Atualmente, uma das sagas mais importantes e impactantes para o Universo Marvel foi: Vingadores vs X-men, uma verdadeira divisora de águas para a editora e que levou a uma repaginada total de suas publicações, conhecida como: Marvel Now!. Apesar de toda a importância em torno dela, promete muito e entrega extremamente pouco, mas ainda diverte bastante.

Esta saga é o final de Bendis como mentor de toda uma década a frente da editora como o “cabeça” das mega-sagas, cujo qual rendeu muitas boas, outras nem tanto, fazendo com que o ápice de todos os acontecimentos até então, culminasse em uma batalha que consumiria todos os heróis, ao estilo Guerras Secretas, mascarada de Guerra Civil.

A história é escrita por um time de roteiristas de peso como: Jason Aaron (Thor: O Deus do Trovão), Brian Michael Bendis (ALIAS), Matt Fraction (Gavião Arqueiro), Jonathan Hickman (Os Novos Vingadores) e Ed Brubaker (Capitão América: O Soldado Invernal) e desenhada por artistas do mesmo calibre: Oliver Coipel (Thor: Renascer dos Deuses), John Romita, Jr. (Demolidor: O Homem Sem Medo) e Adam Kubert (O Cavaleiro das Trevas III).

Com diversos eventos traumáticos superados tanto pelos mutantes, quanto pelos heróis, a Força Fênix é detectada mais uma vez rumo a Terra para se tornar uno com a sua nova hospedeira: Esperança Summers, que está junto com os X-men para ser treinada para o este grande momento. Enquanto planos são traçados para lidar com essa ameaça à vida no planeta, Scott Summers vê na Fênix uma oportunidade de fazer com que a raça mutante renasça, enquanto Capitão América acredita que a entidade deve ser destruída antes que destrua toda a humanidade. Com isto, lados são formados e a batalha tem seu ínicio.

O roteiro é muito divertido de ser acompanhado, mesmo que nada original, consegue empolgar o leitor no decorrer da narrativa, levando a vibrar durante as batalhas épicas que estão presentes ao longo de toda a história. Os elogios param por aqui, Vingadores vs X-men, sofre com a falta de originalidade em uma saga que teria tudo para colocar em xeque diversas questões que tem acompanhado as duas equipes durante os anos, mas prefere focar em lutas memoráveis que devido a história fraca, acabam se tornando vazias em sua essência.

Mas o que mais incomoda nem são as batalhas em si, mas a descaracterização nítida dos personagens, nenhuma tão grande quanto a dos principais heróis da saga: Capitão América, que prefere meter a porrada primeiro e conversar depois, o que vai contra tudo que foi construído em torno do personagem ao longo dos anos, e Ciclope, o líder dos X-men em Utopia, que desconsidera praticamente tudo o que sofreu graças a entidade Fênix e a venera como uma salvadora, quando na verdade, é bem ao contrário. Nem vamos começar a comentar o roteirismo em excesso presente em diversas cenas ao longo das edições, que nem mesmo Frank Miller é capaz de rivalizar.

Os diálogos são muito bons, mas as motivações, devido a descaracterização dos personagens principais, perde força e razão, tornando vazia e repetitiva ao longo da narrativa, chegando a fazer com que os heróis façam atos irracionais, apenas para provar que seu ponto de vista é o correto.

No que se refere aos desenhos, o que o roteiro não entrega, a arte se encarrega de suprir de forma impressionante, até mesmo o controverso Romita Jr., dá um show de traços e sequências de ação que são de tirar o fôlego, e em muitos momentos fazem até o leitor esquecer os defeitos da história. Entretanto, acaba servindo mais como uma muleta para sustentar uma história fraca, do que um instrumento narrativo.

Não pense que os extras focados exclusivamente na batalha dos heróis foi esquecido, aonde funciona mais como uma espécie de título a parte, assim como o estrondoso sucesso dos anos 70: “What If…?”, do que como parte da história, aonde não agrega absolutamente nada, distorcendo muitas lutas que são retratadas de forma diferente na saga original, mas no todo, é completamente irrelevante na compreensão da trama.

Em suma, Vingadores vs X-men, não faz jus ao time criativo que leva na capa, entregando uma história, que não deixa de passar a sensação de que tinha um potencial gigantesco totalmente desperdiçado em prol de um entretenimento vazio que busca apenas vender revistas.

Entretanto, mesmo com todos estes defeitos, ainda é uma leitura gostosa e agradável, onde é possível vibrar, torcer pelos personagens, se admirar e perder o fôlego com as lutas e os eventos presentes durante a narrativa, se tornando uma obra perfeita para quem busca entretenimento puro em sua essência.

Graças a onda de relançamentos, a Panini lançou a saga inteira em um formato único da linha Marvel Deluxe, enquanto a Salvat publicou em uma série de quatro encadernados do formato capa preta, que aborda as principais sagas da editora. Em ambas as opções, é necessário desembolsar uma quantidade razoável de dinheiro, ficando a critério da preferência de qual material adquirir.

De qualquer forma, é preferível esperar uma promoção para comprar esta saga, podendo assim usar parte da verba para comprar títulos mais “essenciais”,podendo ser adquirida pelo link da nossa parceira Amazon, clicando aqui.