Written by 21:18 Crítica, Criticas, HQs/Livros | Criticas

Zoom em Quadrinhos | X-men: Inferno vol.1 – Um lindo encadernado que transpira inutilidade.

Uma das sagas mais aclamadas pelos fãs dos mutantes finalmente chega ao Brasil em um encadernado de formato invejável, mas que após a leitura deixa um gosto amargo na boca.

Os anos 90 foram tempos conturbados para os quadrinhos, com a chegada da Image e um apelo cada vez maior do público por super-heróis mais “sombrios”, as editoras se viram diante de um impasse: continuar com a visão otimista e bondosa dos heróis que foi construída durante décadas, perdendo assim uma boa parcela das vendas ou então aderir ao status quo da época e transformar os heróis totalmente dark e violentos.

Apesar disso, a DC Comics conseguiu se sair bem na época, trazendo arcos de qualidade irrevogável para os fãs, muitos dos quais, perduram as consequências até hoje. Diferente da Marvel que ruiu em torno de si mesma, com sagas deploráveis e mensais piores ainda, o único título que parecia sustentar a editora na época, era: X-men, que foi desmantelado para vários times, como visto neste encadernado.

Escrito por uma série de roteiristas e uma variedade ainda maior de desenhistas, a história se passa após os X-men terem sacrificado suas vidas para fechar um portal interdimensional que ameaçava a cidade, sendo declarados mortos, porém eles apenas aproveitaram a comoção para permanecer escondidos e atacar os vilões usando o elemento surpresa. Os X-factor, equipe liderada pelo Cyclope, após salvar Nova York da ameaça do Apocalipse, eram considerados celebridades pela mídia, se tornando os queridinhos da cidade. Sorte que não recaiu sobre Os Novos Mutantes, que após uma saraivada de mortes, estavam lidando com o luto cada uma a sua maneira, até que Illyana se transforma na rainha negra do Limbo para matar Forge por ser o causador da morte do seu irmão e de seus amigos.

Este primeiro encadernado transparece o ar de inutilidade, com diversos arcos aparentemente aleatórios que não servem para nada mais do que o formato “vilão do mês” e com direito a algumas aventuras de natal da equipe. A leitura, talvez culpa do compilado de três títulos diferentes com histórias a parte, tem uma quantidade massiva de informações, tornando a leitura da obra cansativa e morosa, sem contar que quando parece que vai engrenar em alguma coisa, ela acaba tão abruptamente quanto começou.

Das três séries mensais presentes nesta obra, a única que aparenta ter um roteiro mais original é The New Mutants, aonde Chris Claremont (X-men: Dias de um Futuro Esquecido) trabalha de forma excelente o luto dos personagens e suas reações perante este sentimento. As mensais da X-Factor trabalham com diversas consequências que os mutantes tiveram em eventos passados, como a perda de inteligência de Hank McCoy, a ascensão deles como os queridinhos da América, as atitudes de Scott Summers devido a morte de Madelyne Pryor que revelou ter um filho com o herói e a aquisição da nave do psicopata: Apocalipse. Os X-men lidam com a sua “falsa morte” da melhor forma que conseguem, lutando contra os carniceiros e armações governamentais.

A arte é bem típica dos anos 90, com traços fortes e detalhados em um formato inconfundível para a época, muitas vezes se mostra destoante da narrativa, causando um pouco de desconforto ao acompanhar a história, mas nada que chegue a atrapalhar seriamente a leitura. Mais uma vez, o melhor uso dos elementos narrativos é o The New Mutants, que é justamente o título que mais parece ter ligação com a saga que leva o nome na capa.

Apesar disto tudo, o encadernado é tem um formato realmente bem acima das outras republicações atuais, contendo 276 páginas, é um deleite para quem gosta de ler bastante. O preço faz jus ao capricho da Panini, sendo relativamente bem mais caro que o normal, mais ainda compensa a aquisição, porém se tiver algo mais interessante na banca, vale deixar para uma próxima.

Close