A galeria de vilões do Batman é uma das mais admiradas pelo mundo Geek em geral, fornecendo um material praticamente ilimitado para qualquer roteirista que seja encarregado do título, rendendo os mais variados quadrinhos, animações e longas, como é o caso do filme solo do Coringa que está causando um certo alvoroço na internet. Bane: A Conquista – vol.1, bebe desta mesma fonte, mas não passa de uma história medíocre para vender revistas.

A primeira aparição de Bane foi na revista: Batman: Vengeance of the Bane #1 lançada em 1 de janeiro de 1993 por Chuck Dixon, Doug Moench e Graham Nolan dando o pontapé inicial em uma das mais longas e consagradas sagas do Vigilante de Gotham: A Queda do Morcego, que estreou no mesmo ano e teve diversos roteiristas e artistas contribuindo para a história que perdurou por dois anos.

 Bane nasceu na ilha de Santa Prisca, aonde fica uma prisão esquecida por todos, aonde coisas indizíveis são feitas com os prisioneiros, que uma vez lá, dificilmente conseguem sair. Durante seu tempo preso e amadurecendo, entre a batalha constante para sobreviver em uma terra sem lei, usou este tempo para aperfeiçoar o corpo e a mente quase no mesmo nível que o de Batman, o que chamou a atenção dos diretores de Santa Prisca que o escalaram para um experimento de um novo componente químico chamado: Veneno.

Após ele aparentemente ter morrido, ele volta a prisão para matar todos os diretores e cientistas que o torturaram e liberta seus amigos: Pássaro, Trogg e Zumbi, as únicas pessoas em que o vilão confia. Só então depois de ter se munido de um estoque recarregável de veneno ele parte para tomar Gotham City de Batman, elaborando um plano que leva o herói ao nível máximo de exaustão, possibilitando que Bane quebre sua coluna e o deixando paraplégico, fazendo com que o manto do Morcego passasse para Jean Paul-Valley, o Azrael da época, que o derrotou sem nenhuma misericórdia fazendo com que ele ficasse em estado catatônico.

Muito se passou na mitologia do personagem desde então: ele recobrou a consciência, foi em busca de seu pai, encontrou Thalia al Ghul, caiu nas graças de Ra’s al Ghul que o tornou herdeiro de todo o seu império, matou um herói e participou de uma das formações do Esquadrão Suicida da Amanda Waller, chegando até este ponto do trajeto do personagem.

Escrita por seus criadores: Chuck Dixon (Robin: Ano Um), desenhada por Graham Nolan (JLA versus Predador) e colorida por Gregory Wright (Asa Noturna: Ano Um), conta como Bane junto com a sua gangue emprega todas as suas forças para manter a ordem no submundo Gotham City, impedindo que mais algum criminoso ameace o seu império. Após uma carga misteriosa interceptada pelo vilão, o mesmo descobre que quem está por detrás disto é uma seita criminosa cujo o poder se estende a nível global e após derrotar o chefe medonho desta organização, ele o usa como uma ferramenta para conseguir dobrar todo o submundo, mundialmente falando, a sua vontade.

O roteiro busca trabalhar melhor com as facetas do vilão, mostrando um Bane mais analítico e articulado, praticamente no mesmo nível do Batman, o que podemos ver nitidamente no encontro de ambos dentro da edição #03. Entretanto, a própria ideia entra em contradição quando o vilão começa a tomar decisões estupidas ao invés de seguir seu raciocínio logico, isso é mostrando quando ele resolve entrar em um jogo com o Dionísio, aonde as intenções do ser medonho, ficam claras desde o momento que ele aparece.

A história mostrada neste encadernado é fraca e não prende em momento algum, prometendo um potencial que não é entregue durante a leitura, por fim se tornando decepcionante em sua essência. A narrativa parece se valer de situações ridículas para movimentar a trama que se estende eternamente para lugar nenhum, com diálogos fracos e personagens aparecendo mais como um fanservice do que para dar alguma acrescentar em algo.

A arte tem um estilo meio anos 90, para tentar alcançar o saudosismo dos fãs do personagem, considerando que os desenhos são do mesmo artistas que deram à luz ao vilão, rendendo algumas cenas interessantes, mas que seriam bem melhores se concebidas por outro desenhista.

Talvez o maior problema da arte esteja na coloração, que mesmo com todos os recursos disponíveis hoje em dia para produzir cores mais vivas e dinâmicas para os desenhos, tem o aspecto de cores chapadas, bastante comum no extinto formato dos formatinhos, o que acaba causando um certo desconforto na hora de apreciar o trabalho artístico do encadernado.

Em suma, Bane: A Conquista é mais um caso de exploração do saudosismo dos fãs apenas para empurrar uma edição com uma história meia boca, feita exclusivamente para fazer os leitores gastarem o seu dinheiro. Este primeiro volume de 140 páginas reúne as edições publicadas originalmente em Bane: Conquest 1-6, e possui um formato extremamente simples, o que impacta diretamente no preço, que é realmente muito baixo.

3.0
Score

Roteiro
2
Arte
4
Cores
2
Formato do encadernado
5

Final Verdict

Facilmente um dos piores títulos publicado este ano, um encadernado que pode ser deixado para trás que não vai gerar arrependimento algum.