Smallville, Gotham e a futura Metropolis, citando apenas estas três series já dá para perceber que não é de hoje que prequels são feitas, mesmo assim ainda hoje estão em alta e não prometem ir embora tão cedo. A maioria tem como objetivo expandir um universo para que se desenvolva um personagem já conhecido desde seu cerne ou para que se apresentem novos personagens que façam sucesso entre o público. No caso de Krypton a série segue o jovem Seg-El, vô do amado herói Superman, e como se passa muito tempo antes do surgimento de herói o esperado é que a série se apoie nestes novos personagens desconhecidos do público, por fazerem parte apenas do passado de Krypton. Assim, a série tem o papel de introduzir e aproximar estes personagens do público, já que os únicos com que é mais fácil o público já ter tido algum contato são Brainiac e o herói Adam Strange.

Como motivação dramática inicial nós temos um acontecimento que se passa 14 anos antes da trama principal. A condenação de Val-El, vô do jovem Seg-El à morte. Aqui já são apresentados alguns elementos até bonitos da atmosfera de Krypton, artisticamente a série consegue disfarçar um pouco sua limitação de orçamento com cenários bem feitos, embora os efeitos especiais não sejam dos melhores. Quando a história é levada para o futuro o esperado é que a série dê a Seg-El o que se esperaria do herói da série após ver seu avô ser morto, um senso de justiça de forte que luta pelo nome da casa El, mesmo que esse já não seja tão importante. Mas o que vemos é um protagonista inconsistente e incrivelmente estupido que ou age com socos e chutes ou como se não estivesse entendendo nada da situação em que se encontra. Cameron Cuffe também não se preocupa em melhorar o que o roteiro deu para seu personagem, e então temos um personagem ruim com uma atuação sem entrega emocional, é difícil sentir algo pelo personagem mesmo nos momentos mais tensos do episódio. Que bom que há ainda alguns personagens que parecem promissores neste primeiro episódio, como Lyta Zod, interpretada por Georgina Campbell de Black Mirror, sua dinâmica com sua mãe é algo que pode ser muito bem explorado no futuro, apesar de que também não ganhe muito espaço neste episódio.

Tirando a intromissão de Adam Strange na vida de Seg-El o alertando sobre o perigo que se aproxima, a série trata muito mais sobre a própria Krypton do que sobre o grande herói que surgirá neste planeta, isso é bom já que ficar apenas preparando uma história para o futuro só porque ela promete um grande herói sem realmente oferecer algo concreto não séria algo viável, ainda mais quando a linha do tempo da série se passa duas gerações antes do grande herói. Mas o problema de Krypton é que a trama parece não ter algo de realmente instigante quando não está focando em Seg, tudo parece muito gratuito e mesmo quando o foco é ele a série depende de coincidências ridículas para se desenvolver. O bom seria se assim como em outra série do canal SyFy, The Expanse,  tivéssemos uma relação dinâmica sendo mostrada. Classes oprimidas, um governo problemático, tudo isso é mostrado de forma muito interessante na referida série e como Krypton se trata de um planeta seria muito bom termos este modelo utilizado na história, vermos a cultura daquele povo, sua situação econômica, o que faria que nos apegássemos mais a trama. Mas isso, infelizmente, não é o que acontece neste primeiro episódio que se retrai em personagens principais e secundários em uma história nem tão complexa quando poderia ser se centrada em uma sociedade alienígena convincente.[rwp_box id=”0″]