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Zoom em Quadrinhos | Monstress Volume 1: Despertar, uma obra que encanta tanto no roteiro, quanto na arte.

Uma das grandes surpresas do Prêmio Eisner de 2018 chega ao Brasil pela editora Pixel, apresentando um fantástico mundo de magia, criaturas e paisagens esplendorosas para acompanhar um mistério envolvente que te prende da primeira a ultima pagina.

Histórias de guerras e preconceito sempre foram um grande trunfo para diversos roteiristas e artistas, sendo utilizada em diversas mídias ao longo dos anos. Um dos títulos que mais chamaram a atenção dos leitores no Prêmio Eisner deste ano foi: Monstress, que trabalha de forma eximia com este conceito e simplesmente uma surpresa para todos, considerando que esta série era praticamente desconhecida por grande parte do público, porém após lermos a edição lançada recentemente no Brasil, vemos porque ela é tão aclamada.

Escrita por Marjorie Liu (Surpreendentes X-men) e desenhada por Sana Takeda (X-23), conta a história de Maika Halfwolf, uma adolescente que sobrevive a uma guerra devastadora entre humanos e os arcânicos, em um mundo alternativo repleto de criaturas mágicas e belas paisagens. Neste meio tempo ela ainda tenta obter respostas sobre seu passado misterioso e ainda tem que despistar todos os seres que querem usa-la enquanto um demônio milenar tenta dominar seu corpo.

Esta sinopse simples e rápida é em suma toda a história, mas os nuances no decorrer desta trama são realmente sensacionais e impactantes. O roteiro não é de fácil entendimento, requer uma atenção um pouco maior do que a maioria dos títulos que são publicados hoje em dia, aonde acompanhamos junto com a personagem Maika a jornada de descoberta sobre seu passado e sobre o mundo em que ela vive. Ao mesmo tempo que ela é a personagem central de toda a trama, ela ainda serve como um instrumento de imersão criado pelas artistas para prender o leitor. O conceito de preconceito e violência contra quem é diferente é algo muito presente ao longo da narrativa, se valendo da guerra como uma justificativa para a inserção de diversas ações repugnantes.

É preciso um parágrafo a parte para falarmos sobre o fantástico mundo de Monstress, totalmente irreal e tão orgânico e único, que nem aparenta ter sido criado tão recentemente. Um ponto interessante de citar é que na maior parte da história, apenas mulheres aparecem, homens aparecem pontualmente, entretanto rapidamente. O sexo feminino rouba a cena e isso é muito legal de se ver, principalmente em uma indústria que apesar dos avanços significativos, ainda é muito sexista. A construção deste universo é perfeita, porque não é necessário muito espaço para explicar lugares e alguns modos de vida e raças que existem neste mundo mágico, deixando todas as explicações mais aprofundadas para as “palestras do estimado professor Tam Tam”, presentes no final de cada edição, para explicar os eventos que levaram até aquele ponto da história.

Mas o ponto realmente alto deste encadernado é a esplendorosa e impactante arte de Takeda, o extremo cuidado com os traços, detalhes e cores é vista desde a capa, até a última página da edição, causando cenas de tirar o folego, mesmo que elas não envolvam nenhuma ação, é uma pintura digna de ser emoldurada a cada quadro. O estilo oriental de desenho é bem nítida ao longo da história e acompanha a narrativa de forma que, em muitos momentos, a roteirista deixa que a arte guie o momento.

Monstress, ganhou cinco indicações do Prêmio Einser deste ano, que aconteceu durante a San Diego Comic Com, a de Melhor Série Contínua, Melhor Publicação Juvenil (para jovens de 13 a 17 anos), Melhor Roteirista aonde dividiu o prêmio com Tom King, Melhor Artista MultimídiaMelhor Capista e ainda ganhou o Prêmio Hugo em 2017 na categoria de Melhor Graphic History.

Se tudo isso que foi dito acima ainda não convenceu a você, que chegou até aqui, de que Monstress é uma das melhores leituras do ano, o encadernado que traz a série até as terras tupiniquins pela editora Pixel é extremante bem feita, com um capricho que você dificilmente encontra em outras títulos e o melhor de tudo: por um preço bem em conta se comparado com diversos outros títulos lançados recentemente (incluindo uma certa saga do infinito). Com toda a certeza é uma aquisição que vale a pena e dificilmente irá gerar arrependimentos.

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