O saudosismo existe, não se enganem, mas isso não significa que reconhecer o lado positivo de coisas do passado seja igual a criticar, desmerecer ou “hatear” as ótimas coisas do presente, dito isso, podemos ir direto ao assunto.
Aqueles que, como eu, têm mais de 25 anos, entendem a sensação especial, a expectativa que envolvia lançamentos de filmes, séries e outros produtos da cultura pop. O acesso era mais difícil, os meios não eram tantos, a quantidade de produções era menor e, o mais importante, havia tempo para digerir e discutir cada episódio da sua série favorita.
O famigerado hype, o interesse e a expectativa em torno de algo. Algumas produções, sobretudo da Netflix, tem claramente o potencial de definir uma geração, de serem alçadas ao patamar de grandes clássicos da história, mas embora os resultados sejam bons, ainda falta algo.
Mas o que falta? Boas séries com bons roteiros e orçamentos astronômicos. Não deveria ser o suficiente? Não, não é! Aquilo que é comentado e discutido por um tempo prolongado tende a se fixar, a disputar um espaço maior no imaginário popular, a crescer e se consolidar ainda mais.
Quem se lembra de Lost (2004 – 2010) também se lembra da proporção que a série tomou, impulsionada pelos comentários, teorias, discussões e até mesmo críticas trazidas à tona toda semana, logo depois de cada episódio. O mesmo valer para Game of Thrones (2011 – 2019), que fazia milhões pararem nas noites de Domingo.

Alguns grandes clássicos da Netflix como o caso da excelente Dark (2017 – 2020), cuja trama tinha a capacidade de gerar discussões e teorias intermináveis, teve seu impacto muito reduzido pelo lançamento total de cada uma das temporadas, disponibilizando todos os episódios de uma vez.
Uma série com esse grau de complexidade, histórias cruzadas, versões variadas dos mesmos personagens e mistérios não explicados, desperdiçou a chance de criar um hype gigantesco, tudo em função do modelo de lançamento.
Num mundo em que o fluxo de informação só faz crescer, e que tem centenas de lançamentos acontecendo todos os meses, as pessoas muitas vezes nem sequer conseguem acompanhar todo o conteúdo que gostaria, impulsionado pelo FOMO, o público acaba consumindo as produções e logo se esquecendo delas em meio a enxurrada de coisas novas.
Rever o formato de lançamento parece algo importante para reforçar a conexão do público com aquilo que é consumido e, dessa forma, aumentar o eco das grandes séries e permitir que elas atinjam todo o seu potencial de impacto.
