São temos sombrios estes que vivemos, e desta vez não é apenas no cinema, mas em um cenário real que assola o mundo inteiro. Estamos enfrentando uma pandemia, com direito á quarentena, e tudo que lembramos são dos filmes pós-apocalípticos, e daqueles de vírus, epidemias, zumbis e até vampiros, os cenários são os mais variados, mas a trama é uma só, a desolação do mundo.
E em pleno 2020, o Covid-19, uma nova mutação do já conhecido Coronavírus, veio da China, se espalhando pelo mundo todo, atingindo o Brasil a pouco, e deixando a economia em colapso e a população apavorada. Mas muito antes disso á quase 10 anos atrás, exatamente no ano de 2011, um filme chamado Contágio era lançado, sem muita relevância na época de seu lançamento, mesmo contando com um elenco estelar. Mas agora, em 2020, este filme voltou a ser muito procurado, assistido e comentado. Por quê será? Vem comigo que eu te explico.

Com um elenco de peso que inclui Kate Winslet, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Matt Damon e Marion Cotillard o filme narra como uma “gripe” muito forte acaba se espalhando rapidamente pelo mundo, um vírus letal que mata rapidamente seu hospedeiro, e cujo a cura não é facilmente encontrada. Isso te lembra algo similar? Se não, deveria. Embora o Covid-19 que enfrentamos hoje não seja tão letal e nem mate tão rapidamente como o vírus do longa, as semelhanças entre o filme e o cenário real atual são assustadoras.
A trama começa com a personagem de Paltrow, Beth Emhoff, voltando de uma viagem de negócios de Hong Kong aos EUA com um suposto resfriado. Beth volta para casa normalmente e reencontra o marido, Mitch interpretado por Matt Damon, e o filho. Logo Beth passa a sentir-se pior, cada vez pior, e o filho do casal também passa a sentir os sintomas de um resfriado, até então. É ali que o terror se inicia, não só para Beth e os EUA, mas para o mundo todo.

O vírus do filme é muito rápido e perigoso, e infecta muitas pessoas em pouco tempo. O tempo de vida de uma pessoa infectada é curto, e a cura até então não existe, se você pegou você morrerá. O coronavírus atual não é tão letal como já comentei, mas ele também pode matar, e enquanto no filme o vírus atinge pessoas de qualquer idade sem exceções, o vírus que enfrentamos se concentra em pessoas mais velhas, principalmente em idosos, o que não significa que você que é jovem não pegue, deixando bem claro que “Contágio” mais uma vez se assemelha com a vida real.
O mais interessante no longa de Steven Soderbergh, é a forma como o vírus se alastra, como ele contamina qualquer ambiente. O infectado tocou uma maçanete, todo aquele local está contaminado. Se espalha rapidamente. Assim como o novo coronavírus, se você estiver infectado e tocar em qualquer objeto vai contaminar o tal objeto tocado, e quem tocar ali também se contaminará. Por isso a importância de cuidar tanto da higiene, usar álcool gel e lavar bem aos mãos, sempre que possível. No filme, inclusive, é reforçado a importância de se lavar as mãos e usar álcool em gel.

Voltando ao filme, ele possui vários personagens interessantes, cujo as histórias se entrelaçam. É comum neste tipo de filme com grande elenco, que nem todas as histórias sejam bem desenvolvidas e finalizadas, e em “Contágio” isso não é diferente. Erin Mears, personagem de Kate Winslet, é inicialmente uma das mais interessantes em minha opinião. Ela dá literalmente a cara á tapa no meio de governantes e cientistas procurando um meio de parar com a epidemia, procurando uma solução para isso e querendo divulgar á realidade para a sociedade, mesmo que muitas das vezes não o consiga fazer por represálias. Erin, obviamente muito bem interpretada por Winslet, tem o arco mais redondinho em minha opinião e infelizmente não permanece em cena o tempo que eu gostaria, mas ainda assim tem sua trama finalizada de forma convincente, e também triste.
Sobre Mitch, personagem de Damon, ele é um tanto interessante. Ele pega o vírus de Beth obviamente, mas consegue se curar. Ele fica auto-imune a doença desde então, e sua filha mais velha misteriosamente também parece não pegar o vírus, mas nada disso é muito explorado ou explicado, apenas pincelado, o que me incomodou um pouco.
Já os personagens de Jude Law e Marion Cotillard são bem irrelevantes, a de Marion até possuía um arco científico interessante mas foi tão mal explorada que no fim você nem sentia falta da personagem. O mesmo acontece com o repórter de Jude Law, que fica tão apagado a ponto de não fazer falta ao fim da trama. O personagem de Laurence Fishburne também é interessante, junto da de Winset formam a melhor dupla do filme, mas ao contrário da personagem dela, o dele acaba por não receber um final tão marcante assim.
No fim das contas, o filme retrata a nossa realidade. Na história em menos de um mês, o número de mortos chega a 2,5 milhões nos EUA e 26 milhões em todo o mundo.
Até hoje no Brasil foram contabilizadas 57 mortes pelo novo Coronavírus, sendo 48 no Estado de São Paulo. Na Itália o número de mortos passa dos 7.000, e no mundo todo o número de mortos já ultrapassa 20.000. Preocupante, não? Este vírus não é apenas uma “gripezinha”, e sim um vírus sério, que precisa da nossa atenção. Não é o mesmo do filme Contágio (ainda bem), mas é sério, e mata. E as formas de proteção são as mesmas do filme: máscaras, álcool gel, higiene e evitar aglomerações, além da quarentena, é claro.
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E é neste ponto que voltamos a falar da realidade atual. Tanto repórteres, quanto especialistas na área da saúde, biólogos, cientistas, todos aqueles que se empenham em achar uma cura, todos estes acabam sendo ignorados de certa maneira e criticados. A imprensa faz um papel importante durante uma pandemia ou epidemia, manter a população informada e alerta sobre a situação. O governo tenta de todas as maneiras minimizar a situação, a fim de não causar pânico na população. Mas até onde isso é válido? O caos sempre será instalado neste tipo de realidade. Contar a verdade, os números corretos em minha opinião seria a melhor coisa a se fazer. Mas será que as pessoas estariam preparadas para ouvir a verdade? Tenho minhas dúvidas. O vírus é um dos problemas, a política, a economia e a população são outros problemas que se instalam durante uma pandemia. O pânico é inevitável, mas eu entendo as medidas protetivas de não contar tudo, pois o ser humano é um animal perigoso, e ele é capaz de destruir e transformar tudo em uma guerra ainda maior. A economia também é afetada, assim como no filme, e nós sabemos bem disso. Afinal, de quarentena, quem não puder trabalhar, viverá de quê? As contas não vão parar de chegar, e a comida faltará mais cedo ou mais tarde. E se os mercados começarem a ser saqueados? Farmácias? E se as ruas virarem um verdeiro cenário de filmes de Zumbis? Tudo isso preocupa. Mas nós não temos as respostas para tudo, se nem mesmo o filme teve. Pior do que conviver com o medo de se contaminar, é conviver com o medo do futuro da sua vida, o futuro da humanidade, afinal é um problema mundial e não local. As autoridades de saúde declaram a importância de se manter recluso, se cuidar o máximo possível. Os políticos dizem o contrário, se preocupam mais com a economia. Mas o que devemos fazer?
Contágio não dá essa resposta, e eu também não sei o que te dizer, apenas digo: cuide-se, o máximo possível, e proteja a você e aqueles que você ama. Nós enfrentamos um vírus perigoso, um abalo grandioso da economia, o caos e pânico da população, uma política que não sabe o que fazer e uma quarentena que deixa dúvidas de como você se sustentará a seguir. É uma situação horrível e não há o que possamos fazer agora, apenas torcer para que uma cura seja achada o mais rápido possível e que a economia circule novamente, para que todos possam se sustentar.

O final do filme Contágio talvez seja uma das cenas mais importantes e interessantes de todo o longa. É ali que ficamos sabendo como todo esse caos se instalou, e como Beth se contaminou e espalhou para o restante com quem teve contato. É ali, que a doença começou, se espalhou e matou milhares de pessoas, instalando o caos e o medo, além de um vírus letal, no mundo todo. E este cenário em 2011 parecia bem fictício e distante, mas agora parece que o filme previu tudo que aconteceria quase 10 anos depois, sendo assustadoramente real e parecido com o que vivemos hoje. Contágio foi bem aceito pela crítica na época de seu lançamento, ele tem uma média de aprovação de 85% no Rotten Tomatoes, uma média de 6,7 no IMDb e nota 70 no Metacritic. No mundo, sua bilheteria totalizou $136 milhões entre 2011 e 2012. Quanto ao público, não lembro dele ter feito muito borborinho na época de seu lançamento, mas agora é um dos filmes mais procurados no mundo, fazendo um sucesso posterior impressionante. Em Fevereiro deste ano, quando a doença passou a se espalhar mais pelo mundo, o filme Contágio esteve entre os 10 filmes mais vistos no iTunes, e ficou entre os 20 mais vistos no Google Play, um grande marco para um filme que não é lançamento, e que já está a 9 anos no mercado. O longa se tornou um verdadeiro hit atual.
E se você pode estar de quarentena agora, eu recomendo que assista este filme. Ele pode até te assustar um pouco, mas também vai alertar. Ele é interessante e importante, principalmente se você ou alguém que conhece não esteja levando a situação tão á sério, achando que é exagero da mídia. Não é exagero, não é brincadeira, é sério e exige atenção. Porém, se você já está muito amedrontado com tudo e prefere não se assustar mais, sugiro que não o assista agora, deixe para ver o longa em outra ocasião, caso o queira fazer. Este não é o momento para mais pânico e medo, é o momento de se alertar da seriedade da coisa, e tomar todos os cuidados possíveis. Lave bem as mãos, não visite idosos (para o bem deles), use álcool gel, máscaras quando preciso, e evite aglomerações. Logo isso tudo passará, e tudo que ficará são os filmes para apreciarmos.
E é com o lema do filme Contágio, NADA SE ESPALHA COMO O MEDO, que eu finalizo minha matéria, e deixo que você tire suas próprias conclusões.