Gato de Botas 2: O Último Desejo é um projeto que está há anos no papel, tendo seu primeiro filme sido lançado em 2011. Projetos como esse, quando veem a luz do dia, trazem uma expectativa que na maioria das vezes não é atendida. A diferença aqui, é o resultado final e o momento pelo qual a Dreamworks está passando.

O estúdio até 2022, passava por uma certa ausência no cinema. Focando em projetos para streaming, era visível que não tínhamos todo o potencial de suas marcas liberadas. Mesmo os projetos para o cinema como Poderoso Chefinho 2, havia uma diferença de qualidade com projetos anteriores do estúdio. E então, chegando no ano passado temos primeiramente Os Caras Malvados que foi uma grata surpresa. Chegando ao final do ano, é apresentado a sequência de Gato de Botas, onde o retorno do estúdio para os grandes da animação no cinema, parece iminente.

 Um herói além da sua bravura

Um ponto do qual a Dreamworks sempre soube desenvolver, foi a forma como tratam os seus protagonistas. As nuances que existem entre eles, mescla entre fragilidade, bravura, medo e empatia. Diferente de personagens típicos do gênero, eles sempre apresentaram propostas diferentes como o Pô, Shrek e entre outros.

Aqui, com o Gato de Botas não é diferente. Desde o primeiro filme somos apresentados a um personagem que possui dúvidas sobre sua identidade e que precisa enfrentar o seu passado. Novamente entrando em uma diferença com o padrão, aqui não é um passado sanguinolento ou sombrio, e sim a perda de uma família e laços que faziam parte dele. E na sequência temos esses elementos expandidos e tratados de uma forma madura e sincera.

Um personagem que enfrenta o medo de seu próprio legado, dilemas sobre quem ele é que persiste, e também a ansiedade e em como isso deve ser enfrentado. De forma empática, vemos um herói frágil, que vai além de suas piadas e bravura, mas mesmo assim mantém o carisma daquele “malandro” que conhecemos. 

Só que temos personagens secundários também não? Sim! E há um mérito muito grande para como eles se conectam com a história, e possuem uma história tão marcante como o seu personagem principal. Kitty Pata Mansa desde o primeiro filme é uma adição fantástica ao mundo do Shrek, e Perro é um bom exemplo de como escrever um alívio cômico de maneira correta.

Desde os seus medos, até os seus momentos heróicos. Não há falhas em apresentar uma narrativa que pode afetar desde os mais novos, até os mais velhos. O roteiro de Tommy Swerdlow (Brinquedo Assassino) e Paul Fisher (Ninjago: O Filme) surpreende pela sua honestidade em seus temas.

Inovando além do cotidiano

Gato de Botas e sua estética singular.

Como visto nos trailers, a produção desse filme é diferente do “padrão” que estamos vendo nas animações no cinema. E o filme nos mostra isso, vivendo a sua experiência. Há uma mistura de 3D com 2D onde traz identidade para o projeto. Além disso, há a utilização de detalhes feitos “à mão”, fazendo dele quase uma pintura animada.

A ideia segue a proposta atual da Dreamworks que de fato está mudando o estilo de suas animações. O fato aqui está na influência de Aranhaverso que trouxe um respiro para o gênero, permitindo a possibilidade de arriscar em outros estilos. Mas o mérito de fato fica para a produção do filme que se destaca com o uso de técnicas como o atraso de FPS em cenas de ação. A mistura de estilos de arte e também a própria fotografia que usa e abusa das mais diferentes cores em cena.

O respiro que a franquia Shrek precisava

Shrek talvez seja uma das franquias de maior sucesso do estúdio. É especulado desde muito tempo uma sequência da franquia, mas um retorno prematuro poderia trazer algo que não satisfaça a maioria. Então de fato seria preciso um fôlego para a preparação do seu retorno.

E que Gato de Botas 2 não serve somente para isso, sendo uma história cativante por conta própria. A natureza dele em buscar aprofundar temas profundos, mas ainda assim um entretenimento para todos. E foi capaz de mostrar que dentro da Dreamworks ainda existem boas histórias para serem exploradas. 

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