James Gunn provavelmente foi um dos casos mais confusos e ao mesmo tempo sólido de como a concorrência sempre busca estar a altura. Após sua demissão da Disney devido a tweets polêmicos, o diretor foi imediatamente contratado pela DC, e após isso a própria Disney repensou sua decisão e o chamou novamente para a Marvel Studios.

Na DC James Gunn recebeu liberdade total para desenvolver qualquer projeto, ele então decidiu ficar com o Esquadrão Suicida, fazendo um soft reboot, não sendo uma sequência direta do primeiro filme. Sendo um filme +18, James Gunn traz alguns personagens conhecidos da franquia como Arlequina (Margot Robbie), Rick Flag (Joel Kinnaman) e também novos nomes como o Pacificador (John Cena) e Sanguinário (Idris Elba). O enredo traz Amanda Waller (Viola Davis) formando um novo Esquadrão Suicida para ir em uma missão secreta no país de Corto Maltese onde terão que ir em busca de uma arma secreta que pode aniquilar toda a vida na terra.

Nesse filme podemos ver o diretor James Gunn livre para desenvolver qualquer enredo necessário para chegar ao seu objetivo. Nos primeiros minutos do filme já somos colocados em uma situação de morte e violência que nos ambienta sobre como será o resto dessa história. Não tendo grandes conexões com o Universo DC, somente breves citações esse filme sobrevive por conta própria tendo seu próprio modo de lidar com as situações impostas sobre os personagens.

As cenas de ação são violentas e apresentam uma criatividade quase sádica por parte do diretor que busca sempre novos meios de matar algum personagem. O que talvez torne o filme diferente de seu antecessor e do concorrente Guardiões da Galáxia é em como o humor se desenvolve, onde somos recebidos com um momento engraçado e logo após nos questionamos se aquilo deveria ser engraçado ou não. Misturado com momentos dramáticos o filme por muitas vezes passa a impressão de não saber o que é, contudo desde o início nós temos a resposta sobre isso, de que esse é um filme caótico em sua própria natureza.

O desenvolvimento de cada personagem no filme impressiona não somente pelo destaque que é possível dar para cada um deles, como o modo em que nos apegamos (para logo depois o James Gunn resolver matar alguém). Essa história é sobre personagens que foram rejeitados, mas além disso de traumas que criaram ao longo de suas vidas. Essa talvez seja a maior semelhança com a franquia dos Guardiões da Galáxia, mas após isso o filme se torna algo totalmente diferente e com uma estética única.

Entregando uma fotografia que merece destaque, o filme consegue criar sua própria identidade sendo melhor sucedido do que seu antecessor. Os efeitos especiais merecem destaque para os momentos de violência extrema, mas pode acabar sendo um tanto questionável quando somos apresentados a um personagem em CGI, diferente do Tubarão Rei que tem a voz de Sylvester Stallone, que é um dos personagens mais carismáticos do filme.

James Gunn em Esquadrão Suicida consegue entregar o que faz de melhor, um filme sobre rejeitados. Ao lado dessa história está uma gama de atores que entregam atuações únicas e caricatas para esses personagens, e vale destacar Idris Elba que rouba a cena em diversos momentos.