Oscar 2019 | Confira nossos palpites!

A cerimônia de premiação da 91ª edição do Oscar é daqui há uma semana, e, entrando no clima da famosa premiação, decidi brincar de adivinha, assim, estou publicando esta...

A cerimônia de premiação da 91ª edição do Oscar é daqui há uma semana, e, entrando no clima da famosa premiação, decidi brincar de adivinha, assim, estou publicando esta lista de palpites de algumas das principais categorias da disputa. Se eu errar, vamos fingir que isso não aconteceu.

Durante este período que antecede a cerimônia, gosto de ler as matérias que publicam por aí sobre as opiniões dos votantes a respeito e o mais interessante de se notar é que as escolhas muitas vezes são feitas por alguma implicância pessoal com o projeto, como o cara que disse ano passado que não ia votar em Me Chame Pelo Seu Nome porque no ano anterior já haviam dado a estatueta a um filme com um protagonista gay (Moonlight), ou o outro membro que disse que não ia votar em Corra! por parecer aqueles filmes de terror “exibidos nas matinês”, um óbvio preconceito com o gênero. Lembro até de um produtor dizendo que votou em Esquadrão Suicida para melhor maquiagem e penteado porque a Margot Robbie estava “gostosa” no filme. Outros simplesmente se recusam a votar em filmes de serviços de streaming, ou se sentem obrigados a votar nos amigos e por aí vai. Os motivos são variados e a qualidade é apenas um deles.

Meu palpites são baseados totalmente nos resultados das premiações pré-Oscar e nos comentários que a imprensa divulga ao longo destas semanas. Vamos a eles:

 

Melhor Filme – Green Book

Pela primeira vez em anos, está muito difícil acertar quem vai levar o prêmio principal. Se ano passado a vitória de A Forma da Água era óbvia para todos, esse ano acredito que a metade dos indicados tem alguma chance de ganhar: Pantera Negra, Bohemian Rhapsody, Green Book e Roma. No entanto, acredito que Green Book leve o troféu. Abaixo explico os prós e contras de cada filme:

INFILTRADO NA KLAN – Prós: teve uma boa passagem em Cannes no ano passado e praticamente todo mundo desde então concordou que este é um ótimo filme sobre uma temática importantíssima, que é o racismo. Contras: Uma repórter do New York times concluiu, depois de conversar com 20 membros da Academia, que o longa caiu na zona do “É ótimo, mas não assistiria novamente”, e, dado o pouco destaque que o filme recebeu durante a temporada de premiações, acredito mesmo que essa seja a opinião da maioria dos votantes sobre o filme. Opinião: Cá entre nós, eu gostei bastante, mas também não o veria novamente.

A FAVORITA – Prós: Ganhou o ACE de melhor edição na categoria comédia e teve uma ótima recepção durante os festivais de fim ano, o que chama muito a atenção dos votantes, além disso, é uma história de uma rainha inglesa e suas duas amantes mulheres, o que é uma temática inclusiva, cuja Academia aprova. Contras: além do BAFTA, o Oscar britânico, o longa não se sobressaiu em nenhum momento. É bom lembrar que o tal BAFTA não serve bem de termômetro, dado o forte apreço deles pelo cinema local. Os filmes ingleses sempre se dão bem por lá. Opinião: Pessoalmente, ainda não assisti, mas acredito que eu vá gostar, até porque gostei bastante dos dois filmes anteriores do diretor Yorgos Lanthimos – O Lagosta e O Sacrifício do Cervo Sagrado. Uma das votantes do Oscar disse que o filme é ótimo até a metade, quando se perde e vira um drama de época comum. Veremos. No entanto, é certo que não vai ganhar a estatueta, apesar do prêmio ACE.

VICE – Prós: Não entendo este filme estar entre os indicados a categoria principal. Quero dizer, não que seja ruim, mas o longa praticamente passou batido, ninguém se impressionou muito com ele. Acredito que sua presença entre os indicados a melhor filme se deve mais ao fato de Hollywood como um todo odiar republicanos, daí o motivo de terem dado destaque a um filme que satiriza a era George W.Bush. Dos relatos que eu li de membros da Academia, o único que disse que votou em Vice o fez porque seu amigo era um dos produtores. Contras:  É um filme cheio de gente branca, mesmo com interpretações sólidas do elenco (Christian Bale foi elogiado mais de uma vez). Nada contra gente branca, odeio o politicamente correto, mas que essa é uma desvantagem para este filme na disputa, é.  Falando nisso, achei engraçado um produtor ter dito: “Somos criticados porque a maioria de nós (da Academia) é composta por velhos brancos, até os próprios membros criticam isso. Imagina um filme sobre um velho branco ganhar o prêmio principal? Seríamos crucificados“. Outro problema levantado por eles, que eu também concordo, é sobre Vice ser um filme impressionado com a sua própria esperteza e com suas tentativas de ser engraçado. Pelo visto, não fui a única que se sentiu assim sobre o filme, mas, de novo, não que seja ruim. Ele só não merece estar ali.

NASCE UMA ESTRELAPrós: Causou um barulho imenso na sua estreia, foi aclamado em todas as partes. Contras: Todo o resto. Apesar do barulho inicial causado, o filme foi sendo ofuscado ao longo do tempo e perdeu espaço para os concorrentes. Hoje, a única estatueta na qual o filme é realmente favorito é a de melhor canção, por Shallow. O resto é uma incerteza. E o que os votantes disseram? Um disse que a única coisa boa do filme era o cabelo do Bradley Cooper. Outro disse que era uma obra-prima até os primeiros 40 minutos e que a Lady Gaga é ofuscada sempre quando está em cena com Cooper, que é mais talentoso. A repórter do New York Times percebeu que vários votantes até reassistiram versões antigas, o que só fez aumentar a sensação geral de que a nova refilmagem não é grande coisa perto do que já foi feito no passado. O filme também não ganhou nenhum prêmio relevante durante a temporada de premiações. Ou seja, já era. Opinião: Só assisti a duas versões de Nasce Uma Estrela: Esta e a original, de 1937, quando passava 10 mil vezes por semana no antigo canal Futura. Lembro de ter achado a original melhor, talvez tenha essa opinião por eu ter assistido a esse filme ainda criança e, por isso, era pouco exigente, ou talvez pode ser porque a história era inédita para mim e por isso fui pega de surpresa pelo desfecho final, ou talvez a versão de 1937 seja melhor mesmo.

BOHEMIAN RHAPSODY – Prós: É um oscarbait que fez um sucesso comercial imenso e, sim, popularidade ajuda muito na competição. Também ganhou o ACE na categoria drama. Contras: Não ganhou nada de relevante durante a temporada de prêmios, exceto pelas estatuetas do Rami Malek e o ACE. De todos os indicados, foi o que teve a pior recepção crítica e tenho a impressão de que a maior parte da Academia está ciente da sua falta de qualidade. Um de seus membros disse ao NY Times que se desfiliaria da organização se o filme fosse eleito o melhor. Por incrível que possa parecer, as polêmicas envolvendo Bryan Singer não afetaram a campanha. Opinião: Bohemian, apesar dos problemas, é um filme envolvente e não seria incomum se os votantes optassem por isso ao invés da qualidade. Eu não gostei do filme. Não gosto desses longas feitos sob encomenda para ganhar Oscar. Ok, duvido que Bohemian tenha sido feito com essa intenção, mas o filme se encaixa perfeitamente em todas as características de um oscarbait. Alguns leitores podem ter achado que enlouqueci ao dizer que o filme era “envolvente” para logo em seguida dizer que não gostei. Explico: Não foi envolvente para mim, mas é um fato que conquistou muitos, o que foi o bastante para virar esse mega-hit de 2018. Vencendo o Oscar ou não, o longa foi um verdadeiro “Canto dos Cisnes” para a lendária Fox, que vai sumir e se tornar parte da Disney.

PANTERA NEGRA – Prós: Ganhou o SAG de melhor elenco e é um ótimo filme que consegue conciliar o entretenimento de massa e uma reflexão sobre discriminação racial. Contras: Muita gente pode pensar que o fato de ser um filme de super-herói pode prejudicar bastante o filme (o que pode ser verdade), mas acontece que isso é incerto. Por incrível que pareça, muitos membros gostaram bastante do longa. Um produtor até disse ao site DailyBeast que toda a equipe deveria ser homenageada e uma atriz, que também é membro da Academia, disse que votou em Pantera Negra porque, mesmo não sendo o melhor, foi um filme que permaneceu com ela de alguma forma. Agora, o que pode pesar mesmo contra o filme é o fator Disney. O estúdio atualmente é uma gigante que abocanha uma boa parte da bilheteria americana, o que despertou o incômodo dos rivais na indústria. Um produtor, que odiou o filme, disse ao NY Times que era um absurdo entregar o maior prêmio da indústria a uma produção de um estúdio que também domina com folga uma fatia imensa do mercado (“Era só o que faltava”).

ROMA – Prós: Vem varrendo todos os prêmios e Alfonso Cuarón ganhou o DGA Awards. Contra: Foi indicado em duas categorias e é da Netflix. Um produtor entrevistado inclusive falou que deixou de votar em Roma para melhor filme justamente por isso, mas que compensou votando em Cuarón para melhor diretor. Já outro produtor diz que não tá nem aí se é da Netflix ou não. Considerando que muitas pessoas em Hollywood desenvolvem longas-metragens para os variados serviços de streaming, pode ser que pensem como o produtor citado e não se importem com Roma sendo um produto da Netflix. Porém, é também verdade que muitos na indústria veem os streamings com aversão, como é o caso de Stephen Spielberg e Christopher Nolan. Outro fator que pode prejudicar a vitória de Roma é o fato do longa também estar concorrendo na categoria de melhor longa estrangeiro. Ambas as indicações podem diluir os votos da Academia.

GREEN BOOK – Prós: Ganhou o PGA Awards, o prêmio do sindicato de produtores, aborda o racismo e é um típico oscarbait. Contras: Passou a dividir atenções com Roma, longa que passou a abocanhar diversos prêmios, diminuindo o favoritismo de Green Book. Opinião: Acredito que será o vencedor, principalmente por ser “bonitinho”, pois aposta no seguro e transmite uma boa mensagem sobre empatia usando o racismo como pano de fundo, o que é algo relevante num Estados Unidos profundamente obcecado por divisões baseadas em questões identitárias. Ao meu ver, Green Book não é um filme sobre racismo de fato – apesar de ser vendido dessa forma – é, acima de tudo, um filme simples sobre a empatia. O longa está sendo vendido como algo maior do que é, o que tirou um pouco o seu brilho. No entanto, 1) ao contrário de Infiltrado na Klan e A Favorita, aposta no seguro; 2) é um oscarbait superior a Bohemian Rhapsody; 3) não é um blockbuster da Disney e 4) nãm pertence a um serviço de streaming, o que o coloca a frente dos seus concorrentes mais fortes.

 

Melhor Ator – Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

O Oscar adora transformações físicas, o que é um dos motivos para Rami Malek e Christian Bale já estarem a frente dos demais. No entanto, Malek recebeu diversos prêmios por seu Freddie Mercury e tendo em vista os relatos que li, vai ganhar de lavada. Para mim, é a pior das interpretações indicadas.

Melhor Atriz – Glenn Close (A Esposa)

De vez em quando alguma atriz consagrada, que nunca ganhou o Oscar, recebe o prêmio mais pelo conjunto da obra do que pelo papel em si. Será o caso de Glenn Close esse ano. Eu não reclamo, ela é fantástica mesmo.

 

Melhor Ator Coadjuvante – Mahershala Ali (Green Book)

O Oscar está entre ele e Richard E. Grant, de Poderia Me Perdoar?, mas Ali se destacou mais nos prêmios.

Melhor Atriz Coadjuvante – Regina King (Se A Rua Beale Falasse)

No SAG Awards desse ano, Regina não foi indicada a nada e quem levou o prêmio de melhor atriz foi Emily Blunt, por Um Lugar Silencioso. Detalhe: Blunt estava disputando o SAG com as demais candidatas ao Oscar de melhor coadjuvante. Sua vitória foi praticamente um spoiler de quem vai ganhar o prêmio no dia 24.

 

Melhor Diretor – Alfonso Cuarón (Roma)

Alfonso Cuarón vem promovendo uma limpa nos prêmios desde que a temporada começou, incluindo o do sindicato, o DGA. Ganhou o prêmio em 2014, por Gravidade e vai ganhar dessa vez, por Roma.

 

Melhor Roteiro Original – Green Book

O filme não participou da premiação do sindicato de roteiristas, mas outros oscarizáveis como Roma e Vice participaram e perderam. Considerando a história redondinha do longa, cheia de belas lições de moral, essa seria a minha aposta. Pode ser que A Favorita, que também não participou da premiação do sindicato, também tenha uma chance, tendo em vista que também teve seu enredo bastante elogiado.

 

Melhor Roteiro Adaptado – Se A Rua Beale Falasse

Todo mundo na indústria é só elogios com o trabalho de Barry Jenkins aqui. A campanha está indo muito bem e seria uma surpresa se ele perdesse.

 

Melhor Edição – A Favorita

Acredito que a disputa esteja entre A Favorita e Bohemian Rhapsody, visto que ambos ganharam o ACE Awards nas categorias comédia e drama, respectivamente. Porém, acredito que A Favorita leve porque a edição de Bohemian Rhapsody tem sido amplamente criticada pelos especialistas. Ninguém entendeu como esse filme ganhou prêmio do sindicato de editores.

 

Outras categorias:

Melhor figurino – A Favorita

Melhor Design de Produção – Pantera Negra

Melhor canção – Shallow, de Nasce Uma Estrela

Melhor Trilha Sonora – Pantera Negra

Melhores Efeitos Visuais – Vingadores: Guerra Infinita

Melhor Maquiagem e Penteado – Vice

Melhor Filme Estrangeiro – Roma

Melhor Fotografia – Guerra Fria

Melhor Animação: Homem-Aranha no Aranhaverso

Melhor Documentário: Free Solo

 

E lembrem-se, se errar, nunca aconteceu.

 

 

 

 

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