Sabe quando você assiste aquele vídeo de um meme que você nunca viu e rola de dar risada? Daí, você vai mostrar aquele vídeo para a sua irmã e, quando você assiste pela segunda vez, a risada já não é mais tão forte? Pois é. Deadpool 2 não é um filme ruim, mas a sensação de “mais do mesmo” dificulta a compra da ideia de continuação.
Ryan Reynolds, desta vez, reencarna o canastrão herói criado pelo controverso rabisqueiro Rob Liefeld numa aventura cheia de piadinhas infames com quase todos os filmes de super heróis do momento e, por (muitos) momentos autofágicas, tirando sarro das próprias situações ridículas. É engraçado, mas o timing da continuação não é o mesmo do original e alguns momentos de sarro são previsíveis demais. O mote da aventura é clichê e demasiadamente raso.
Vale lembrar que Cable (também criado por Liefeld, nos quadrinhos, mas MUITO melhorado por Fabian Nicieza e Jeph Loeb), nos quadrinhos é filho de Scott Summers (vulgo Ciclope) e Madelyne Pryor (vulga Clone da Jean Grey), tem poderes telecinéticos e volta no tempo para salvar TODA a humanidade de uma ameaça MUITO maior do que a do filme e o plot utilizado sequer cita as origens do militar, seus poderes ficam bem subscritos (mal dá pra entender que ele usa a telecinésia nos momentos em que ele de fato usa) e, no fim das contas, juntando tudo isso com a motivação de Cable em Deadpool 2, parece, mesmo, que estamos lidando com o herói tosco criado por Liefeld e não com as versões melhoradas. Para completar, só faltou o olho biônico alternar de lado de vez em quando, como quando Liefeld o desenhava, mas este erro a produção do filme não cometeu.
No mais, o filme tem um vilão bem meia-boca, mas a sequência em que Deadpool lidera sua equipe a um assalto a um comboio é impagável. É neste momento que o filme começa a melhorar e algumas surpresas começam a ser reveladas, como algumas personagens que não chegaram a aparecer nos traillers e uma delas, em especial, chega a fazer o espectador prender a respiração e soltar um “agora, vai!”, mas o desfecho é tão brochante, que o melhor desta personagem fica para a música composta para ela (dá pra prestar mais atenção a isto nos créditos e você rola de rir com a letra). O roteiro, como o próprio Deadpool explicita em uma fala (aliás, uma das boas piadas do filme), é preguiçoso e (mais um assunto recorrente em diálogos) esbarra nas limitações de não poder interferir nos planos dos X-Men, mas tem seus momentos. O desfecho é péssimo, mas abre algumas portas para, por exemplo, um filme da X-Force e, claro, Deadpool 3. Mas é engraçado, como eu já disse, tem seus momentos, mas as melhores piadas estão nas cenas pós-créditos (ESPERE!!!).
A fotografia do filme não deixa a desejar, o CGI de baixo orçamento não incomoda e está dentro da proposta desde o primeiro filme, mas a direção de arte preguiçosa realmente incomoda. Faltam figurantes, falta interação com o cenário, faltam detalhes para preencher a tela e isto deixa o filme com cara de “só gastamos o estritamente necessário”. Fiquei feliz de não haver a forçação de barra do 3D: se eu tivesse que pagar mais caro pra ver este filme, ficaria bravo. A montagem deixa algumas coisas confusas, em certos momentos, mas não é comprometedora.




