Crítica: Krypton 1ª Temporada | Mesmo irregular, série mostra visão interessante sobre o planeta do Superman

Veja o que achamos da série que mostra a jornada de Seg-El, vô de Kal-El tentando salvar Krypton da ameça da Brainiac....

Krypton veio com a proposta de ser mais um prelúdio para a história de algum herói que já conhecemos (não é como se essa fosse uma ideia muito original, mas é um tipo de narrativa que está muito em alta atualmente, vide Solo: Uma História Star Wars e outra série da DC, Gotham) e após um começo com vários pequenos problemas seguido de mais nove episódios a 1ª temporada da série chegou ao fim. A série conta a jornada de Seg-El, vô de Superman, na tentativa de salvar Krypton do ameaçador Brainiac. Surpreendentemente, nestes dez episódios que se seguiram a série provou ter até força para uma narrativa que não se preocupe apenas em contar a história dos antepassados do Superman, mostrando muitos bons personagens e adicionando muitas novas informações sobre a organização social e política de Krypton. Na verdade, o fato de Krypton ser uma narrativa que já conhecemos e da qual nos importamos apenas devido ao seu resultado (o nascimento de Kal-El e sua vinda para a Terra) até atrapalha as decisões que a série poderia tomar pois isso impediria os eventos seguintes já muito bem estabelecidos no universo DC de acontecerem, por isso as vezes ela precisa desacelerar as formas como as coisas estão indo, o que pode resultar em inconsistências no roteiro, principalmente relacionadas a viagem no tempo. Mesmo assim, a série não consegue se provar em todos os momentos necessária recorrendo também a personagens conhecidos do público que tem sim o potencial de desenvolver um arco interessante, mas prejudicam a trama quando fazem ela tomar caminhos mais complexos do que o necessário.

Há também uma irregularidade no modo como a série se desenvolve, as vezes pisando no acelerador exageradamente. Pois embora a série nunca fique lenta ou desinteressante, as vezes ela fica muito rápida e o senso de urgência que move a trama acaba sendo tirado de foco. Além da irregularidade na trama, há também irregularidades nos personagens que acabam ao longo dos episódios tomando decisões que não tomariam em um momento anterior, o que seria justificável caso isso fosse o resultado de um processo de desenvolvimento de personagem, mas na maioria das vezes esse processo ocorre tão rápido que os personagens parecem apenas papeis necessários para algum acontecimento do roteiro. Isso acaba influenciando também nas atuações, como é o caso de Georgina Campbell no papel de Lyta Zod que se torna uma personagem cansativa e desinteressante nos últimos episódios da série, mesmo tendo atuado muito bem nos primeiros episódios desenvolvendo um bom arco ao lado de Ann Ogbomo que interpreta a mãe da personagem. Além de Lyta, o roteiro também subutiliza personagens como o de Shaun Sipos e Rasmus Hardiker, respectivamente Adam Strange e Kem. Apesar disso, há ainda personagens que se mantém em constante crescimento durante o decorrer da série, como é o caso de Nyssa Vex, papel de Wallis Day que apresenta um charme misterioso a personagem e até mesmo Cameron Cuffe, que começou mediano na série acaba convencendo como Seg.

Sobre Brainiac, o principal vilão da temporada, a série promete o personagem o máximo que pode durante o decorrer dos episódios. Mas no fim é… no máximo interessante. Aliás, não se pode desprezar que é a primeira vez que vemos o personagem na tela e interpretado por um ator até competente em passar a imagem de um ser ameaçador (Blake Ritson), mas ao fim da temporada tudo o que ela prometeu parece muito pouco, até o vilão aparece por muito pouco tempo e entra pouco em ação. Mas quanto a caracterização, não se pode reclamar, a série faz o melhor que pode no personagem e se sai muito bem. E esse aspecto positivo é reforçado em alguns momentos pela fotografia que põe o vilão em foco e destaca sua imponência em meio ao caos reinante. Para alguns momentos serem melhores, só faltava uma trilha sonora mais inspirada, pois a da série acaba sendo muito monótona e em nada condizente com o crescimento de tensão na trama. E além do êxito da fotografia em retratar Brainiac como um vilão ameaçador, ela também se sai bem em caracterizar seus núcleos pelo uso de cores em certos episódios, o que resulta em um visual até cuidadoso que destaca o vermelho e o amarelo, além de ainda conseguir uma atmosfera soturna quando mostra a cidade de Kandor. Assim Krypton, mesmo tendo uma bela identidade visual de acordo com os limites do orçamento, não foge de erros comuns em séries que narram um evento anterior ao nascimento de um grande personagem, mas ainda cria ganchos e bons arcos o suficiente para que se necessite de uma segunda temporada e a série possa aumentar seus acertos enquanto repara seus erros.

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