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Crítica: Santa Clarita Diet, Temporada 2 | A celebração do politicamente incorreto

Piadas sem restrições!

Estamos vivendo tempos temerosos. Ao mesmo tempo em que celebramos a possibilidade da diversidade, grupos ameaçam boicotes a serviços, como a Netflix, quando algum de seus produtos diversos não concorda com as diretrizes dos grupos (veja o que está acontecendo com a série “O Mecanismo”, de José Padilha). E, guardadas as devidas proporções, dar seguimento a uma série como Santa Clarita Diet numa época em que o politicamente correto é a regra, é realmente apostar que tem gente remando contra a maré.

Lembro que, da época do lançamento da primeira temporada, eu, que sempre fui adepto do humor negro, conversava com meus amigos e ninguém se sentia imbuído de vontade para assistir uma série onde uma mulher come carne de gente viva e passa a cometer assassinato de bandidos para matar sua fome mórbida, mesmo eu dizendo que o humor da série é fantástico. O puritanismo da sociedade, às vezes, me enoja!

Qual não foi a minha surpresa quando a Netflix soltou o trailler da segunda temporada, com mais episódios e, aparentemente, a mesma toada humorística da primeira? Bom, comecemos: realmente, a química entre a MARAVILHOSA Drew Barrimore e Timothy Olyphant é algo a ser estudado. Estes dois dominam qualquer ambiente e o timing das piadas é sensacional! Skyler Gisondo é o ponto baixo da série. Sua personagem, Eric, deveria ser o “ponto de equilíbrio” do elenco, mas, não só falha miseravelmente em tentar fazer isto, como soa, em certos momentos, exagerado, mas tem um desenvolvimento de caráter interessante, durante esta temporada e até enriquece o plot da menina Abby, vivida pela Liv Hewson, que atua como condutora dos principais plot twists da temporada. O Season Finalle, ao contrário de muitas séries, traz uma conclusão importante, interessante, absolutamente hiário e deixa um caminho aberto para uma terceira temporada.

Tecnicamente, não dá pra fazer nenhuma crítica negativa a SCD, a não ser pelo filtro verde nas cenas que envolvem Sheila (Drew Barrimore) no meio da temporada, mas que é abandonado indiscriminadamente lá pelo sétimo episódio. Uma fotografia bem competente, sem exageros, apesar de bem didática, usando luzes duras para homens e difusa para mulheres, a maquiagem perfeita, tanto para Sheila (ela tem que parecer linda, mas, ao mesmo tempo, temos que lembrar, constantemente, que ela é uma morta-viva), quanto para a cabeça de Gary (cara, o que foi aquilo???) e, mesmo, para a caracterização da rebelde Abby, a direção de arte muito competente (poucos cenários, mas muito competente, especialmente no figurino e continuidade), tudo mantendo a nossa atenção exclusivamente no enredo, que é rico, e nos diálogos, que são o ponto alto da série.

Vale muito a pena maratonar, especialmente porque são poucos episódios e curtos, ainda, o que facilita demais o procedimento! Só não recomendo assistir durante as refeições, porque momentos nojentos acontecem sem o menor aviso. Ah! E, se você é do “politicamente” correto, esta série, definitivamente, não é para você.

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https://www.youtube.com/watch?v=J4zP2I0PkUE

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