80 anos. Tanto tempo e ao mesmo tão pouco.

Nos últimos 80 anos, a humanidade quase se destruiu umas 5 vezes, foi ao espaço pela primeira vez, descobriu a cura de inúmeras doenças. Milhões de pessoas morreram e nasceram. Foram os 80 anos mais curtos, e ao mesmo tempo, mais longos, que a história já presenciou. O século XX ainda é e continuará sendo objeto de estudo por séculos, com tantas peculiaridades.

Mas, em 80 anos, um símbolo, um ideal, um personagem, permaneceu.

Quem diria que um ricaço vestido de morcego, publicado numa tal de Detective Comics, n°27, chegaria tão longe?

O Homem-Morcego, Cavaleiro das Trevas, Cruzado Encapuzado, o Maior Detetive do Mundo, são tantos acrônimos que é difícil escolher apenas um!

Ano passado eu escrevi um texto sobre os 80 anos do Superman, elencando os principais conceitos nos quais o personagem foi construído que passavam despercebidos do público. Esse ano, eu quero fazer algo diferente. Sem conceitos filosóficos, sem retomadas históricas, nada. A data não poderia passar em branco.

Só um agradecimento pessoal.

Agradecer ao meu personagem favorito, e que mudou minha vida.

Desde pequeno, eu achava INCRÍVEL um maluco vestido como morcego que saía batendo nos bandidos e super-vilões por aí. A minha festa de aniversário de 4 anos teve o Homem-Morcego de temática, e sinceramente, foi a minha melhor festa de aniversário de todas. Pirei quando vi Cavaleiro das Trevas no cinema, mesmo sem absorver nada do que o filme passava. Cresci, ganhei um Xbox 360, e logo no lançamento de Batman Arkham City, em 2011, comecei a jogar que nem um doido, e me apaixonei pelo jogo. Ainda é um dos meus favoritos.

Depois de um tempo, inspirado pelo jogo, resolvi passar na banca e pegar qualquer gibizinho do Batman que me chamasse a atenção, e começar a acompanhar a partir dali. Eu tinha um pensamento que só os adultos conseguiriam ler HQs de super-herói, porque eram muito sombrias e estavam há muito tempo por aí (eu não estava errado, afinal). Também só lia Turma da Mônica, como qualquer jovem pimpão. Como uma sina maldita, eu fui pegar, logo… uma HQ do Grant Morrison! Era Batman: O Retorno de Bruce Wayne n°5, lançada na mensal A Sombra do Batman n °15, no Brasil (Setembro/2011). Fazia mais de um mês que a HQ tinha sido lançada, já que o jogo mesmo foi lançado em Outubro, mas por algum motivo ainda estava na banca. Como eu disse, como uma sina. Não entendi bulhufas, mas mesmo desapontado, nos meses seguintes me esforcei para tentar acompanhar algum título do Morcego. Tragicamente eu continuei lendo HQs do Morrison, comprando justamente o Corporação Batman. Aí, eu desisti de vez.

Anos mais tarde, já em 2015, e eu sendo um jovem mais perspicaz, já tinha uma noção mais ou menos de quais eram as melhores e mais icônicas histórias do Homem-Morcego. Passando na banca, novamente, vi uma pilha de A Piada Mortal à venda. Preço acessível, leitura rápida      (e que eu conseguiria entender), não tive dúvida. Devorei. Adorei. E foi ali que tudo começou.

Com o tempo, me tornei o amante de quadrinhos que hoje sou. Hoje leio quase de tudo, desde gibis nacionais, até pirações sobrenaturais com um mago inglês cara de pau. Mas os heróis sempre permaneceram. Os quadrinhos me permitiram ter uma outra visão do mundo, conhecer pessoas incríveis, adorar um hobby e histórias como eu nunca adorei.

Ainda mais importante, eu não estaria escrevendo tudo isso aqui hoje sem ele, sem o aniversariante do dia.

Muito obrigado, Batman.

Por entreter, divertir como nenhum personagem jamais conseguiu. Por trazer ideais de justiça, honra, perseverança, inspirar tantas pessoas que acreditam nas suas crenças, e ser um herói como nenhum outro.

Um herói que não precisa voar, usar um anel mágico, ser o rei dos mares para salvar o dia. O Batman só precisa ser como qualquer um seria: um ser humano. Com suas fraquezas, maus momentos, medos e traumas. Um herói falho, que já perdeu tudo, mas continua a lutar.

Como os mitos gregos, Batman está sobrevivendo ao tempo, sendo relembrando e passado adiante por inúmeras gerações. Como Perseu, Aquiles, Ulisses, Batman está se tornando imortal. Um ícone. Uma lenda.

Que venham mais 80, 100, 200 anos, milênios, com histórias a serem contadas e pessoas a serem tocadas pela lenda.

 

Obrigado, Batman. Por tudo.

 

“Não é o que sou por dentro, e sim que eu faço, que me define.”

 

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