
Com toda a certeza, a família pré-histórica fez parte de diversas infâncias pelo mundo afora, já que é um dos programas que mais resistem em canais de televisão e até hoje é reprisado. O primeiro desenho animado de 30 minutos foi produzido pela Hanna-Barbera, em 1960 e transmitida pelo canal ABC. Com um total de 166 episódios feitos angariando mais de 300 milhões de telespectadores em cerca de 80 países e traduzido para mais de 20 línguas diferentes, ganhando 2 adaptações deploráveis para o cinema, quem nem valem a pena serem lembradas.

Inicialmente pensado como um Sitcom (uma série com um formato focado em cotidiano e humor) para o público adulto, em seus primeiros anos eles apareciam em comerciais fumando e sempre relacionados à marca de cigarros Winston. Aos poucos, teve a introdução de personagens infantis e assim passou a alcançar o público infantil e jovem, abordando problemas típicos de uma família de classe média.
Os Flinstones, mostra o cotidiano de duas famílias encabeçadas por Fred Flinstone e seu inseparável amigo Barney Rubble sempre se metendo em frias, dentro do cenário pré-histórico na cidade de Bedrock e o contexto histórico dos anos 60, com os itens de consumos modernos sendo feitos de pedras e peles, e os equipamentos, operados por animais.
O formato das histórias não mudou, sendo que cada edição é uma crônica isolada do cotidiano de uma família (assim como os episódios do desenho), contendo um humor inteligente e uma crítica social muito forte a nossos conceitos como sociedade moderna, abordando temas como: Consumismo, política, homossexualidade, inseguranças e reinventando alguns conceitos de personagens, como por exemplo: Fred e Barney como ex soldados, se valendo disto para uma crítica a guerra e suas consequências.
Mark Russel faz questão de deixar o enredo com um aspecto nostálgico para os leitores que já assistiam o desenho, mas ao mesmo tempo consegue compor uma história em alguns momentos semelhante a um “ano um” dos personagens explicando as origens dos personagens e como foram suas infâncias durante a idade jurássica, com toda a certeza angariando cada vez mais leitores para o mundo dos quadrinhos. Steve Pugh também faz um excelente trabalho para acompanhar a narrativa, com um uso muito inteligente das paletas de cores e os traços bem aconchegantes para os leitores.
Impossível não se emocionar e parar para refletir em muitos momentos durante a leitura das histórias, o impacto que você sente é muito direto e muitas vezes pode te deixar incomodado em algum momento, seja pelo sentimento de reconhecimento em algum ponto da narrativa ou então da sensação de empatia por alguns personagens. Com toda a certeza é uma das melhores leituras de 2016 e consegue agradar todos os nichos de leitores de quadrinhos, é uma infelicidade que esta obra não tenha ganhado nenhum prêmio.