Halle Berry interpretou a mutante Tempestade em quatro filmes dos “X-Men“, começando com o filme de ação de 2000 que deu início à franquia de quadrinhos da 20th Century Fox, mas ela nem sempre se dava bem com o diretor dos filmes, Bryan Singer.
Em entrevista à Variety para divulgar o longa Bruised, seu primeiro projeto como diretora, durante esta semana no Festival de Cinema de Toronto, Berry revelou que brigou com Singer antes de se despedir oficialmente do personagem em Dias de um Futuro Esquecido (2014). Por meio de seu publicista, Singer se recusou a comentar.
“Bryan não é o cara mais fácil para se trabalhar“, diz Halle. “Quero dizer, todo mundo ouviu as histórias – não preciso repeti-las – e ouviu falar de seus desafios e contra o que ele luta”.
Singer foi acusado de violência sexual por pelo menos quatro homens que disseram ser menores de idade na época, o que ele nega. Ele foi demitido no meio da filmagem de “Bohemian Rhapsody“, em 2018, por supostamente não ter comparecido ao trabalho, o que ele também nega.
“Às vezes eu ficava muito zangada com ele”, diz Berry. “Tive algumas brigas com Bryan, disse alguns palavrões por pura frustração. Quando eu trabalho, levo a sério. E quando isso é comprometido, fico um pouco maluca, mas, ao mesmo tempo, tenho muita compaixão pelas pessoas que estão lutando contra tudo o que estão lutando, e pelo Bryan também”.
“Às vezes, por causa de tudo o que ele está lutando, ele nem sempre se sentia presente”, Berry continua. “Ele não se sentia lá. E nós ficávamos lá fora, em nosso pequeno cenário dos ‘X-Men’, congelando nossa bunda em Banff, Canadá, com clima abaixo de zero e ele não estava se concentrando. E ficávamos congelando. Isso pode te deixar um pouco bravo“.
Berry não é o primeiro membro da franquia “X-Men” a falar sobre as dificuldades de trabalhar com Singer. Em uma entrevista no início deste ano, Olivia Munn, que fez a mutante Psylocke, disse também à Variety que Singer desapareceu do set canadense de “X-Men: Apocalipse” (2016), deixando a produção atrapalhada, sem um diretor.
“Em vez de ir a um médico em Montreal, que é uma cidade de alto nível, ele disse que precisava ir para Los Angeles”, disse Munn. “E ficou ausente por cerca de 10 dias, pelo que eu lembro. Ele disse: ‘Continuem. Continuem filmando. ‘Ficávamos no set, lembro de uma grande cena que filmaríamos, voltávamos do almoço e então um dos assistentes de Bryan chegava e nos mostrava um telefone celular com uma mensagem de texto nele“.
O gênio difícil do diretor, bem como as denúncias que envolviam seu nome, fizeram da produção do primeiro X-Men uma tarefa extremamente desgastante para produtores, atores e roteiristas, conforme registrado na nossa coluna “Contos de Hollywood“.
