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De elenco ‘cego’ até exibição-teste desastrosa: Produtores compartilham histórias inusitadas e ‘perrengues’ nos sets de filmagens

Meu trabalho era proteger o filme a qualquer custo“, disse Graham King, produtor do filme de sucesso Bohemian Rhapsody, ao confrontar a maior crise na produção – quando, com 17 dias restantes para encerrar a fotografia principal, a Fox, o estúdio por trás do filme, decidiu substituir o diretor Bryan Singer. Ele explicou que Singer, cuja mãe estava doente, queria suspender a produção, mas o estúdio insistiu que os trabalhos continuassem.

Ele fez estas declarações durante o anual Café da Manhã dos indicados do Producers Guild of America, que aconteceu no sábado. Produtores de todos os 10 filmes nomeados para o Prêmio Darryl F. Zanuck da PGA reuniram-se no evento, realizado no Skirball Cultural Center e patrocinado pelo The Hollywood Reporter. Lucy Fisher, presidente da PGA junto com Gail Berman, moderaram o painel, no qual os produtores compartilharam histórias de bastidores que demonstram o que precisaram fazer para trazer seus respectivos filmes para a tela.

Enquanto Fisher interrogava os produtores sobre os vários desafios que enfrentavam, eles revelaram a variedade de obstáculos e acontecimentos inesperados que um produtor comprometido deve estar preparado para superar.

Bradley Cooper passou um ano trabalhando em sua voz para poder falar em um tom mais baixo que correspondesse ao de Sam Elliott, que ele queria escalar como seu irmão em Nasce Uma Estrela. Mas então, com o filme em fase de pré-produção e com uma filmagem programada para durar apenas 42 dias, parecia que as datas de filmagem de Elliott não dariam certo para trazer o ator. “Bradley ficou tipo, ‘Eu não sei se posso fazer esse filme se eu não tiver o Sam‘”, lembrou a produtora Lynette Howell Taylor. Parte da solução envolveu a construção de um set especial que pudesse acomodar a agenda de Elliott.

Já Christian Bale se comprometeu desde cedo a interpretar Dick Cheney em Vice e o diretor Adam McKay prometeu ao ator que eles não iriam fazer o filme a menos que a maquiagem estivesse perfeita. Mas, de acordo com o produtor Kevin Messick, a primeira tentativa não funcionou e então Bale passou seis meses com o maquiador Greg Cannom para aperfeiçoar o visual, algo que só aconteceu apenas no último final de semana antes das filmagens começarem, quando Bale e McKay finalmente ficaram satisfeitos com os resultados.

O produtor de Podres de Ricos, John Penotti, admitiu que quando a produção começou a procurar locações em Cingapura, descobriu que o título do filme era um problema. Apesar da popularidade do romance de mesmo nome, escrito por Kevin Kwan, o título não foi devidamente entendido pelos locais e Penotti foi questionado: “Você está tirando sarro de nós? Isso é uma piada“. (obs: o título original do filme é Crazy Rich Asians, algo como “Asiáticos Loucos e Ricos”)

No caso de Pantera Negra, um problema inesperado se desenrolou no enorme set de Wakanda, onde os guerreiros lutam contra o pano de fundo com imponentes quedas d’água, que foi construído na Geórgia. Luzes enormes foram usadas para imitar o sol africano. Porém, disse Kevin Feige, depois de um dia de filmagem, cego pelas luzes, o elenco estava sofrendo de um efeito semelhante à cegueira da neve (queimadura nas córneas causada pelo reflexo das luzes solares na neve). “Nós ‘apenas’ cegamos o elenco do Pantera Negra e 300 figurantes“, lembrou Feige, pensando consigo mesmo, horrorizado. E assim, enquanto as filmagens continuavam, elenco e figurantes receberam óculos de sol, o que, ele acrescentou, parecia muito legal.

Andrew Form, um dos produtores de Um Lugar Silencioso, admitiu que a primeira exibição-teste do filme de horror foi um desastre. Os efeitos visuais ainda não haviam sido inseridos no filme e, em vez de ver uma criatura horrível, o público se deparou com a visão da protagonista do filme e do diretor John Kraskinski, interpretando ele mesmo o monstro. E assim, quando Emily Blunt levantou uma arma para matá-lo, a platéia gargalhou. “Foi o nosso momento mais sombrio“, Form riu.

Segundo o produtor Jim Burke, Green Book foi recebido com uma exibição-teste diametralmente opsta. A Universal realizou uma exibição do primeiro corte do filme, com um pouco mais de duas horas, em um cinema de Long Beach. Os cineastas olhavam nervosamente para o auditório, já que o público parecia uma multidão fã de Velozes e Furiosos. Mas então, para seu alívio, o filme marcou 100 pontos.

Quanto à persistência necessária para levar um filme para a tela, de três a três anos e meio parecem ser uma boa média para muitas das produções nomeadas este ano. Mas para a produtora de A Favorita, Ceci Dempsey, foi muito mais do que isso – ela recebeu pela primeira vez o roteiro de especulação (um roteiro feito por conta própria, sem solicitação de um estúdio), que acabaria por levar ao filme, em 1998. Por outro lado, Infiltrado na Klan tomou um caminho muito mais rápido. “Recebemos aprovação e estávamos em produção em menos de um ano“, disse o produtor Raymond Mansfield, observando que a combinação do livro de Ron Stallworth sobre sua experiência de infiltrado na KKK, o sucesso de Corra!, do amigo Jordan Peele, e o interesse de Spike Lee em dirigir a produção contribuíram para criar o momento perfeito que transformou o filme num “pacote que era muito atraente”.

Uma vez que assumiu muitas funções em Roma – não apenas foi o produtor e o diretor, mas também roteirista, diretor de fotografia e editor – Alfonso Cuaron brincou sobre as personalidades divididas que ele às vezes habitava naquele set de filmagem. “O maior desafio foi ser o diretor. Esse foi difícil”, brincou Cuaron. “Tentei fazer o máximo possível do que a direção exigia“, acrescentou. “Houve uma conversação constante que não foi agradável“.

Fonte: Hollywood Reporter

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