Título: Super Mario Odyssey
Desenvolvedora: Nintendo
Distribuidora: Nintendo
Plataformas: Nintendo Switch
Gênero: Plataforma

Super Mario Odyssey começa com o já clássico grito da Princesa Peach, clamando por socorro ao seu amado, frente a um novo rapto do vilão Bowser. Porém, a situação agora parece ainda pior, já que não foi apenas Peach que sofreu com o inimigo. Mario começa a aventura vencido pelo oponente, com sua clássica boina rasgada e jogado em um mundo cinza, abatido e sem vida. O clima é de derrota completa, algo bem juão Paulo.  O ambiente ruim, porém, dura pouco. Nosso herói azul e vermelho encontra salvação na figura de Cappy, um misterioso aliado em forma de chapéu com consciência – e olhos! – que propõe unir-se a Mario, assumindo forma de sua nova boina para também salvar sua querida, raptada junto com Peach. A dupla parte com um objetivo único, mas para isso terão de passar por mundos diversos e com vários desafios.
Como sempre, a história de um Super Mario é contada em apenas um punhado de cenas. Ao longo do jogo, vamos descobrindo mais sobre o rapto de Peach e sobre os novos aliados de Bowser, bizarros coelhos que usam chapéus mágicos – mas não há nada muito mais além disso. A narrativa singular da Nintendo, sem usar quase nenhuma linha de diálogo, é o que brilha neste tipo de game.

A jornada ao redor do globo, atravessando seus mais de 16 mundos com suas cidades únicas e belas, é um trabalho de arte e design primoroso, uma aula que a Nintendo dá há décadas. Agora, com cabeças frescas na direção, a empresa consegue expandir a criação de Shigeru Miyamoto para muito além do que imaginamos. Tudo isso ao mesmo tempo em que mostra um cuidado todo especial com o Mario, sua essência e todas as características que fazem de um game Super Mario um game Super Mario.

São inúmeros desafios e quebra-cabeças que são simples, mas muitas vezes nos obriga a quebrar a cabeça para realizar os comandos necessários para chegar a determinadas partes e conseguir os itens necessários — no caso, as luas. Já no quesito segredos para desvendar, uma das melhores surpresas que os games da série nos proporcionam, Odyssey também tem aos montes. É uma satisfação muito grande encontrar luas a todo o momento, resolver puzzles e encontrar um local secreto atrás do outro.

As luas são os itens necessários para fazer você avançar no game e abrir novos mundos. Elas são o combustível da Odyssey, a nave em forma de chapéu que transporta o herói pelo universo, e estão espalhadas por todos os lugares possíveis. E é na maneira como você vai encontrá-las que observamos o tal do “selo Nintendo de qualidade”. Odyssey, diferentemente de outros jogos da franquia, apresenta tutoriais tradicionais apenas para explicar o que você pode fazer com os joy-cons. De resto, você aprende sozinho jogando. O nível de dificuldade é crescente, com luas que podem ser adquiridas ao dar “bundadas” no chão em locais específicos, outras que exigem um certo malabarismo e, ainda, algumas que só surgem após o enfrentamento com um chefe. Claro que você pode voltar a todas as fases e coletar as que faltaram, principalmente depois de você pegar o jeito de jogar com Mario. O que quero dizer é que o nível de dificuldade aumenta a cada novo mundo que visitamos.

Cada reino apresenta sua peculiaridade e desafio, e foram feitos com um cuidado técnico sobre-humano. Não há nada fora do lugar, nenhum defeito que salte aos olhos. Tudo é lindo e bem cuidado, com um carisma incrível, que dá vontade de viver lá dentro.

É incrível essa habilidade da Nintendo em criar mundos novos que nos parecem imediatamente familiares. Tudo que está lá tem um propósito e acredite, você vai investir muito mais tempo depois de terminar o game, explorando cada canto e descobrindo os segredos para encontrar as tão necessitadas luas.

Tudo bem também que estamos falando de um game do Mario em mundo aberto muito similar ao que vimos em Super Mario 64 — muitos dizem que ele é um sucessor, ou uma sequência direta, desse clássico –, o que permite a total exploração de fases de diferentes tamanhos e estilos. O que todas têm em comum é que vão, de alguma maneira, exigir que você utilize todas as habilidades do herói, seja com saltos triplos, à distância, mortais, cambalhotas e, claro, usando o novo companheiro Cappy.

Uma grande homenagem de Odyssey à história da franquia Super Mario está nos momentos em que o bigodudo entra por um cano e volta ao visual pixelado de sua estreia original de 1985. Nesse momento, até a música do novo game pode ser ouvida em versão 8-bit (e Mario e suas roupas novas entram no mesmo barco).

A palavra-chave é “Cappy”, o companheiro em forma de chapéu que vai acompanhar Mario ao longo desta odisseia pelo planeta. Cappy tem um poder muito especial, o de “possuir” os vários inimigos que vão aparecendo. É uma ideia que, apesar de parecer relativamente simples, resulta maravilhosamente na prática. Era disto que a série estava a precisar para escapar a monotonia. Obviamente que Mario continua a ser a personagem central, mas a possibilidade de controlar outras personagens deste universo traz diversidade e desafios criativos.

Cappy não é a única grande novidade. Super Mario Odyssey é como se fosse uma aventura, quebrando os moldes dos seus antecessores. As plataformas e os saltos controlados continuam a ser uma parte essencial da experiência, mas cada zona visitada tem mais personalidade e parece “mais viva”. A área que transmite melhor esta sensação é New Donk City, uma cidade claramente inspirada em Nova Iorque. Há carros nas ruas e personagens com falas simples mas bem humoradas, um grande passo em frente face aos mundos praticamente estéreis de jogos anteriores.Se já alguma vez jogaram um Super Mario, já sabem qual é a história. O temível Bowser raptou, novamente, a princesa e desta vez quer dar o nó de vez ao casar-se com ela. Isto é a desculpa para a odisseia, que na verdade é mais uma perseguição. Bowser vai passar por vários reinos para planear o casamento perfeito e espalhar o caos pelo caminho. Em cada reino há algo importante para o casamento, como flores lindíssimas ou um bolo divinal. Enquanto Bowser deixa um caminho de destruição, Mario passará por cada um destes reinos seguindo o rasto e salvando o dia Super Mario Odyssey muda completamente a forma de jogar “Mario” e nos coloca em um ambiente mais aberto, sem fases delimitadas, e com novos poderes incríveis.