Zoom em Quadrihos: Juiz Dredd – Mutantes em Mega-City Um | Uma obra atual e de qualidade extraordinária

Uma ótima pedida para sair dos quadrinhos mainstream, Juiz Dredd sempre traz questionamentos interessantes sobre sociedade e o ser-humano, este encadernado, não poderia ser diferente....

Os quadrinhos europeus não são muito populares no Brasil, seja por serem eclipsados pelos super-heróis, ou por uma notória relutância das editoras de trazer este tipo de conteúdo para os leitores, mas a Mythos Editora, trouxe consigo a missão de dar a chance dos leitores descobrirem um novo mercado. E se existe um personagem mais ideal para servir de porta de entrada para os quadrinhos europeus, é realmente uma obra desconhecida: Juiz Dredd: Mutantes em Mega-City Um, traz todo o primor dos quadrinhos europeus, com uma pegada que agrada a todos.

O encadernado tem um time excepciona de artistas sendo escrita por John Wagner (Uma história de Violência) e Al Ewing (O Imortal Hulk), contém desenhos de Rufus Dayglo (Tank Girl), Colin MacNeil (The Bloodquest), Nick Dyer, Kevin Walker (Vingadores: Tempo Esgotado), Simon Fraser (Nikolai Dante), Carl Critchlow (Lobo).

A história se passa depois dos eventos de Juiz Dredd: Origens, mas não é necessário a leitura desta obra, para entender o que se passa neste encadernado. O Juiz Dredd começa a questionar juntamente com a Juíza-Chefe Hershey, sobre as políticas relacionadas as restrições dos mutantes em Mega-City Um, ao ponto de muda-las, o que acaba incitando um movimento de ódio contra estes seres. Neste meio tempo, surge o juiz Dan Francisco, um astro de TV que toma como missão pessoal questionar a Juíza-Chefe e aumentar ainda mais a pressão sobre essas mudanças.

O roteiro de Wagner e Ewing é espetacularmente bem feito, trazendo questões atuais como Xenofobia, Imigração e Fake-News (mesmo antes do termo ser conhecido pelo grande público), tudo isso ainda combinando com histórias cheias de ação e com uma pegada detetivesca muito aflorada, que dá para o encadernado um ritmo muito gostoso de ser lido.

A arte mista dentro do encadernado pode causar uma sensação de estranhamento para quem está acostumado com desenhos mais regulares dentro de encadernados norte-americanos, mas mesmo alguns com os traços mais ousados, conseguem transmitir a tensão da história e abordar todas as nuances que o roteiro apresenta ao longo do encadernado.

O encadernado tem um tratamento de luxo bastante caprichado por parte da Mythos, realmente eles tem um carinho surpreendente com o material. Apenas fica um adendo relacionado as histórias não terem suas datas de publicações originais colocadas dentro do encadernado. Isso não prejudica a história nem um pouco, mas é interessante ter estas informações dentro do material, principalmente para os fãs mais antenados.

O encadernado reúne as edições 2000 AD/Rebellion (2001) #1542-1548, #2008,  #1569-1581, #1600-1603, #1611-1612, #1628-1633, #1649, em 220 páginas. Com o formato 18 x 26 cm, possui miolo couchê e capa dura envernizada, pelo preço de capa de R$ 79,90, mas em algumas promoções na Amazon, ou no próprio site da Mythos, você consegue encontrar por preços melhores.

Juiz Dredd: Mutantes em Mega-City Um, é uma obra com uma pegada completamente diferente dos moldes da indústria norte-americana, mas que ainda assim traz questionamentos interessantes acerca de assuntos muito atuais e extremamente necessários, dentro de contextos com muita ação e histórias altamente envolventes. Uma excelente pedida para quem quer conhecer novas obras e sair dos meios mainstream de quadrinhos e buscar coisas mais diferentes para se ler.




Amante de filmes e quadrinhos desde que me conheço por gente, existindo numa vida dirigida pelo Stanley Kubrick e roteirizada pelo Grant Morrison.

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