O Diabo de Cada Dia é o novo longa lançado pela Netflix nesta semana, chegou na plataforma no dia 16/09 e já vem fazendo grande sucesso, principalmente por seu elenco repleto de nomes conhecidos do grande público.

O Diabo de Cada Dia
Novo filme da Netflix foi lançado recentemente e já vem fazendo sucesso.

 

Tenho certeza de que você já ouviu falar do filme, ou pelo menos sobre seu elenco, já que ele vem ganhando notoriedade nos últimos dias e agradando o público.

Dirigido por Antonio Campos e estrelado por Tom Holland, Sebastian Stan, Bill Skarsgård, Riley Keough, Jason Clarke, Robert Pattinson, Eliza Scanlen, Haley Bennett, Mia Goth e Mia Wasikowska. Difícil não reconhecer alguns destes nomes, não?!

Mas vamos falar sobre o filme, e porquê citei sobre ele ser necessário nos dias atuais, mesmo sendo uma obra de ficção do gênero drama com uma boa dose de thriller.

Primeiramente porque ele aborda um tema muito importante: o fanatismo.

Religiosidade e Fanatismo

Acho que um dos grandes problemas que enfrentamos nos dias atuais é o excesso. Excesso em religiosidade, ou falta dela. Excesso em ter uma crença e algo á se apegar e principalmente o fanatismo que torna as pessoas excessivas em expressar sua religiosidade ou crença.

O filme aborda isso de forma muito satisfatória. Como o fanatismo transforma pessoas boas em ruins, e pessoas já ruins em pessoas ainda piores. E tudo isso em nome de algo maior, atos bárbaras cometidos em nome de Deus. E acredito eu que ele jamais gostaria que humanos matassem, roubassem ou praticassem qualquer outra barbárie para supostamente agradá-lo.

Infelizmente hoje, não apenas no meio religioso mas no mundo como um todo, vemos muito fanatismo e exagero, seja na área política e até mesmo na área da educação. E o roteiro do filme de Campos aborda isso com maestria, revelando a mente sombria de cada personagem daquela cidade suja.

A cidade é realmente um local sujo. Não digo nem no aspecto de limpeza, mas sim nas ideologias e modo de viver daqueles cidadãos. Toda a sujeira que ali habita, seja de um xerife corrupto ou de um pregador mau caráter, vem da própria sociedade que mantém a cidade.

E isso é algo que vemos em nossa realidade, fora das telas também. Muita corrupção, sujeira e maldade que pode vir de diversas maneiras. E se prepare porque aqui as personagens são sacanas mesmo, e quase não há “santos” nesta história.

O Diabo de Cada Dia - Atores
Longa reúne atores consagrados.

 

As Personagens

Na trama somos apresentados de início á Willard, personagem de Skarsgård, soldado de guerra que retorna cheio de traumas e conhece Charlotte, personagem de Bennett. Eles se casam e tem um filho, Arvin, que mais tarde será interpretado por Tom Holland. Todos os três atores aqui citados possuem ótimos desempenhos em cena.

Mas o desempenho que mais merece destaque é realmente de Tom Holland que carrega boa parte da trama sozinho e faz isso muito bem. Arvin é o centro dos acontecimentos de Knockemstiff, a cidade remota na região de Ohio em que as personagens habitam na história.

Neste cidade remota Arvin enfrenta adolescentes babacas que zombam de sua irmã adotiva Lenore, personagem de Eliza Scanlen, muito bem interpretada pela atriz que infelizmente é desperdiçada antes do tempo.

Ele enfrenta posteriormente o pastor hipócrita da cidade, personagem de Pattinson, que está em ótima atuação. O pregador é tudo aquilo que repudio na sociedade. Um homem mentiroso, manipulador e hipócrita que usa o nome de Deus para proferir mentiras e espalhar maldade.

A cena em que o protagonista e o pastor se encontram é uma das melhores do longa, com diálogos poderosos e uma condução especular da direção, que culmina em um desfecho sombrio e elegante dentro da narrativa. De forma satisfatória vemos Arvin continuando sua jornada de forma convincente.

Nessa jornada ele se depara com o casal Carl e Sandy, que vive viajando pelas estradas desertas oferendo carona á jovens homens. Dois personagens interessantes, que possuem bom tempo em tela, e que acabam fazendo com que o caminho de Arvin e do Xerife Lee se cruze.

Lee, personagem do ótimo Sebastian Stan (que mais uma vez está impecável em cena), é um homem de personalidade duvidosa. Ele parece boa pessoa mas esconde um caráter dúbio, um homem que se vende por qualquer coisa. O encontro de Arvin com Lee é espetacular e conduz o longa para seu final, em uma ótima cena que também possui bons diálogos e enquadramentos.

A jornada de Arvin em O Diabo de Cada Dia
Tom Holland em cena do filme.

A Narrativa

E ainda podemos falar do narrador, que incomodou á muitos mas á mim particularmente agradou em certos momentos. Ele narra a história de forma convincente, sem parecer que ele está explicando algo que o público não tenha capacidade de entender.

Até porque é fácil entender o filme, e ainda que mastigue partes que não são necessárias, a narração não prejudica a forma com que a história é contada, embora as vezes seja realmente desnecessária.

Pelo contrário torna a narrativa mais interessante e gostosa de acompanhar, deixando a história sem grandes lacunas a serem preenchidas. E mesmo assim a trama acaba deixando algumas coisas em sua mente. A falta de exposição em algumas cenas também é notável.

Assim como quando você lê um livro e precisa imaginar em sua mente certos acontecimentos, o longa de Campos brinca com isso em diversos momentos, deixando com que você imagine a conclusão de algumas situações que não são totalmente expostas em tela.

Eu adoro quando o roteiro deixa que você pense sobre certos acontecimentos, e quando ele brinca com a realidade fazendo com que, ao assistirmos possamos reconhecer a realidade ali exposta. É fácil ver essa história acontecendo na realidade, onde tanta corrupção e maldade predominam.

E na trama do filme é justamente isso que também predomina. Pessoas ruins cometendo atos ruins e se safando deles. Até que alguém nessa história decide que precisa fazer alguma coisa e parte para cima.

A narrativa e condução da trama são simples e chamativas. Mesclando drama e thriller de forma condizente. As personagens são interessantes como já disse e o protagonista é empático, te fazendo torcer por sua jornada, que culmina na conclusão da história.

A Conclusão

O longa é concluído de forma satisfatória, sem deixar você frustrado por ter criado expectativas que não são correspondidas, e também sem deixar pontas tão soltas a ponto de levantar questionamento.

O questionamento fica por conta do que vemos apresentado ali, que remete tanto ao mundo real atual. Mesmo que a história se passe á muitos anos atrás, o tanto de coisas ruins que as pessoas são capazes de cometer, não são mera coincidência com o que vivemos nos dias de hoje.

Hoje quando eu assisto algo relacionado á capacidade humana em cometer atrocidades, isso me faz pensar, e esse pensamento é bom e válido por levantar questões em minha mente relacionadas aos valores morais e distorção deles na sociedade.

E quando um filme questiona tais valores é sempre interessante. Afinal até que ponto existe um inocente ou um vilão? Isso é trabalhado com maestria neste roteiro, de narração potente que conduz a história muito bem do início ao fim, mesmo sendo longo e lento.

Eu gostei muito do filme. Acredito que sentar e apreciar uma obra de qualidade e bem produzida é sempre uma ótima experiência, ainda mais quando somos apresentados á atuações tão competentes dentro da obra.

Ele possui alguns problemas sim, não é um filme perfeito e é um tanto mais longo do que deveria, mas os acertos são muito maiores e não há espaço para o tédio. Pelo menos eu não fiquei entediado em nenhum momento, pois fiquei preso á trama até o fim, atento a cada detalhe da obra.

Eu adoro o cuidado de uma produção que se preocupa com detalhes dentro da obra, e o que merece destaque aqui são justamente esses detalhes. Trilha sonora bacana, fotografia muito boa que orna bem com a ambientação escolhida e simplicidade no que é apresentado, sem tentativas desesperadas de surpreender o público com plot twists bruscos.

A simplicidade é o que deixa o filme tão agradável de assistir. Sem ideias mirabolantes, vilões caricatos e um grande herói que salva a pátria. Mas com desenrolar lento, cotidiano e vilões reais, além de um protagonista humanizado.

Se eu recomendo? Claro que sim. E por sinal o filme se encontra disponível na Netflix, podendo você assisti-lo dublado ou legendado, é só assinar o streaming, pegar a pipoca e se divertir.

O Diabo de Cada Dia
O Diabo de Cada Dia está disponível na Netflix desde 16/09.