Crítica: Cargo | A Netflix brincando de zumbis

O curta que viralizou na internet, agora recebe seu próprio filme, com Martin Freeman...

Que a Netflix sabe fazer séries, todos sabemos. Algumas geniais, muitas muito boas, algumas outras nem tanto, mas é fato, também, que o serviço de streaming não tem o mesmo índice de sucesso em filmes. Fora o genial Okja e alguns bons documentários, poucos longas da empresa REALMENTE empolgam o espectador e já está começando a ficar desanimador confiar em filmes originais Netflix. Mas, por um acaso, Carga é uma excelente surpresa!

Talvez pela grande performance de Martin Freeman (nosso querido e eterno Arthur Dent / Bilbo Baggins / Dr. John Watson / Agente Ross, desta vez, interpretando o pai protetor Andy). Talvez pela exuberante paisagem australiana. Ou seria pela boa direção da dupla Ben Howling e Yolanda Hamke? Talvez por tudo isto, mas muito provavelmente graças ao bom roteiro de Hamke, que teve algumas boas ideias para contar a jornada deste pai em busca de um(a) gardiã(o) para sua filha.

Ideias como o kit de procedimento para pessoas infectadas pelo suposto “vírus” que transforma pessoas em zumbi e o folheto que explica as etapas da transformação. Como Carga é um filme, e não uma série, não haveria tempo para mostrar um novo mecanismo que diferenciasse Carga de outras histórias com zumbis. As soluções de roteiro encontradas são muito eficazes. A paisagem desértica da Australia também ajuda para baratear a produção, pois, distante de grandes centros urbanos (não que a Australia não os tenha), menos figurantes caracterizados de zumbis são necessários. A economia em recursos visuais também ajuda.

Outra grande sacada do roteiro é tratar aborígenes como um povo mais sábio, apto e safo para lidar com um apocalipse zumbi do que os brancos. Mostrar que haverão os espertos também é uma grande sacada e transformar a jornada de Andy em uma corrida contra o tempo adiciona uma tensão à trama.

O cenário também nos entrega a possibilidade de quadros muito bonitos e a direção de fotografia foi muito competente neste aspecto. A paisagem árida e a escassa ocupação humana do interior australiano ainda cede à direção de arte um prato cheio para um plot pós-apocalíptico. A montagem tem um bom tempo, favorecida pela escassez de diálogo e o número reduzido de zumbis ainda transforma cenas de ação num evento raro do filme.

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Sou um profissional de foto e vídeo no mercado desde 2007. Minha graduação é em Imagem e Som, pela Universidade Federal de São Carlos, sendo especializado em Direção de Fotografia e Produção. Tenho pós-graduação em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo SENAC-Rio (EAD) e curso de Filmmaking pela New York Film Academy. Hoje, além do meu trabalho como freelancer de Foto, Vídeo e Ilustração, ministro aulas em cursos livres dentro da área de audiovisual na Impacta Treinamentos.

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