ATENÇÃO!!! essa coluna possui spoilers de toda a nova trilogia Star Wars.

Quando se fala de Star Wars, está falando da maior e mais bem sucedida franquia de filmes de todo o cinema, a criação sem precedentes de George Lucas foi capaz de tornar o inimaginável real, aventuras épicas pelo espaço foram capazes de conquistar diferentes gerações de fãs, se tornando tão poderosa que se expandiu absolutamente através de inúmeras outras mídias. Duas trilogias cinematográficas bem sucedidas e bilhões arrecadados, só fez com que Star Wars se tornar uma das galinhas dos ovos de ouro mais cobiçados de Hollywood, porém em 2012 a empresa Lucasfilm foi comprada pela gigante Walt Disney Studios, que não demorou em reunir esforços para tentar reproduzir rapidamente o sucesso dos filmes anteriores de Star Wars, porém a casa de Mikey Mouse não contava com a delicadeza necessária para trazer de volta essa franquia aos cinemas.

Anos após a compra da Lucasfilm tivemos o filme mais importante de toda saga, o filme que encerraria a jornada criada desde 1977, agradando varios fãs e fazendo com que inúmeros odiassem a mais recente produção de Star Wars, depois de 5 filmes (produzidos pela Disney) entenderemos o porque a Ascensão Skywalker está muito longe de ser o fechamento digno de Star Wars que todos mereciam.

Analisando de forma honesta o filme e seu contexto da enorme franquia de Guerra nas estrelas os defeitos rápido e facilmente aparecem ao longo do último filme da Saga Skywalker. O compositor John Williams graças a Star Wars pode mostrar ao mundo seu verdadeiro talento e se manter eternizado na indústria da 7ª arte e por isso que a decepção logo bate na porta, não ter uma trilha sonora marcante aparentemente não é um problema exclusivo desse filme, mas sim de todos os filmes de Star Wars pós Disney, infelizmente o mestre John Williams não conseguiu fazer absolutamente nenhuma musica nova que fosse tão marcante quanto às músicas de orquestras da trilogia clássica e nem dos cânticos de ópera da trilogia prequel, se apoiando apenas em sucessos anteriores. O mesmo pode se falar sobre as lutas de sabres de luz, as armas marcantes que se mantiveram no imaginário de gerações não tiveram o devido espaço que mereceriam, apesar de não ser um fator que estrague o filme e a saga Star Wars ter varios momentos constrangedores envolvendo lutas na trilogia clássica, é realmente triste ver que mesmo mais de 10 anos depois da trilogia prequel não houve capacidade de fazer lutas tão marcantes ou bem coreografadas quanto às do episódio 1, 2 e 3, chegando ao absurdo de criar um recurso de roteiro bobo para tentar dar um dinamismo novo aos combates que falho de forma triste, uma espécie de “teleporte mental”, para entenderem o quão ridículo é tal recurso imaginem para um personagem/espectador no universo Star Wars ver a luta sem recursos ou edição usadas no filme, ele veria dois imbecís lutando e dialogando com o nada e de repente frutas que caem aos seus pés, seria simplesmente bizarro e anti-climático, apesar de J.J. Abrams ter falado que queria seguir um caminho diferente esse caminho se mostrou ser mais bobo e tediante, não atingindo o verdadeiro potencial que lutas de seres extremamente treinados e poderosos poderiam realizar.

Para darmos continuidade ao assunto precisamos falar de bons personagens sendo desperdiçados, uma das grandes promessas e mistérios que os fãs dessa nova trilogia estavam ansiosos para ver sem dúvida seriam os Cavaleiros de Ren, grandes guerreiros mencionados desde o primeiro filme da trilogia Disney liderados pelo temível Kylo Ren, porém no filme sua insignificância chega a ser uma afronta com toda a propaganda feita para esse grupo, que só tem utilidade para andar de um lado para o outro em cenas do filme e zero importância narrativa, sem sequer uma explicação ou cena de onde eles vieram ou do porque estão lá, apesar de não serem as únicas criações da casa das ideias a serem desperdiçadas, como Caitã Phasma, Zorii Bliss, Maz Kanata, etc, os Cavaleiros de Ren foram sem dúvida o desperdício mais gritante presentes no episódio IX.

A Marvelização de Star Wars é um dos maiores problemas dos novos filmes da franquia, muito desse problema vem de uma das novas subsidiárias da Disney a Marvel Studios, que conseguiu criar um universo coeso e sucesso de público, porém estúdio pensar que se trata literalmente de um filme de super-herói, porém com tal sucesso fez com que o estúdio passasse a tratar Star Wars como literalmente um filme de super-heróis baseados em quadrinhos, sendo a Ascensão Skywalker o ápice de tudo isso, não só com momentos completamente chupinhados de Vingadores, mas também usando os clichês mais bobos e cansativos do gênero que já foram usados em filmes como Vingadores, Esquadrão Suicida, etc, como um grande raio azul no céu é um exército que cai em efeito dominó ao ter seu modem destruído. Essa banalização narrativa de um dos maiores exércitos da galáxia ser destruído com a danificação de uma antena sem sombra de duvidas não é a única banalização a ocorrer nesse filme, fazer algo em abundância antes considerado difícil é uma das formas mais tristes de se banalizar grandes feitos, pode se encontrar varios exemplos de grandes feitos que foram estragados ao longo desse filme, logo no primeiro ato vemos Poe e Finn fazerem um dificílimo feito executado por Han Solo no episódio 7 de forma completamente boba, irresponsável e sem qualquer dificuldade, como se tivesse nenhum significado, outro exemplo é Rey, mesmo sendo uma grande usuária da força disparar raios deveriam ser exclusivos de aprendizagem, treinamento e técnicas do lado sombrio, tornado os poderes e o uso da força algo completamente genético, ou até mesmo haver um raio destruidor de planetas embutido em todas as naves do novo império, tornado toda a importância e medo geradas pela clássica Estrela da Morte algo banal, mostrando o porque se deve manter os grandes feitos e os pequenos detalhes que fazem esse mundo ser o que é, mostrando que a necessidade de grandiosidade narrativa pode vir de outros lugares que não sejam reciclar ideias antigas ao melhor estilo “copia mas não faz igual” para se aumentar a escala da trama.

Tocando em outro assunto, talvez ainda mais importante para se compor um filme, sejam os arcos de personagem, o trio principal da nova trilogia diferente dos filmes anteriores não tem absolutamente nenhum arco de personagem relevante, tanto Finn quanto Poe ganham personagens de apoio para enriquecer sua trama na história, porém essas personagens introduzidas aos “85 segundos do segundo tempo” não trazem nenhuma funcionalidade real e não mudam os personagens que terminam a trama do mesmo jeito que começaram, ou seja, não há lição, luta interna ou qualquer coisa que faça tais personagens crescerem para o público, muito pelo qual isso ocorre é porque diferente de Os Últimos Jedi (apesar de todas as críticas totalmente cabíveis) esse filme não tem um significado de verdade, é aí que chegamos na personagem com arco mais bobo do filme, o arco de Rey é literalmente percorrer o filme inteiro em busca de um sobrenome para si, usando de recursos bobos de roteiro para criar uma necessidade que um sobrenome realmente não tem sobre uma pessoa, o mais triste de tudo é perceber que esse bobo motivo é o que dá nome ao último filme da saga.

A ideia orinal após a compra da Lucasfilm pela Disney era fazer três filmes que dariam continuidade na saga Star Wars, os três filmes seriam dirigidos por três diretores diferentes, mas a Disney voltou atrás após a repercussão de Os Últimos Jedi, e algo que claramente ficou cheirando mal para todos que assistiram o filme foram as brigas internas entre os pontos de vista dos dois diferentes diretores, como a origem da protagonista, ou o comportamento de certos personagens com Luke e até personagens completamente ignorados como Rose (que mesmo sendo uma das personagens mais odiadas pela fanbase de Star Wars) merecia uma conclusão, uma recapitulação de sua jornada e até mesmo momentos com seu par Finn, apesar de muitos dizerem que esses filmes não são Star Wars de verdade devido ao seu tom ou estilo, não dar continuidade e incoerências narrativas dentro da própria trilogia é realmente o que mais pesa na construção de uma história.

Tentativas e tentativas foram feitas porém algo que ninguém pode dizer que esse filme tem é coragem, já que é um filme recheado de inúmeras mortes falsas e ações sem consequências, como por exemplo a falsa morte de Chewbacca, a já apresentada no trailer “morte” de C-3PO e as varias mortes não “matadas” de Kylo Ren, como a queda violenta de sua nave, o ataque letal de sabre, a queda no buraco, todas elas para finalmente chegar de fato em uma morte, mostrando que esses filmes precisavam de mais momentos importantes e dramáticos como a morte de Han Solo, porém já tocando no próximo tópico, de que adianta se haver tais momentos como a morte de Solo não terão real consequência na trama, ReyLo é um total reflexo disso, se teve algo realmente bizarro nesse filme foi o romance de Rey e Kylo, apesar dos dois personagens terem uma conexão mística com a força, muitos espectadores ficaram incomodados com a dinâmica romântica dos personagens, sendo que é realmente muito estranho a heroína do filme beijar o vilão que tentou caçar ela e seus amigos, tentou assassinar sua mentora Leia e matou seus dois mentores anteriores Luke Skywalker e Han Solo, mostrando que as muitas vezes os criadores não deveriam se basear em criações e teorias de fãs, e se pararmos para pensar como essa jornada parece um final com uma solução besta para um personagem como Kylo, que passou todo o episódio VII em sua jornada para se tornar um vilão, porém logo em seguida todos os sacrifícios e dificílimos testes pelo qual ele passou logo não serviram de nada, mostrando que ele nunca foi um vilão de verdade, copiando assim muito da jornada de Vader, e perdendo a oportunidade de finalmente fazer uma construção vilanesca dentro do universo Star Wars; algo que se deve ser combatido é o clássico argumento usado “mas isso ocorre na trilogia clássica também”, sim a trilogia clássica não é perfeita e está longe disso, porém uma das tarefas da nova trilogia é justamente prever e corrigir esses erros que antes passavam despercebidos.

Ignorar completamente a história dos filmes anteriores talvez seja o maior defeito desse filme, já que o simples fato de sua existência pode acabar com toda a premissa do filme, um dos fatores mais importantes que acompanham as duas trilogias anteriores de Star Wars é a profecia de que Anakin seria o escolhido que destruiria os sith e traria equilíbrio a galáxia, não só isso é completamente esquecido nesse filme quanto a morte de Palpatine, que já havia tido uma morte definitiva estabelecida nos filmes anteriores, cujo o próprio criador George Lucas já havia dito com todas as palavras “Palpatine está morto”, porém se o novo filme não respeita nem a trilogia clássica quanto a ideia original apostando nas escolhas mais óbvias para os novos filmes é realmente difícil ser um final digno para a história dos Skywalker’s, dando aos heróis uma luta que já aconteceu e não criando sua própria identidade, mas se apoiando porcamente nas tramas do passado.