Na década de 1980, mais precisamente em 1985, tivemos a primeira edição do Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo. É bem provável que você desta edição pelo show icônico do Queen, retratado até no polêmico filme Bohemian Rhapsody, também conhecido como “filme do Queen”. Mas se engana feio quem pensa que só rolou rock pesado ou clássico por lá.
Além das bandas mais conhecidas como AC/DC, Scorpions, Ozzy Osbourn e etc, o line-up nacional já contava com grandes nomes brasileiros. Entre eles estão: Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Blitz e Barão Vermelho. Aí você me diz: “Pô, mas tudo isso aí é rock!” Só que, para a época, eram subgêneros completamente distantes do metal e do hard rock das atrações principais. Isso podia facilmente causar aquele estranhamento de “nada a ver essa galera dividir palco com o Whitesnake” (que também arrebatou o público em 85).
E se a ideia é falar de diversidade musical, o que me diz de Alceu Valença, Elba Ramalho, Eduardo Dusek, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ivan Lins e Lulu Santos? Pois é: logo na edição mais histórica de todas, o festival já transbordava atrações que passavam bem longe do chamado “rock tradicional”.
Portanto, quem manda aquele clichê de “nada a ver a Ivete Sangalo no Rock in Rio” só prova que não entende a essência do festival. Desde o primeiro dia, a proposta sempre foi celebrar a música em sua forma mais ampla e livre. E se rolar uma atração que não faz o seu estilo, em vez de resmungar por aí, já tentou algo realmente ousado como… simplesmente não ouvir?
