“Adaptação de Mangá para cinema não dá certo”, diria o fanboy mais desanimado, quando lembra das recentes adaptações de Dragon Ball e Ghost in The Shell (o último, com críticas bem discutíveis, mas fato que foi um fracasso de bilheteria). Ainda mais quando se usa uma temática cyberpunk, que é de uma compreensão mais limitada pelo grande público. Mas Alita já começa, com seu primeiro filme (porque haverão outros), a reescrever mais uma de várias “opiniões de rótulo pré-fabricadas”, apresentando um filme decente e bastante divertido.

James Cameron é um dos grandes nomes de Hollywood e, ao contrário de seu amigo, Steven Spielberg, não “perde tempo” fazendo filmes “cabeça” e, sempre que coloca as mãos em uma produção, pode ter certeza que é um arrasa-quarteirão, daqueles memoráveis. E Alita é exatamente isto: com produção de Cameron e direção de Robert Rodriguez, o filme traz uma aventura cyberpunk bastante divertida, com dimensões gigantescas.

O roteiro conta a história de uma androide, Alita (a boa Rosa Salazar), que é resgatada por um engenheiro (o GENIAL Christoph Waltz) num lixão, que a empresta um novo corpo, para devolver-lhe a vida. A robô, de aparência jovem, é uma máquina de combate rebelde sem memória e acompanhamos sua jornada para recuperá-la e retomar sua missão. O roteiro é bem leve e fácil de acompanhar, a protagonista é carismática e tem espírito jovem e, apesar de termos alguns clichês de cultura japonesa, vilões carismáticos levam a história à frente, trazendo uma estrutura bastante, até, ocidental, ao roteiro, que não deixa de ter a cara de algo vindo do Japão.

Confesso que os olhos grandes da protagonista me pareceram um preciosismo exagerado, mas ele pouco incomoda. A computação gráfica tem a marca das produções de Cameron e ajuda bastante o público com a suspensão da descrença, além de deixar a gente com aquele gostinho de “quero mais”, numa provável sequência, de expanção deste ainda microcosmo onde a história acontece.

Apesar de uma visão de futuro um pouco longínqua, para você, que gosta de apostas tecnológicas da ficção que, um dia, possa se tornar realidade, vá aos cinemas e assista. Vale MUITO a pena.