Você gosta de filmes de tribunal americanos? E de cinebiografias, você gosta? Filmes de época que se passam no século XX? Então, está no lugar certo! “Os 7 de Chicago” é tudo isso, aliado a um bom roteiro não-linear, que vai te fazer passear pra frente e para trás na linha do tempo e entre pontos de vista conflitantes numa história que, se você for atrás, verá que é uma das mais empolgantes/revoltantes da história recente da humanidade, quando uma convenção democrata em Chicago, durante a guerra do Vietnã, sofre protestos de jovens, que acabam entrando em conflito com a polícia local e terminam por ser processados pelo Estado americano.
Um grande elenco de ótimos atores, um roteiro muito bem estruturado, com uma curva dramática incrível e uma virada para um terceiro ato, que proporciona um anti-clímax dramático e horripilante, direção de fotografia primorosa e montagem competente fazem de “Os 7 de Chicago” a melhor pedida do streaming, durante a pandemia de 2020. Com todos os clichês possíveis de filmes de tribunal, temperados com uma revolta plenamente esperada (e até desejável) de uma geração de contracultura e permeados de discursos políticos e comportamentais típicos da década de 1970, o filme alterna entre as cenas da corte (com destaques para o irritante Juiz Hoffman, de Frank Langella, os hilários Abby Hoffman, do fantástico Sacha Baron Cohen, e Jerry Rubin, de Jeremy Strong, e o forte e significante Pantera Negra Bobby Seale, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, sem contar o sempre ótimo Joseph Gordon Lewitt, que interpreta o Promotor Schultz) e os flashbacks dos fatos, que interessantemente sempre seguem o ponto de vista do depoente, deixando o expectador fazer a própria leitura dos fatos, mesmo que o filme seja abertamente favorável aos réus. Porém, apesar de usar algumas imagens de arquivo, o diretor Aaron Sorkin prefere dizer que seu filme é “mais uma pintura do que uma fotografia” dos eventos históricos e que um filme “precisa, antes de ser historicamente acurado, ser um bom filme”, uma boa experiência para o espectador. E “Os 7 de Chicago” consegue.
Um filme extremamente competente, empolgante e envolvente, que vai fazer você pensar sobre pontos de vista e motivações. Uma boa pedida para a Netflix da pandemia!
