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Zoom em Quadrinhos | A Morte do Capitão Marvel

“A morte toca todos nós de maneiras diferentes. Alguns mal sentem sua chegada. Outros ela atinge bem de frente. E há os que sentem sua lâmina afiada cravar-se no coração”, nunca uma frase fez tanto sentido para a morte de um personagem, um dos eventos mais marcantes na história dos quadrinhos: A Morte do Capitão Marvel.

Capitão Marvel foi um dos personagens que marcaram época nos anos 70, seja por ser um dos principais heróis a participarem de sagas cósmicas, na verdade, a primeira de todas: Saga de Thanos, aonde o Titã Louco tem em sua posse o Cubo Cósmico, a arma mais poderosa do universo, pelo menos naquele período. Muitas histórias tanto dentro do universo do herói, quanto no nosso universo mesmo, rondam o personagem, mas com a mais absoluta certeza que nenhuma foi tão marcante quanto este evento.

Escrita e desenhada pelo pai das sagas cósmica e criador do personagem: Jim Starlin (Saga de Thanos, Desafio Infinito, Guerra Infinita), a história se centra em como o Capitão Marvel lida com o diagnóstico de Câncer e como nem mesmo seu vasto poder e toda a inteligência dos maiores heróis da Terra, são capazes de ajudá-lo. O encadernado ainda conta com a história que originou a doença no herói e mais outra de como ele conheceu seu grande amor: Uma, combatendo o computador ISAAC, corrompido pela loucura de Thanos.

A Morte do Capitão Marvel foi a primeira Graphic Novel produzida pela Marvel em 1982, além de ser a primeira vez que uma grande editora mata um personagem tão importante para o universo regular dos heróis definitivamente (Não que alguma outra tenha realmente feito isso), principalmente na época, aonde não era comum que os heróis morressem. A história é muito tocante, principalmente pelos monólogos sobre morte e impotência bastante presentes no roteiro e que tocam de forma única quem passou pela experiência de ter um ente querido morto por esta doença implacável. Em todo momento a sensação de perda é sentida e discutida, a degradação do personagem é acompanhada, juntamente com seus esforços e de diversos heróis para cura-lo. Os desenhos conseguem passar a dimensão de todo o evento, com traços e cores fracas e opacas para mostrar o quão triste realmente é a história, mas ainda não perde toda aquela atmosfera psicodélica presente nos títulos da época.

O próprio Jim Starlin disse em algumas entrevistas que esta HQ foi uma espécie de “terapia barata”, já que na mesma época o autor tinha perdido seu pai para a doença e precisava homenageá-lo de alguma forma. O sentimento de homenagem ao personagem e por sua passagem por todo o Universo Marvel é sentida em todo o quadro, fazendo uma livre referência a passagem de todos antes de perecerem e o legado que elas deixam para as gerações futuras.

A Morte do Capitão Marvel é com toda a certeza uma das histórias mais tristes, mas ao mesmo tempo mais impactantes que você irá ler, principalmente pela forma em que a morte chega para um herói da magnitude do personagem, não com um grande sacrifício, típico em Graphic Novels deste tipo, mas por uma simples doença comum que pode afetar qualquer pessoa, isso dá ao quadrinho uma esfera totalmente diferente. O encadernado compila uma série de histórias para encher o quadrinho justamente para fazer valer o preço de capa, mas apenas pela história, que é bem difícil de ser encontrada, compensa cada centavo investido e é com toda certeza uma leitura mais do que obrigatória para qualquer colecionador e para se ter na estante.

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