore. Este ano ela volta ao cinema mainstream com o reboot de As Panteras.

Já Pattinson, por sua vez, trabalhou com James Gray, David Cronenberg, Irmãos Safdie e Claire Denis, todos projetos elogiados. Este ano vai a Cannes mais uma vez para promover o próximo terror de Robert Eggerman (A Bruxa), o terror The Lighthouse e vai começar a filmar o próximo projeto de Christopher Nolan em breve. Vamos admitir, nada mal para alguém cujo único mérito até uns anos atrás era ser ídolo adolescente de uma franquia cinematográfica de qualidade questionável.

Apesar de seu currículo, é importante levarmos em conta que todos esses projetos são longas independentes, que não possuem alcance entre o grande público, então é natural que muitos dos indignados o associem ao vampiro Edward Cullen já que este é o seu projeto mais popular e, de quebra, é justamente nesses filmes onde Pattinson entrega suas piores performances, nas quais surge inexpressivo em boa parte das cenas. Diante de algo assim, não é difícil pensar no Pattinson como um ator limitado, no entanto, Crepúsculo acabou há quase uma década. Não faz sentido limitar a carreira dele a um único projeto encerrado há sete anos. Tudo bem que é um projeto de 5 filmes, mas ainda assim, são filmes que possuem praticamente as mesmas pessoas por trás, o que faz com que as características de um sejam mantidas nos demais. Diga o que quiser, mas depois de The Rover – A Caçada, Z – A Cidade Perdida, Bom Comportamento, Mapas Para As Estrelas e High-Life, não tem como dizer que Robert Pattinson seja inexpressivo.

Outro fato que há de ser levado em conta para os fãs indignados é que, convenhamos, Batman não é exatamente um personagem difícil de se interpretar, principalmente quando se leva em conta que o rosto do ator passa boa parte do tempo escondido por trás de uma máscara. O cara não precisa ser um Daniel Day-Lewis da vida para ser um bom Batman e o Ben Affleck é um exemplo claro disso. Você pode ter odiado o que o Zack Snyder fez ao personagem em Batman vs. Superman (esquece Liga da Justiça), mas é fato que o Affleck entregou o que foi exigido do papel. Abordagem é uma coisa, interpretação é outra e o Batman daquele filme foi bem interpretado. Não vamos esquecer que foi um dos pontos mais elogiados quando o filme foi lançado. Isso sem falar de outros atores de filmes do tipo que são claramente limitados, mas que no geral desempenharam bem seus papeis, como Chris Evans, Ryan Reynolds, Jason Momoa e Gal Gadot, só para citar alguns exemplos.

Mas no fundo, o que torna Pattinson pouco adequado aos olhos de alguns não é bem sua capacidade como ator, mas o seu perfil de Edward Cullen, ainda fresco na cabeça dessas pessoas. De um lado, existe o Batman, uma figura sombria e ríspida de porte atlético, e no extremo oposto está Edward, um romântico incorrigível, esguio e dono de uma enorme sensibilidade, ou seja, longe da virilidade que o Batman deveria emanar. Dito isto, voltamos ao ponto inicial: Pattinson já se provou como ator, ele merece o benefício da dúvida.

Ahh e só para lembrar: Antes do Capitão América, essa era a imagem mais famosa de Chris Evans:

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