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O Cinema é uma mídia em constante evolução. Desde 1895, quando os irmãos Lumiére inventaram o cinematógrafo, a inventividade só fez o cinema crescer enquanto entretenimento. As trucagens de Meliés, a evolução narrativa de Griffith e as evoluções tecnológicas, como o Technicolor, a objetiva grande-angular, o cinemascope, o 3D, o stop-motion, a steadycam, a computação gráfica, o cinema digital, a evolução da definição de imagem… TUDO trazendo uma nova relação do espectador com sua experiência de entretenimento. Mas a Paramount, agora, promete trazer uma nova evolução para a experiência do cinema e, confessamos, com o que eles trouxeram na cabine de imprensa de lançamento do filme Projeto Gemini, de Ang Lee e com o protagonismo de ninguém menos do que Will Smith, eles conseguirão.

Rodado em 4K, nativo em 3D (sabe aquela câmera imensa, modelo Arri Alexa com duas lentes), a 120 quadros por segundo, o filme promete uma experiência de 3D a 60fps para o espectador final, que impressiona. É muito detalhe em tela para você observar. Talvez, neste aspecto tecnológico, o que incomoda é o uso excessivo de objetivas grande-angulares, o que mantém uma profundidade de campo muito extensa e dando um look quase daquela velha TV, que não conseguia fazer jogo de foco, para direcionar o olhar do espectador. Mas, talvez, seja proposital.

Nos 30 minutos que assistimos do filme, Ang Lee quer colocar o espectador numa experiência imersiva e preenche a tela (com tudo em foco) com inúmeras informações, fazendo com que você fique buscando detalhes. A estereoscopia também é muito bem-feita, tornando a imersão quase que absoluta (eu ainda tenho as minhas ressalvas quanto a ficar usando óculos durante o filme…).

Ang Lee comentou que é uma nova maneira de dirigir filmes, uma vez que esta necessidade de preencher a tela com informações o tempo todo é algo com o que não se tinha costume, quando se podia direcionar melhor o olhar do espectador. Já Will Smith disse que a veracidade de atuar causou-lhe calafrios, pois, no cinema tradicional, ele não precisava se preocupar com algumas coisas que, agora, com o espectador enxergando cada poro e cada nuance de seu movimento, a margem de erro é muito pequena.

Menor ainda, quando vamos pensar na outra tecnologia envolvida na produção: a modelagem e texturização 3D. De acordo com os executivos da Paramount, o “clone” de Will Smith não é, em momento algum, o próprio com uma tecnologia de rejuvenescimento (eles não mencionaram em momento algum, mas ficou claro que eles se referiam ao Nick Fury de Samuel L. Jackson em Capitã Marvel), mas algo mais parecido com o que se fez com animais em O Rei Leão e Mogli. Will Smith foi 100% modelado e texturizado em um ambiente 3D e animado no sistema de captura de movimento, como feito com O Planeta dos Macacos. Mas o desafio, aqui, é muito maior, pois a nossa capacidade em perceber defeitos numa personagem humana é muito maior do que quando assistimos filmes em que animais são representados desta maneira. Ainda mais sabendo que nem sempre é Smith que está tendo seus movimentos capturados “eu via o cara atuando e percebia que ele queria imitar meus movimentos de quando eu atuava 20 anos atrás”, disse o ator, “Ang Lee vinha e me dizia: ‘atue menos’, ‘seja pior’, para que eu não atuasse tão bem e a gente convencesse o espectador de que era eu contra outra versão de mim, 20 anos mais novo!”, completou.

No filme, Will Smith é um agente aposentado que tem seu DNA clonado e seu clone é treinado para eliminá-lo. O mote parece interessante. A direção de Ang Lee, mesmo que engessada pelas questões tecnológicas, ainda traz a promessa de boas decisões de câmeras e cortes, além de coreografias interessantes e o trecho assistido nos mostrou uma ação intensa e bastante tensão, além dos competentíssimos efeitos gráficos (o Will Smith de mentira é quase inacreditável!).

Promete e eu, se fosse você, iria ver este filme na estreia, porque ele vai mudar o cinema que estamos acostumados a ver!