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The Mound: Omen Of Cthulhu | Entre a Sobrevivência e a Loucura

The Mound: Omen of Cthulhu possui erros e acertos, mas ainda assim consegue trazer uma experiência peculiar dos mitos de Lovecraft e suas criaturas.

O maior triunfo do jogo reside, sem dúvida, na sua ambientação e em como ele traduz os contos de H.P. Lovecraft para mecânicas ativas de gameplay. A selva não atua apenas como um cenário bonito mas ela parece viva, opressiva e possui um clima de ameaça constante.

A mecânica que realmente rouba a cena é o “Sistema de Loucura” (Madness System). Diferente de jogos que usam a sanidade apenas como uma barra de vida glorificada, The Mound distorce a percepção individual dos jogadores. O limite entre realidade e ilusão desmorona, semeando a paranoia dentro do seu grupo e fazendo você questionar se o que está vendo ou ouvindo é real.

É exatamente aqui que a necessidade de cooperação funciona. O jogo te obriga a depender dos seus companheiros não só para atirar, mas para cumprir os objetivos. Como os recursos e espaços são limitados, a equipe precisa decidir quem vai segurar a lanterna nas áreas escuras, quem fica responsável pelo combate e quem vai deixar os espaços do inventário vazios para carregar os tesouros e espólios da missão. Essa dinâmica cria um senso de dependência mútua muito mais interessante do que o co-op tradicional.

Onde a Expedição Falha

A perigosa ilha de The Mound: Omen of Cthulhu.

Contudo, se a mente dos personagens está se desfazendo de forma brilhante, a jogabilidade por vezes parece já ter quebrado. A experiência mecânica é bastante travada. O sistema de combate corpo a corpo carece de fluidez e de um feedback tátil satisfatório, o que frequentemente transforma encontros que deveriam ser tensos em momentos frustrantes.

Somado a isso, elementos gráficos e de otimização também puxam o jogador para fora da experiência. Embora a floresta chilena seja visualmente fantástica nas primeiras horas, a repetição de texturas torna os mapas um tanto monótonos com o passar do tempo. Presenciar glitches de animação e problemas pontuais de performance prejudicam a imersão. Em um jogo onde o medo do desconhecido e a atmosfera são os pilares centrais, falhas visuais não são apenas bugs; são furos na própria suspensão de descrença do jogador.

The Mound: Omen of Cthulhu é um projeto de altos e baixos. Ele entende perfeitamente o que faz o horror lovecraftiano funcionar: a fragilidade da mente humana e a necessidade de se apoiar no outro diante de forças incompreensíveis. Se você tiver um grupo engajado de amigos para suportar a mecânica rígida em prol da jornada e do trabalho em equipe, a descida à loucura vale muito a pena. Porém, é inegável que a jogabilidade engessada e as inconstâncias gráficas impedem que esta expedição alcance o patamar de excelência que a sua premissa merecia.

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