Bilheterias | Balanço do primeiro semestre de 2019

Disney domina absoluta enquanto estúdios rivais lutam para emplacar um hit

Já estamos em meados de 2019 e até agora apenas a Disney teve muitos motivos para comemorar. Segundo o site Box Office Mojo, desde janeiro deste ano até junho a casa do Mickey absorveu, sozinha, 34% do mercado americano. Algo impressionante. Apenas para se ter uma ideia da força da Disney, a Warner Bros – segunda colocada no ranking, conseguiu 15.8% do mesmo mercado. Abaixo, segue uma análise mais aprofundada do desempenho de cada um dos estúdios que compõem o “Big Six” de Hollywood.

 

1. Walt Disney Pictures

Ainda é 2019, mas a Disney vem tendo um ano inesquecível até agora. Com 4 filmes e 5 bilhões de dólares arrecadados, o estúdio ainda tem Rei Leão, Malévola 2, Frozen 2 e Star Wars IX para empurrar este valor em mais 4 bilhões, no mínimo. Isso sem falar de Toy Story 4, que terá uma estreia gigantesca e que também promete chegar ao bilhão, assim como o seu antecessor imediato chegou. É muita grana. Para se ter uma ideia, 5 bilhões de dólares foi o valor que os filmes da Warner Bros arrecadaram em todo o ano de 2018. A Disney só precisou de seis meses para alcançar a marca em 2019.

Tudo bem que Dumbo não foi exatamente um arrasa-quarteirão, teve uma arrecadação fraca, diga-se de passagem. A animação que serviu de base para o longa foi lançada em 1941, distante demais do público atual, que obviamente tem muito mais proximidade emocional com Aladdin, lançado em 1993. Considerando os lançamentos do segundo semestre, já podemos dizer que Dumbo é único fracasso da Disney em 2019 e olha que o filme tá longe de ser o projeto mais fracassado do ano. Essa é a Disney hoje em dia, até quando fracassam, fracassam com estilo.

1.1 – 20th Century Fox

A prima pobre da Disney, também conhecida como Fox, teve dificuldade em emplacar algo. A única exceção, por incrível que pareça, foi Alita, que arrecadou mais do que muitos esperavam e teve uma bilheteria digna no fim das contas, graças ao mercado internacional. O público americano, por sua vez, preferiu ver a terceira parte de Como Treinar o Seu Dragão. Fênix Negra já nasceu morto, só fã hardcore e iludido esperava alguma coisa.

O segundo semestre tem cara de ser mais interessante, pelo menos em termos de filmes “de arte”, com Ad Astra (dirigido por James Gray e protagonizado por Brad Pitt), The Woman in the Window (suspense com Amy Adams) e o oscarbait Ford v. Ferrari (com Christian Bale e Matt Damon).

 

2. Warner Bros./New Line

 

Bilheterias da Warner Bros. em 2019

Bilheterias da New Line, subsidiária da WB, em 2019

 

A Warner Bros e a sua respectiva prima pobre, a New Line, vêm tendo um 2019 difícil até o momento. Há um ano, os estúdios contavam com a boa bilheteria de Jogador Nº 1 (US$ 583 mi), com a arrecadação digna de Rampage (US$ 428 mi) e com a bilheteria OK de Oito Mulheres e Um Segredo (US$ 297 mi). Esse ano, no entanto, foi uma terra arrasada. Tirando Detetive Pikachu, todos os filmes foram, no mínimo, uma decepção em termos de faturamento.

Uma Aventura Lego 2 passou longe do sucesso do primeiro (analisamos aqui, o porquê) e pode ter enterrado a franquia por um bom tempo. O primeiro filme arrecadou US$ 469 milhões em 2014, o segundo, apenas US$ 191 mi. Fracasso total. Já Shazam!  foi concebido como um filme de super-herói de menor escala, tanto que tem o menor orçamento entre todos os filmes lançados pela DC até agora (US$ 100 milhões). Com base nisso, já dava para entender que a WB não esperava muito em termos de arrecadação, porém, vivemos uma época na qual filmes de super-heróis arrecadam muito. Tudo bem que Shazam não é favorecido pelo selo da Marvel, o que ajudaria a atrair muita atenção, mas arrecadar US$ 363 mi é decepcionante. Talvez o filme tivesse se saído melhor se fosse lançado durante o período de ação de graças/natal, uma época na qual as pessoas estão mais sensíveis quando se trata de família, que é o tema principal do longa. O fato de Shazam! ter estreado entre dois gigantes da Marvel foi outro agravante.

Para completar o cenário arrasador, temos A Maldição da Chorona e Godzilla: Rei dos Monstros. O primeiro é mais um filme do Wanverso, originado a partir de Invocação do Mal no já longínquo ano de 2013. Os filmes desse universo estendido do terror se caracterizam por serem projetos baratos e terem alta arrecadação. Todos os filmes até agora se saíram bem sucedidos financeiramente – exceto “Chorona“, que faturou apenas US$ 121 milhões. Para se ter uma ideia, o último filme da franquia – A Freira – arrecadou US$ 360 milhões. Como o filme é barato, não deve resultar em prejuízo para a Warner/New Line. Annabelle 3 provavelmente se sairá melhor, uma vez que vai contar com participações especiais de Patrick Wilson e Vera Farmiga, casal protagonista de Invocação do Mal.

Com US$ 47.7 milhões arrecadados na estreia, Godzilla: Rei dos Monstros foi um fracasso monumental. O filme deveria ser mais uma peça no universo compartilhado de monstros da Warner Bros, que se originou em 2014 com Godzilla e culminaria com um Godzilla X King Kong, em 2020. O filme de 2014 teve uma boa estreia (US$ 90 milhões), mas não conquistou o público o suficiente para uma continuação, resultando nesse fracasso do novo filme. Godzilla 2 teve uma abertura inferior até mesmo a de King Kong – Ilha da Caveira (US$ 60 milhões), filme de 2017 que ninguém se lembra mais (apesar de ser extremamente divertido).

O segundo semestre, no entanto, parece ser melhor. Anabelle 3, IT – Capitulo 2, Doutor Sono e (talvez) Coringa compensem este 2019 até agora desanimador para o estúdio.

3. Universal

 

A Universal teve um 2019 mais animador que os rivais da WB. Como Treinar o Seu Dragão 3, conclusão da franquia de sucesso iniciada em 2011, repetiu a boa arrecadação dos filmes anteriores e acabou com um sólido valor de US$ 519.6 mi. Não seria de estranhar se a Universal desse uma de Disney e inventasse um novo episódio para continuar faturando. Já Pets – A Vida Secreta dos Animais 2 teve uma estreia decepcionante perto do seu antecessor (US$ 46 milhões contra US$ 104 milhões em 2016), mas o filme vem se mantendo bem na sua segunda semana em cartaz, pode ser que o longa tenha pernas para compensar essa abertura mais ou menos. O primeiro Pets foi um sucesso inesperado, arrecadando US$ 875 milhões mundialmente, nem o executivo mais otimista da Universal esperava algo assim. Pouco provável que o segundo filme alcance a mesma cifra, mas ainda é cedo para chamar de fracasso. Decepcionante? Sim, mas fracasso só o tempo dirá. Ainda faltam mercados importantes, como México, Brasil, China e Japão.

Quanto aos longas de terror, as coisas tem sido muito boas até. Nós, do Jordan Peele, faturou US$ 254 mi com um orçamento de US$ 20 mi e Vidro, do M. Night Shyamalan, arrecadou US$ 247 com um orçamento semelhante. O primeiro foi aclamado pela crítica e bem recebido no geral, mantendo o brilho de Peele aceso. Já Vidro foi amplamente criticado, tanto pelos especialistas quanto pelo público e o motivo principal de seu sucesso foi a boa impressão deixada por Fragmentado, em 2017. Por sorte da Universal, o filme foi feito para ser uma conclusão, o que evitou o sentimento de frustração deixado por franquias como o Dark Universe. No mais, Hobbs & Shaw será a melhor arrecadação do ano para o estúdio, provavelmente; e o musical Cats deve ganhar algum trocado, a Universal espera que tenha a mesma repercussão que O Rei do Show, da Fox, teve em 2017.

 

4. Paramount

Se as coisas estão ruins para a WB, imagina para a Paramount. Sem filmes dos Transformers e Missão: Impossível, fica complicado para o estúdio emplacar um sucesso. Não é a toa que o Tom Cruise manda ali. O maior sucesso do ano até agora foi Rocketman, biografia do músico Elton John. Apesar de amplamente elogiado pela crítica, o filme tem sofrido para repetir o mesmo sucesso de Bohemian Rhapsody e arrecadou míseros US$ 139 milhões até agora. O fato do longa ser R-Rated nos EUA também não ajuda. Já O Parque dos Sonhos e Cemitério Maldito? Fracassos retumbantes. Vamos ver como Predadores Assassinos, Dora Aventureira e o novo Exterminador se saem.

 

5. Lionsgate

Se não fosse John Wick, o ano da Lionsgate não teria nada demais até agora. A terceira parte da franquia estrelada por Keanu Reeves teve uma arrecadação digna, mas nada que chegue perto de Crepúsculo ou Jogos Vorazes, os maiores sucessos da casa. Os demais longas: Vingança a Sangue Frio e Casal Improvável tiveram bilheterias fracas, mas nem chegam perto da bomba que foi Hellboy. Deveriam ter feito um terceiro filme com Ron Perlman e Guillermo Del Toro, pelo menos teriam os elogios da crítica. No mais, o segundo semestre da Lionsgate parece promissor, com Scary Stories to Tell in the Dark, uma antologia de contos de terror produzida por Del Toro; Rambo – Até o Fim, quinto filme da clássica franquia de ação protagonizada por Silvester Stallone; e Angel Has Fallen, terceiro longa da franquia bem sucedida de filmes B de ação, iniciada com Invasão a Casa-Branca (Olympus Has Fallen), em 2013 e seguida por Invasão a Londres (London Has Fallen), em 2016.

 

6. Sony Pictures

A Sony também amargou um primeiro semestre difícil, tirando a bilheteria OK de Escape Room, que vai ganhar continuação, o resto foi uma terra arrasada. A Caminho de Casa e Miss Bala tiveram arrecadação fraca e MIB – Internacional, que deveria ser o início de uma nova franquia, morreu na praia com US$ 113 milhões arrecadados mundialmente até agora. Flopaço, ao lado de Hellboy e Fênix Negra. No entanto, o segundo semestre promete ser melhor, com as estreias de Homem-Aranha: Longe de Casa, Era Uma Vez em Hollywood, Angry Birds 2, Zumbieland 2, o reboot de As Panteras, a sequência de Jumanji e o oscarbait Little Women, com Saoirse Ronan e Emma Watson dirigidas por Greta Gerwig, de Lady Bird.

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