Confesso que quando vi os primeiros comentários sobre A Babá, nova produção original da Netflix, não fiquei muito animado. Pensei que o filme não tivesse equilíbrio entre terror e comedia, fosse exagerado e sem graça. Com o passar do tempo vi comentários que elogiavam muito o filme, então percebi que o filme havia dividido opiniões e eu precisava vê-lo. Pois bem, logo no inicio do filme vi que minhas expectativas estavam erradas, pois em nenhum momento o filme se compromete à ser um terror, à assustar. Desde seu inicio ele se mostra como uma comedia juvenil com lições sobre enfrentar seus medos, superar as adversidades da vida e com muito, muito sangue. É simplesmente um trash que não tem vergonha de sua essência e não tenta esconde-la para deixar o filme mais atrativo. Não que o filme não tenha seus problemas, mas ele com certeza é uma das produções Netflix mais autenticas do ano, entre tantas outras com gênero incerto que vão de terror a comédia (Death Note, Pequeno Demônio) e acabam se perdendo.
O filme gira em torno do jovem Cole (Judah Lewis) que frequentemente sofre bullyng por ainda ter uma babá aos 12 anos. Enquanto o relacionamento dele com sua babá, interpretada por Bella Thorne, é bem explorado no começo da trama, o dele com sua família acaba sendo deixado de lado, mas isso não afeta muito o filme, já que durante o desenrolar principal da trama ela não está presente. O inicio é cheio dos mesmos excessos de filmes adolescentes, jovens sofrendo bullyng, jovens fazendo bullyng, interesse amoroso entre outras coisas o que acaba sendo um pouco maçante, mas a partir do ponto em que Cole descobre o estranho objetivo de sua babá, a história se torna uma ótima comedia, ácida, exagerada e regada a sangue. Os atores Robbie Amell e King Bach fazem personagens extremamente caricatos e exagerados, mas divertidos, enquanto outros personagens como a Bee, interpretada por Samara Weaving são até engraçados, mas não conseguem despertar empatia.

Contribuindo com o terror escrachado do filme cada morte apresenta grandes quantidades de sangue, com direito a sangue jorrando na cara e cabeças cortadas. Mesmo assim, a história do filme ainda é extremamente infantil, contando apenas com isso para ser uma produção adulta, já que as perseguições, momentos tensos e confrontos do filme além de serem regados à sangue são também regados a piadas e trocadilhos cartunescos que lembram até Esqueceram de Mim, que inclusive é citado no filme. Aliás, ele está cheio de referencias à cultura pop, que incluem Alien, Predador e Star Trek, o que torna a experiencia ainda mais divertida e faz com que nos identifiquemos mais com Cole. A jornada do herói dele durante o filme é evidente, ele lida com uma situação inesperada, passa por dificuldades, enfrenta seus inimigos, aprende a enfrentar seus medos e consegue a pessoa amada. Portanto, a trama não traz grandes surpresas em seu ato final, em que até as motivações da Babá acabam sendo apenas jogadas sem nenhum impacto na trama e a resolução se torna previsível demais o que faz com que o que realmente valha a pena no filme seja o desenrolar da história em seu todo, mas que não tira o mérito de ser um extremamente divertido.