Após Brainiac derrubar toda a Liga da Justiça e todas as outras super-equipes da Terra, ele inesperadamente pede ajuda aos heróis na tentativa de salvar seu planeta natal, Colu, da destruição iminente, usando a própria Terra de ferramenta para chantagear os heróis, pondo ela na mira de quatro seres gigantes que compreendem as quatro principais energias do universo: Entropia, Maravilha, Mistério e Sabedoria. Assim, os heróis formam quatro grupos organizados de acordo com a energia predominante em cada um deles. Formam-se então as equipes Mistério: Superman, Estelar, Caçador de Marte, Sinestro e Starro; Equipe Maravilha: Mulher-Maravilha, Magia, Zatanna, Senhor Destino e Etrigan; Equipe Sabedoria: Flash, Arlequina, Ciborgue, Robin e Átomo e Equipe Entropia: Batman, Lobo, Lex Luthor, Exterminador e Mutano. E assim partem os nossos heróis em uma jornada pelo universo. Achou muita coisa? Tudo bem, não é como se a atual fase de Scott Snyder na DC estivesse sendo marcada por histórias modestas e de pequeno alcance no DCU. Pra perceber isso basta ler a famigerada Dark Nights: Metal que trouxe excessos tanto positivos quanto negativos em sua narrativa acelerada. E pelo jeito a ambição do autor não acabou por ali. E assim como na série citada, Sem Justiça traz muitas coisas muito importantes que tem dificuldades de serem tratadas com sutileza em apenas quatro edições, assim a série fica mais na posição de um prelúdio para algo grandioso (se é que já não tivemos algo grandioso, aliás, nos últimos meses na DC Comics já vimos novos universos, seres colossais que poderiam destruir um planeta e nada disso pareceu impactar tanto, não que seja um problema, já que ao menos Snyder fez com que isso fosse divertido) do que o verdadeiro “algo grandioso” como havia sido prometido.

Primeiramente, Sem Justiça é sim uma aventura épica, mas o fato da própria hq já começar envolta em caos diminui o medo do leitor de que algo realmente devastador irá acontecer com o universo. Mesmo assim há um crescimento de ritmo e urgência na trama que faz a narrativa fluir e os laços entre os personagens serem construídos em cima dela. Há dinâmicas inesperadas muito boas que são possíveis apenas devido à divisão dos heróis em grupos. Como exemplo há as divertidas falas sem nexo de Arlequina ajudando o Ciborgue em momentos que ele é uma peça central na narrativa, ou também os conselhos de Lobo para o jovem Mutano e a tensa relação entre Lex Luthor e o Caçador de Marte (como é bom ver ele de volta e tendo importância, aliás). E claro, sempre é bom ver Etrigan rimando em meio a batalhas que resolverão o destino do universo. Além dos heróis divididos em grupo tentando salvar Colu, há na Terra o Arqueiro Verde tentando impedir Amanda Waller de, como sempre, tentar fazer qualquer coisa em prol do bem geral na Terra, sem se importar com consequências que possam ser sofridas pelo universo e até por ela mesma. Está aí outra dinâmica que funciona muito bem. É uma pena que haja tantos personagens reunidos para tão poucas edições, pois apesar do lado épico da aventura não aflorar totalmente, é muito divertido ver relações sendo construídas entre personagens de diferentes pólos da editora.

O roteiro de Snyder, Tynion IV e Joshua Williamson se adequa muito bem a revista, como tudo está ocorrendo de forma muito rápida a todo momento não há tempo para muitas narrações em off. Os diálogos são então muito utilizados e os personagens se comunicam frequentemente informando o leitor sobre os acontecimentos de forma indireta para que ele não se perca entre tantos núcleos, mesmo que algumas vezes isso passe do ponto e se torne expositivo. A narrativa visual criada pelos desenhos de Francis Manapul em sintonia com as cores de Hi-Fi é excepcional, todas as equipes ficam marcadas por cores que nunca são muito fortes assim como todo o resto fazendo com que a leitura desta saga praticamente cósmica não seja uma overdose de cores saturadas ao máximo e apenas jogadas nos desenhos. Infelizmente, a edição 3 sofre um desfalque muito grande com Manapul sendo substituído por Riley Rossmo (Constantine, Batman/The Shadow) e Marcus To (Hacktivist) que apesar de terem até bons trabalhos no currículo não conseguem se adequar ao nível da revista instituído por Manapul, que felizmente volta para terminar seu trabalho na saga na edição 4.

Por fim, No Justice é uma aventura de visual vibrante e cuidadoso que abre muitas portas para o Universo DC no futuro (quem sabe está vindo o momento em que Scott Snyder deixará sua marca definitiva na DC como o escritor criativo que é). E mesmo tendo uma narrativa apressada, é uma divertida leitura que mostra uma boa dinâmica de personagens e flui em sua maioria de forma natural. Ainda não há previsão de lançamento da série no Brasil.

7.5
Score

Pros

  • A leitura é muito divertida, a quimica dos personagens é perfeita para o espaço que eles tem. Desenhos e cores estão em perfeita sintonia.

Cons

  • Há muita coisa para poucas edições. A narrativa nunca chega ao máximo de seu tom épico e por vezes se torna expositiva para informar o leitor.
Roteiro
6
Desenho
8.0
Cores
8.5

Final Verdict

Sem Justiça tem vários pontos de escape que impedem que seja uma aventura totalmente épica e grandiosa, mas por outro lado é divertida e flui bem. Além de que abre muitas possibilidades para o futuro de toda a editora.