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Crítica: Eu Só Posso Imaginar | Um filme gospel bom até pra quem não acredita

Um filme gospel bom até pra quem não acredita

Existem filmes gospel que são feitos para satisfazer fiéis. E existem histórias que são universais. Foi o caso de “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge, 2016) e é EXATAMENTE o caso de “Eu Só Posso Imaginar” (I Can Only Imagine, 2018).

Os irmãos Erwin, diretores conhecidos por sua carreira em filmes gospel, não poderiam ter escolhido música melhor para investigar sua criação. Realmente acertaram na mosca. E fizeram uma bela cinebiografia, bastante emocionante, do compositor e intérprete da música, o vocalista da banda Mercy Me, Bart Millard. Um cara que teve uma vida complicada, cheia de problemas: seu pai era bastante severo com ele e batia em sua mãe, que acabou fugindo de casa com outro homem, deixando Bart para trás. Para piorar, o pai de Bart era um desiludido com a vida e sempre forçava o garoto a “aprender” que sonhos não levam a nada e que ele deveria se manter na “realidade” das coisas. Mas Bart foi adiante e, depois de descobrir que não poderia jogar futebol americano, descobriu o dom do canto e seguiu seu sonho de ser conhecido por isso.

Apesar de ser carregado de momentos emotivos daqueles bem piegas, “Eu Só Posso Imaginar” é uma cinebiografia bastante competente, pois não é burocrática. Não há uso de recursos pobres de roteiro e tudo o que nos é apresentado em tela é relevante e leva a trama à frente, num exercício de roteiro muito competente. A direção também é primorosa e o uso da linguagem colabora demais para o humor que os diretores querem transmitir. A montagem é a competência menos exigida no filme, mas a direção de fotografia é linda. O uso de practical lights e texturas para compor a tela e a luz dura das personagens são algo bem incomum para filmes do gênero e merecem bastante uma boa citação. Preste atenção à sequência em que Bart senta no porão e começa a ler seu diário. Outra boa nota é pela boa química e excelentes atuações de Denis Quaid e J. Michael Finley.

 

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