Com os efeitos colaterais da pandemia, os estúdios agora buscam se adaptar a nova era de streaming. A Paramount agora se arrisca na área com o serviço Paramount+ e traz o seu primeiro filme original, Infinite.

Dirigido por Antoine Fuqua (O Protetor), o filme aborda a história do personagem Ewan McCauley (Mark Wahlberg) que se encontra perdido em sua vida, sofrendo com alucinações. Em determinado momento o personagem descobre ser um Infinite, uma pessoa capaz de se lembrar de todas as suas vidas passadas, e através disso ele se envolve em uma guerra de facções pelo Ovo, um artefato capaz de extinguir toda a vida na terra. E ao lado do personagem estão atores conhecidos como Chiwetel Ejiofor, Jason MantzoukasDylan O’Brien.

Através dessa sinopse talvez já seja possível enxergar a proposta do filme, em ser uma história de ação em meio a um universo pré-estabelecido. Contudo o filme escrito por Todd Stein se perde em sua primeira parte, onde ele se preocupa ao máximo em apresentar esse universo de forma detalhada, levando a acreditar que o público não seja capaz de acompanhar a história. Os diálogos expositivos são cansativos e desinteressantes sem sequer ter uma boa montagem para torná-los dinâmicos.

O personagem Ewan que deveria ser o cerne da história e aquele que nos guia nesse universo, é simplesmente arrastado sem questionar o propósito daquilo. Sem uma real motivação o personagem é vazio e não nos faz ter empatia por ele ou aqueles em sua volta que se encontram no mesmo dilema. E os personagens secundários, assim como o vilão, apresentam motivações genéricas que naquele universo absurdo poderia ser normal, mas é apresentado de forma rasa e sem real profundidade.

A premissa do universo é interessante, assim como a construção dele e dos seus detalhes. Contudo o que deveria ser um filme de ação divertido que exagera em seus absurdos, se torna algo truncado com cenas de ação fracas e montagens simplistas. E a fotografia do filme, é algo simplesmente esquecido, com nada a ser realmente notado assim como sua narrativa que no final é jogada ao mar.

No final, Infinite é um filme que apresenta potencial em seu universo mas é falho em destacar o que torna ele original e de fato algo a ser explorado. O filme entrega o básico de enredo, efeitos especiais, roteiro e direção sendo no final uma história que provavelmente será esquecida nas próximas semanas.