Uma das primeiras coisas que aprendemos quando começamos a estudar cinema é que é quase impossível fazer um bom filme de um roteiro ruim, mas que a mais fácil das tarefas seria fazer um péssimo filme de um bom roteiro. O Peso do Passado seria um bom exemplo, em uma aula de roteiro, da segunda hipótese.
O filme conta a história de uma policial, Erin Bell (Nicole Kidman), que se infiltra em uma gangue de assaltantes de bancos e toma decisões questionáveis que levam a acontecimentos traumáticos e, anos depois, ao ver que o líder da gangue, Silas (Tobby Kebbell) volta à ativa, resolve perpetrar uma “vingança” por debaixo dos panos.
O roteiro toma duas linhas narrativas: uma em que Nicole Kidman, como a jovem Erin, carrega a ação nas costas e salva boa parte do filme e outra em que Kidman, caracterizada como uma Erin mais velha, tenta e não consegue atuar, devido à maquiagem carregada, que a impede de expressar quaisquer emoções ou, mesmo, ter uma dicção compreensível.
Fora Kidman e o roteiro, que tem boas ideias e bons diálogos, outros pontos altos do filme são a direção de fotografia, bem contrastada e cheia de sujeira, e a sequência em que Erin frustra o assalto do bando de Silas. Fora isso, o filme é uma sucessão de erros infelizes, a maioria por conta da diretora, Karyn Kusama.
A diretora, responsável pelo bom live action de Aeon Flux, de 2005, mostrou que não tem boa mão para atores, conseguindo estragar bons diálogos, e que tomou péssimas decisões narrativas, tornando o filme lento e, no final, extremamente sentimentaloide e arrastado.
O que poderia ser um novo 8mm acabou se tornando mais um filme de baixo orçamento com dois nomes fortes no elenco (ainda temos Sebastian Stan, num clima de “o que estou fazendo aqui?”) que, com segurança, garantirão que o filme se pague à partir do dia 17, nos cinemas.



