O Pintassilgo é um romance da escritora norte-americana Donna Tartt, ganhador do Prêmio Pulitzer de ficção em 2014, adaptada agora para os cinemas pelas mãos do diretor Jhon Crowley (Brooklyn) e produzida pela Amazon Studios. Ainda que os serviços de streaming tenham dado cada vez mais espaço para obras um pouco menos comerciais, entregando obras simplesmente espetaculares, este filme nos entrega um drama muito bem construído, mas que se impede de inovar ou ousar.

O filme conta a história de Theo Decker, um garoto dócil, que é vítima de um atentado, aonde perde a sua mãe e rouba uma obra de arte renomada, que se torna o símbolo de seu trauma ao longo da trama. Ao ser adotado pela sua tia, rapidamente é levado pelo seu pai para Las Vegas aonde após uma série de traumas, ele acaba voltando para a cidade de Nova York, aonde ingressa na carreira de falsificador de obras.

O elenco composto por Ansel Elgort (Baby Driver), Oakes Pegley (Meu Amigo Dragão), Aneurin Barnard (Morto Em Uma Semana (Ou o Seu Dinheiro de Volta)), Finn Wolfhard (Stranger Things), Sarah Paulson (Vidro), Luke Wilson (Minha Super Ex-Namorada), Jeffrey Wright (Westworld) e Nicole Kidman (Os Outros), é brilhante, dentro da proposta apresentada pelo roteiro e pela direção, apesar de muitos momentos aparentar que suas atuações são engessadas, impedindo algo mais visceral, tanto do núcleo mirim, quanto do adulto.

A direção competente de Crowley, entrega cenas belíssimas e uma fotografia igualmente espetacular. Todo o cenário e o figurino é colocado em tela para passar a sensação de tristeza e invisibilidade, temas recorrentes da trama a todo o momento, até mesmo quando o personagem central se torna um adulto lindo e bem-sucedido, apesar de ser constantemente perturbado por seus traumas, ameaças e um relacionamento instável. Tudo isto complementa ainda mais na imersão da obra, o que seria uma coisa boa se o roteiro se permitisse ir mais além.

Apesar de entregar uma trama muito bem construída e emocionante, o roteiro não consegue sair dessa esfera de comodismo, dos filmes de drama atuais, caindo numa fórmula de mesmice, trilhando caminhos comuns e previsíveis para a maior parte dos personagens e impedindo a obra de alcançar o seu potencial máximo. Rendendo algumas surpresas e um respiro na última meia hora.

O Pintassilgo é um lindo filme de duas horas e meia, que emociona, mas sua mensagem e beleza se perde dentro de sua prisão auto imposta, resultando em uma sensação de potencial perdido lembrada a todo momento, mas que ainda assim vale muito o ingresso se procura por algo mais sensível.

8.0
Score

Pros

  • Direção competente;
  • Fotografia belíssima;
  • Atuações excelentes;
  • Emocionante e interessante;

Cons

  • Roteiro nada inovador;
  • O filme se prende muito dentro de sua própria história;
Direção
7
Roteiro
5
Fotografia
9
Atuações
9

Final Verdict

Apesar de tudo, o filme é muito bom em sua proposta, conseguiu me prender a cada momento, mas quando acaba, não deixa de passar a sensação de que poderia ter sido melhor.