Alguém Como Eu | Crítica

Comédia romântica nacional estrelada por Paolla Oliveira e Ricardo Pereira, desagradou críticos, mas contém boa lição.

Você já esteve insatisfeito com algo em sua vida? Mesmo estando tudo bem, nunca sentiu que faltava algo? Seja amorosamente, ou financeiramente ou de qualquer outra forma, muitas vezes sentimos que nossa vida precisa de uma mudança, e é exatamente isso que “Alguém Como Eu” apresenta.

O roteiro do filme logo nos apresenta a Helena, a personagem de Paolla Oliveira, que apesar de ter uma casa incrível, um ótimo emprego e amigos sente que está faltando algo em sua vida. Amorosamente nada vai bem, já que ela constantemente leva “bolos” de seu paquera, e isso deixa Helena cada vez mais frustrada. Certo dia em um golpe do destino ela decide viver em Lisboa, com um cargo novo e um apartamento mais modesto que sua casa no Brasil. É em Portugal que a história realmente desenrola e que Helena finalmente conhece o bonitão Alex, muito bem interpretado pelo ator Ricardo Pereira que além de boa atuação possui uma química incrível com Paolla, e a partir daí um romance entre eles se inicia. Parece clichê, não? Sim, e realmente é. Mas os clichês podem ser ignorados se focarmos no que mais importa: as fases de um relacionamento. Todo relacionamento começa da forma mais linda possível, e o de Helena e Alex não é nada diferente disso, eles constantemente transam, riem e saem juntos, é uma diversão sem fim. Mas logo os primeiros problemas surgem, problemas simples é verdade, mas que para Helena acabam incomodando muito. Alex dar um beijo em sua testa incomoda, Alex querer chegar do trabalho e ver o futebol incomoda, mas a verdade é que para ela, Alex não era mais tão interessante como no começo. O interessante disso é analisarmos a personalidade da protagonista, que se irrita com situações cotidianas normais e com isso acaba irritando o telespectador, que muitas vezes não se dá conta de que é exatamente igual a ela. O estudo de personagem que Leonel Vieira faz em seu trabalho é bem notável, ainda que ele deslize em vários aspectos de sua direção, consegue nos fazer sentir bastante tédio da Helena, e ainda assim acabamos simpatizando com ela, seja pelo carisma de Paolla Oliveira ou porque sabemos que todos temos essa insatisfação interna. Mas a verdade é que ela é realmente implicante, chata e mandona, e sem perceber isso comete o erro de desejar a Deus que seu parceiro Alex fosse igual a ela, aí que obviamente surge o título do longa. E é neste exato ponto que esta comédia romântica perde sua força, e o roteiro que poderia focar em um drama de fases de relacionamentos, e na insatisfação que o tempo acaba nos trazendo mesmo tendo tudo que desejamos, decide focar na comédia e trazer uma versão feminina de Alex, interpretada de forma bem enfadonha por Sara Prata. E mesmo Julia Rabello surgindo como alívio cômico fica quase impossível não se entediar pelas partes em que Helena enxerga Alex como uma mulher, porque além de não conseguir aprofundar na questão mais importante, que seria ela vendo o quão chata era por estar justamente com alguém como ela, o diretor tenta em diversos momentos arrancar risadas dessa situação inusitada, e apesar de conseguir fazer isso em certos momentos, desvia do foco e faz o longa ser apenas mais uma comédia romântica comum e clichê.

A fotografia é bem bonita, com belas paisagens portuguesas, trilha sonora leve e marcante e uma boa atuação de Paolla Oliveira me fizeram achar “Alguém como Eu” um filme bem acima da média nacional. Mas a verdade é que apesar de eu ter me divertido e até gostado do longa, eu entendo a crítica e público não terem se identificado tanto assim com ele. Porque mesmo com todo seu potencial acaba sendo apenas mais uma comédia nacional, que em nada acrescenta aos menos atentos, mas como comentado se você for um crítico mais atento e prestar bem atenção verá uma lição bacana nesta história. Não criticar tanto nossos parceiros ou amigos, porque se eles virassem pessoas iguais a nós, iríamos os suportar? Paolla Oliveira e sua Helena com certeza aprenderam que não.

Alguém Como Eu
6.7
Alguém Como Eu
  • Roteiro
    5
  • Direção
    5
  • Fotografia
    8
  • Trilha Sonora
    7
  • Enredo
    5
  • Atuações
    10
Categorias
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Nascido no Rio Grande do Sul, com 24 anos, empresário e estudante de letras, Giovani tem paixão por cinema e TV e planeja escrever no futuro. Apesar de já ter escrito um livro, ainda não lançado, ele planeja ingressar nessa carreira de escritor, além de crítico de cinema, e dar aulas de português para crianças.
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